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A revolução sexual é uma das causas da violência sexual: mas o laicismo teima em fingir que não...

Aleteia Brasil - publicado em 17/02/16

Combinação de pornografia e liberação sexual sem limites acelerou redução da mulher e do homem a objetos

Foi sancionada há quase um ano, em março de 2015, a lei que tornou o feminicídio um crime hediondo no Brasil. Em meio à infindável discussão contra a corrupção brasileira e seus efeitos devastadores no bolso e na paciência dos cidadãos, que já se arrastava na época (e, pelo visto, continuará se arrastando sem prazo definido), a notícia dessa nova lei ficou em segundo plano.

Assim como ficou e continua em segundo plano a sua eficácia.

Afinal, numa cultura que finge que não há consequência alguma em reduzir as pessoas a meros objetos sexuais, uma lei desse tipo é um avanço, mas um avanço muito frágil e paliativo, porque passa longe de tratar seriamente das CAUSAS do problema.

Em 2013, a revista norte-americana Violence and Victimspublicou uma pesquisa feita pela Universidade da Geórgia, também dos Estados Unidos, sobre a relação entre a indústria da pornografia e a violência contra as mulheres. A pesquisa, como é previsível, foi amplamente ignorada pela grande mídia.

Mas o estudo norte-americano não passou despercebido para o médico e sexólogo Vincenzo Puppo, do Centro Italiano de Sexologia. Em entrevista ao jornal La Stampa, o Dr. Vincenzo explicou por que a pornografia causa dependência e quais são os efeitos da sua transformação em vício:

“A visualização contínua e repetida dos órgãos genitais masculinos e femininos vai diminuindo progressivamente a capacidade de excitação mental. Quando um estímulo sensorial é repetido continuamente, ele vai deixando de ser excitante com o passar do tempo. Assim, o cérebro passa a exigir estímulos sexuais mais fortes. Da pornografia ‘comum’, a pessoa passa, por exemplo, a consumir imagens de estupros, de outras violências sexuais, de sadomasoquismo, de sexo com animais, com crianças…”.

E não para por aí.

A repetição contínua da visualização dessas novas e perversas imagens leva o cérebro a ir se viciando nelas também. Da dependência doentia de mais e mais cenas degradantes, associadas a excitação e prazer pessoal, tende-se ao impulso não menos doentio de passar aos atos. Assim, quando o ambiente da “mera” visualização de pornografia pesada deixa de ser suficiente para “desafogar” o vício, o dependente acaba explodindo em atos de violência não apenas contra mulheres, mas também, não raro, contra homens e, o que é mais terrível ainda, contra meninas e meninos.

Os alertas de especialistas em questões como esta não costumam fazer sucesso na cultura laica do “liberou geral”, por motivos óbvios: essa “cultura” não quer admitir que todo excesso tem consequências porque tal admissão seria uma confissão das próprias mentiras (e mentiras bastante lucrativas).

É mais ou menos a mesma visão permissiva e leniente que se tem quanto ao álcool, transferindo-se a responsabilidade pela epidemia de consumo de bebida entre adolescentes e jovens para contextos externos à consciência e à vontade deles. Coitadinhos…

No tocante à hipersexualização da cultura laica, as mesmas pessoas que apontam o dedo com fúria contra o “modelo machista repressivo” fecham os olhos, criminosa e hipocritamente, para a relação avassaladora entre a “revolução sexual” e a transformação ainda mais acelerada de seres humanos em objeto de prazer doentio.

Será mesmo que os laicistas furibundos querem resolver o problema em vez de apenas lucrar com ONGs e lobbies que fingem combatê-lo?

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