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Fanatismo religioso: menino amputa própria mão em penitência por “blasfêmia”

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Aleteia Brasil - publicado em 20/01/16

...e vira herói para a sua família e boa parte do país

Durante uma celebração que homenageava o nascimento de Maomé, o clérigo islâmico de uma mesquita da província de Punjab, no leste do Paquistão, perguntou aos presentes: “Quem de vocês acredita em Maomé?“. Todos levantaram a mão. O clérigo perguntou então: “Quem de vocês não acredita nos ensinamentos do santo profeta?“.

Um adolescente de 15 anos, que entendeu mal a pergunta, levantou a mão sem querer.

Diante de aproximadamente cem pessoas na mesquita, o clérigo o acusou imediatamente de blasfêmia. O jovem, para provar o seu amor pelo profeta, voltou para casa, ligou um cortador de grama, amputou a própria mão direita, colocou-a num prato e foi apresentá-la ao clérigo.

Quando eu levantei a mão direita sem querer, percebi que tinha cometido uma blasfêmia e que precisava compensar aquela afronta tão grande“, declarou o adolescente à rede britânica BBC.

Reações

O menino continua convicto de que fez a coisa certa. Quando perguntado se sentiu dor ao amputar a mão, ele respondeu à reporter Iram Abbasi, da BBC: “Por que eu sentiria dor ou teria algum problema cortando uma mão que foi levantada contra o santo profeta?“.

A família celebrou a automutilação do jovem.

A aldeia em que ele vive está fascinada com o seu “testemunho”. Mesmo pessoas de povoados próximos estão “peregrinando” até lá para homenagear o novo “herói”.

O clérigo, por sua vez, está preso: acusado de instigar o extremismo e o fanatismo religioso, foi enquadrado na lei paquistanesa de combate ao terrorismo.

Lei antiblasfêmia

O caso revela a enorme dificuldade de se debater qualquer assunto religioso no Paquistão, república oficialmente islâmica na qual 97% dos 200 milhões de habitantes são muçulmanos.

Em 1984, o general Zia ul-Haq, então presidente do país, incluiu no Código Penal a “lei antiblasfêmia“, que prevê penas como prisão perpétua e execução para quem insultar o islã. As ofensas previstas, no entanto, são genéricas, como “profanar o alcorão” e “difamar o profeta Maomé“.

Estabelecida para “proteger os costumes e tradições da sociedade muçulmana“, a lei, na prática, é uma brecha jurídica à qual se apela com frequência para amparar vinganças políticas ou pessoais entre muçulmanos, além de ser evocada para “justificar” perseguições religiosas contra as minorias cristãs e hindus.

Até acusações sem prova servem para condenar os réus ou mesmo linchá-los.

Pressionado mundialmente por causa dos inúmeros casos de abusos ligados à lei antiblasfêmia, o governo do Paquistão tomou algumas medidas contra o extremismo religioso, mas o discurso fanático ainda perdura no país, influenciando largamente a opinião pública.

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