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Grupo jihadista EI sequestra 400 civis na Síria após massacre

FABIO BUCCIARELLI

Agências de Notícias - publicado em 18/01/16

Acusado pela ONU de crimes contra a Humanidade, o grupo realizou várias execuções em massa na Síria no passado

A organização Estado Islâmico sequestrou ao menos 400 civis na cidade síria de Deir Ezzor, depois de matar mais de uma centena de pessoas nesta localidade, a mais recente atrocidade do grupo jihadista.

“Entre os sequestrados, todos eles sunitas, há mulheres, crianças, famílias e combatentes pró-regime”, disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

As vítimas foram sequestradas em Al Bgheliyeh, a periferia noroeste de Deir Ezzor (leste), e em suas imediações, para ser conduzidas a regiões em poder do EI na província de mesmo nome e na vizinha Raqa, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Este último teme que o EI “execute civis e converta as mulheres em escravas sexuais, como já fez no passado”.

No sábado, o EI lançou uma ofensiva de grande envergadura em vários setores de Deir Ezzor, conquistando cerca de 60% da cidade, embora algumas partes e um aeroporto militar próximo continuem sob o controle do regime.

Segundo o OSDH, as tropas governamentais e as do EI protagonizaram alguns combates intermitentes no noroeste da cidade neste domingo, enquanto Al Bgheliyeh foi bombardeada pela aviação russa, aliada do regime.

Antes do sequestro em massa de civis nesta localidade, os jihadistas mataram 85 civis e 50 combatentes pró-regime, a maioria executados, segundo a mesma ONG.

Combates em Aleppo

A agência oficial síria Sana denunciou um massacre e evocou 300 civis mortos.

Se este balanço for confirmado, será um dos piores massacres lançados em apenas um dia desde o início do conflito, em março de 2011.

O EI, que se aproveitando do caos na Síria tomou grandes territórios do país, é acusado de todo tipo de atrocidades – execuções, sequestros, estupros, limpeza étnica -, tanto na Síria quanto no Iraque.

Acusado pela ONU de crimes contra a Humanidade, o grupo realizou várias execuções em massa na Síria no passado, entre elas a de 900 membros da tribo dos Chaitat em Deir Ezzor, que se opôs aos jihadistas em 2014.

Este novo banho de sangue ocorre enquanto as forças pró-regime de Bashar Al-Assad enfrentam os jihadistas na província de Aleppo (norte).

Os pró-regime tentam conquistar, com apoio aéreo russo, a cidade de Al Bab, nas mãos do EI desde o fim de 2013, depois de terem retomado várias cidades nos arredores, e atualmente se encontram a menos de 10 quilômetros.

Esforços diplomáticos

Em Aleppo, os combatentes pró-regime tentam cortar o acesso dos rebeldes à cidade, dividida entre bairros pró-governamentais e bairros da oposição.

“O exército tenta ampliar sua zona de segurança em torno da cidade” de Aleppo e impedir que os rebeldes se reabasteçam, segundo uma fonte de segurança.

O regime, que no último verão boreal se viu em sérias dificuldades, retomou a ofensiva após a entrada no conflito no fim de setembro da Rússia, fiel aliada de Damasco, que desde então realizou milhares de bombardeios.

Os pró-governamentais esperam enfraquecer o EI, que controla uma parte desta província do norte da Síria e que é vizinha de Raqa, o que se converteu de fato na capital do grupo jihadista neste país.

Nesta cidade, novos bombardeios das forças pró-regime deixaram 40 civis mortos, entre eles oito crianças, segundo o OSDH, que não pôde confirmar se foram realizados por aviões russos ou por aeronaves do governo de Bashar al-Assad.

Desde o início do conflito, 260.000 pessoas morreram na Síria e milhares foram deslocadas ou exiladas.

Após várias tentativas frustradas de resolver o conflito, a ONU tentará novamente reunir o regime e a oposição no dia 25 de janeiro na Suíça para negociar um cessar-fogo e uma transição pacífica.

(AFP)

Tags:
Estado IslâmicoMundo
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