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Rebelião síria vive ameaça de colapso frente ao regime e seu aliado russo

Agências de Notícias - publicado em 08/02/16

Os rebeldes sírios podem cair após as vitórias do regime e de seu aliado russo na ofensiva contra o bastião de Aleppo, que pode marcar uma reviravolta na guerra, de quase cinco anos, segundo analistas.

Os rebeldes e seus aliados internacionais não têm opções para conter o avanço das forças do grupo do regime sírio de Bashar al-Assad, principalmente desde o fracasso da tentativa recente de negociações de paz, promovida pela ONU em Genebra.

“Os rebeldes se encontram em uma curva descendente, e a queda é cada vez mais dura”, afirma Emile Hokayem, pesquisador do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, com sede em Londres.

A província de Aleppo, norte da Síria, era um bastião rebelde que permitia o acesso à vizinha Turquia, apoio da oposição.

A cidade de Aleppo, antiga capital econômica da Síria, está dividida em duas desde meados de 2012. Os rebeldes controlam o leste e as forças do regime, o oeste.

Mas as forças do governo foram ganhando terreno nos arredores de Aleppo, e o avanço desta semana estreitou o cerco aos insurgentes.

“É um giro na guerra”, estima o geógrafo especialista na Síria Fabrice Balanche. “A oposição queria converter Aleppo e a província de Idleb (vizinha) na base de uma ‘Síria livre’. Acabou.”

“Aleppo é uma amostra espetacular da forma como a potência aérea e estratégica russa compensou a capacidade relativamente frágil do regime”, afirma Faisal Itani, do Centro Rafic Hariri para o Oriente Medio, ligado ao think tank americano Atlantic Council.

Moscou diz que bombardeia o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), mas analistas e militantes consideram que os russos se concentram principalmente nos rebeldes não jihadistas para reforçar o regime de Assad.

– Cerco a Aleppo? –

Os rebeldes e os cerca de 350 mil civis que ainda vivem em Aleppo se expõem a um cerco das forças pró-regime, uma tática de efeito devastador usada para derrubar outros bastiões dos insurgentes, como Homs (centro).

“Boa parte dos rebeldes e civis poderia morrer por causa dos bombardeios, da fome e das privações causadas pelo cerco”, aponta Itani.

A guerra síria, que começou em março de 2011, com a repressão sangrenta a manifestações pacíficas que pediam democracia, já deixou mais de 260 mil mortos.

A oposição se sentiu traída quando os aliados internacionais interromperam o fornecimento de armas, antes do anúncio de negociações de paz no fim de janeiro em Genebra, que fracassaram.

“O que mais frustra os rebeldes são estes países que pretendem ser amigos da Síria e se contentam com palavras bonitas”, declarou à AFP pela internet Mamun al-Khatib, diretor da agência de notícias Shahba, com sede na província de Aleppo e partidária dos rebeldes. “Enquanto isso, Rússia e Irã ocupam o território sírio.”

– Opções limitadas –

Os rebeldes parecem estar de mãos atadas. “Já não têm muitas reservas de homens, devido ao fato de outras zonas rebeldes também se encontrarem sob pressão”, principalmente no sul, em Deraa, destaca Itani.

Por muito tempo, os rebeldes tentaram obter armas antiaéreas de seus aliados internacionais, mas Washington se negou, temendo que caíssem nas mãos de jihadistas como a Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, ou o EI.

Como se sentem traídos por seus aliados internacionais, alguns rebeldes poderiam se unir a grupos jihadistas, alerta Hokayem.

Tudo aponta que o regime irá consolidar o controle sobre a chamada “Síria útil”, no oeste e centro do país.

“Assad e a Rússia querem deixar que os americanos se ocupem do monstro jihadista no leste”, assinala Hokayem. “E funciona.”

Segundo os analistas, o avanço das forças pró-governo colocou o regime de Assad em uma posição de força, desde a qual pode se recusar a fazer concessões, tornando impossível para a oposição negociar. “Aqueles que quisessem negociar em Genebra seriam acusados de traição”, diz Balanche.

Para Hokayem, o processo de paz, adiado para 24 de fevereiro, é “um espetáculo que não dará resultado”.

(AFP)

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