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Cerca de 150 mortos em atentados na Síria reivindicados pelo grupo EI

Agências de Notícias - publicado em 22/02/16

Cerca de 150 mortos e dezenas de feridos em estado crítico: este é o balanço de uma série de atentados na Síria reivindicados pelo grupo Estado Islâmico neste domingo.

Contudo, os Estados Unidos anunciaram um acordo com a Rússia sobre o termos de um cessar-fogo.

Ao menos 83 pessoas morreram, segundo a agência de imprensa síria – 96, 60 delas civis, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) – , em uma série de atentados 5 km ao sul de Damasco, em Sayeda Zeina, próximo a um santuário xiita onde está o mausoléu de uma neta de Maomé.

Mais cedo, na cidade de Homs, outros atentados provocaram ao menos 59 mortos, segundo o OSDH.

O grupo radical Estado Islâmico (EI) reivindicou em diferentes comunicados todos os atentados do domingo.

O emissário da ONU na Síria, Staffan de Mistura, “condena com força” os atentados cometidos em Homs e perto de Damasco, segundo um comunicado de seu porta-voz.

O secretário de Estado americano, John Kerry, que conversou por telefone com o contraparte russo, Serguei Lavrov, disse neste domingo, em Amã, ter chegado a “um acordo provisório a princípio sobre os termos de uma suspensão das hostilidades, que poderia entrar em vigor nos próximos dias”.

“Ainda não está fechado e prevejo que o presidente (americano, Barack) Obama e o presidente (russo, Vladimir) Putin possam se falar nos próximos dias para tentar concluir este trabalho”, acrescentou.

“Duas conversas por telefone suplementares foram celebradas entre Lavrov e Kerry na noite de 21 de fevereiro. Nestas conversações foram concluídos os parâmetros do cessar-fogo na Síria, apresentados aos presidentes Obama e Putin”, informou, em um comunicado, o Ministério russo das Relações Exteriores.

Em Sayeda Zeinab, um repórter da AFP contabilizou ao menos 60 comércios destruídos e uma grande quantidade de veículos queimados. O OSDH contabilizou, ainda, 160 feridos no local. Mais cedo, a ONG informou que dezenove feridos se encontrariam em estado crítico, considerados em “morte clínica”.

“Os atentados coincidiram com a saída da escola, por isso morreram vários alunos”, informou a televisão estatal síria.

No final de janeiro, ao menos 70 pessoas morreram em um triplo atentado perto deste mesmo santuário, ataque que havia sido reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Mais cedo, um duplo atentado com carro-bomba em Homs, no centro da síria, deixou ao menos 59 mortos e dezenas de feridos, a maioria civis, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A televisão estatal síria mostrou imagens do local do ataque, no bairro alauita Al Zahraa, onde era possível ver poeira e fumaça junto às chamas provocadas pelas explosões.

Os alauitas são uma comunidade surgida do xiismo, à qual pertence o presidente sírio, Bashar al Assad.

Segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane, o EI quis mandar uma dupla mensagem. “Primeiro para mostrar à comunidade internacional que continuam tendo força, apesar dos bombardeios”, explicou à AFP. E, aproveitando o enfraquecimento dos rebeldes diante do exército no norte da Síria, “mostrar que são os únicos capazes de atingir o regime em seus bastiões, os xiitas e os alauitas”.

Os atentados pareciam ter causado grandes danos materiais, arrebentando vitrines das lojas e destroçando carros e micro-ônibus.

A cidade de Homs é controlada quase totalmente pelo governo sírio, embora regularmente tem sido alvo de atentados.

O bairro de Al Zahraa em particular sofreu vários ataques, no último deles no mês passado, quando ao menos 22 pessoas morreram em um duplo atentado suicida reivindicado pelo EI.

Combates no terreno

Em outras regiões do país, continuavam os combates. Na estratégica província de Aleppo (norte), as tropas do regime conseguiram avançar graças a uma ofensiva lançada no início de fevereiro com o apoio da aviação russa e do Hezbollah libanês.

Ao menos 50 jihadistas do grupo Estado Islâmico morreram nos combates com o exército sírio no leste da província e em bombardeios russos, segundo o OSDH.

Além da Rússia, a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos também esta envolvida no conflito e bombardeia o EI desde 2014. E há uma semana, a Turquia lança ataques aéreos contra as forças curdas sírias perto de sua fronteira.

Esta situação muito complexa dificulta a aplicação de um acordo que seja aceito por todas as partes interessadas em um cessar-fogo.

Kerry otimista

“Estamos hoje mais perto de um cessar-fogo”, assegurou Kerry, que há dias tentava concretizar com Moscou a aplicação do acordo internacional concluído em Munique nos últimos 11 e 12 de fevereiro.

Kerry e Lavrov são os arquitetos do acordo em Munique do Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês).

Em virtude deste, os 17 países e três organizações multilaterais participantes acordaram um “cessar das hostilidades” na Síria “daqui uma semana”, ou seja no último 19 de fevereiro. Contudo, este ponto não foi cumprido e os combates continuaram na Síria.

Moscou, firme aliado do regime de Bashar Al-Assad, advertiu no sábado que continuará ajudando o exército sírio a combater os “terroristas”.

A Síria é um país de maioria sunita, mas o poder está, há mais de meio século nas mãos do clã alauita dos Assad.

(AFP)

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