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As 8 características de um bom líder empresarial

© Kzenon / SHUTTERSTOCK

Opus Dei - publicado em 04/02/16

Uma organização não pode ser gerida na base de "você faz isso, eu pago e ponto"

  1. Coerência com as próprias convicções
  2. Conduta exemplar
  3. Tratamento amável dos subordinados
  4. Solicitude na formação dos colaboradores
  5. Justiça ao organizar o trabalho e valorizar a atividade realizada
  6. Prudência para resolver os problemas presentes
  7. Fortaleza para enfrentar as dificuldades
  8. Exigência respeitosa para ajudar as pessoas a se superarem e se formarem

Uma empresa é uma comunidade de pessoas. Sim, ela tem instalações, edifícios, máquinas… mas tudo isso é proporcionado por alguém e gerenciado por pessoas, que agem por motivações diversas (benefícios, salário, carreira, ego), mas que têm de atuar de maneira integrada para realizar um projeto conjunto.

Dirigir uma empresa é conseguir que essas pessoas, sem renunciar aos seus interesses próprios, tão humanos, levem adiante esse projeto conjunto.

Essa é a tarefa dos líderes organizacionais. Eles mandam? Sim, claro, mas a tarefa deles é mais que isso… É mais delicada que isso. Há contratos, certamente, mas uma organização não pode ser gerida na base do “você faz isso, eu pago e ponto”. Às vezes é necessário dizer isso, mas, no geral, dirigir consiste em algo diferente.

Por exemplo, no caso dos trabalhadores, o gerente tem que se perguntar: para que eles vêm toda manhã? Para ganhar seu salário, claro. E para aprender, para construir uma carreira, para acumular direitos para a aposentadoria, para fazer amigos, para ser felizes.

Para ser felizes? Claro! Oito horas diárias de inferno até podem ser suportadas durante uma semana, mas é impossível que a equipe humana funcione só com broncas e gritos, por mais que haja um salário no fim do mês.

Porque aquela frase bonita que diz que “o ativo mais importante da empresa são seus homens e mulheres” é verdadeira. São eles que conhecem o cliente, que fazem funcionar as máquinas, que sabem onde acontecem os erros… e que podem desenvolver as competências distintivas da empresa, das quais depende a sua continuidade.

Tudo isto me leva à conclusão de que uma boa empresa começa no reconhecimento da dignidade das pessoas.

Mas o que entendemos por dignidade?

Faz alguns dias, li que, para alguns filósofos atuais, a dignidade se fundamenta na capacidade de fazer o que a nossa vontade deseja, sem que os outros possam impedir nem criticar.

E imaginei o grande diretor, orgulhoso de si mesmo, seguro das suas capacidades… Até o dia em que alguém o contraria e o nosso protagonista responde: “Você não sabe com quem está falando? Quem é você para me contrariar?”.

E me perguntei se esse alto diretor aceitaria essa atitude da recepcionista da empresa: afinal, não há lugar para muitos galos no mesmo galinheiro.

Então, esse conceito de dignidade não nos serve: é elitista, individualista e não tem futuro em uma organização na qual contar com os outros é crucial, porque é preciso atingir resultados com a colaboração de todos.

Embora a mídia exalte o heroico líder empresarial, aquele que seria capaz de conduzir sozinho uma grande organização pelo caminho do sucesso, o fato é que dirigir é um trabalho em equipe – e isto vale tanto para a grande multinacional quanto para o comércio da esquina.

O respeito à dignidade das pessoas tem muito a ver com dirigir bem. Não é questão de cumprir um código moral; é algo muito mais exigente:

“Ser coerente com as próprias convicções” – reli, faz uns dias, o livro “Dirigir empresas com senso cristão”, que reúne alguns textos do grande chanceler do IESE e prelado do Opus Dei, dom Javier Echevarría: “exemplares na conduta, amáveis no modo de tratar os subordinados, solícitos na formação dos colaboradores, justos ao organizar o trabalho e valorizar a atividade realizada, prudentes para resolver os problemas presentes, fortes para enfrentar as dificuldades”.

Essas características mostram um bom conhecimento do que representa a liderança nas organizações, condição para conseguir os objetivos da empresa e base para o respeito à dignidade das pessoas e para conseguir que elas se desenvolvam e cresçam no seu trabalho.

Quando ouvimos um eclesiástico falar dessas coisas, pode parecer que ele está falando do que não sabe. Mas não é preciso ter no currículo um doutorado em artes de direção de empresas para entender o que é uma pessoa, o que é uma organização humana, o que significa dirigir essa organização, como é preciso tratar os outros e o que é necessário para que as pessoas percebam que a sua dignidade é respeitada.

E tudo isso com exigência, que, muitas vezes, é a melhor maneira de dizer ao outro: “Eu tenho um grande respeito por você e por isso quero que você se supere e conquiste mais”. As empresas, afinal, podem ser também grandes formadoras de homens e mulheres.

Antonio Argandoña, professor do IESE

Tags:
dignidadeVirtudes
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