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Crise e solução: “Se há algo intrínseco aos mercados, não é o vício, mas sim a virtude”

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Cardeal presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz: não é preciso “suprimir o mercado”, mas corrigir os seus desvios

É frequente, no contexto de crise que se arrasta desde 2008, que explodam inférteis e tendenciosos bate-bocas ideológicos sobre o papel do mercado tanto na causa quanto na solução das instabilidades sócio-político-econômicas que sacodem o mundo inteiro.

Também é frequente repetir que a crise desta época requer uma revolução cultural, mas esta revolução não consiste na ingênua negação da tecnologia e dos benefícios do mundo contemporâneo: ela consiste em colocar a inventividade humana a serviço de um progresso integral.

Este ponto de vista integrador foi reiterado pelo cardeal Peter Turkson durante uma conferência organizada neste último dia 5 de março pela arquidiocese alemã de Colônia, cujo tema foram as novas metas de desenvolvimento sustentável adotadas pela ONU.

O cardeal Turkson, que é presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, recordou que a boa governança do planeta não passa pela “supressão do tradicional pensamento de mercado”, mas sim pela colocação dos instrumentos do mercado e dos talentos de seus especialistas a serviço do desenvolvimento sustentável.

Turkson afirmou que os lucros exorbitantes de alguns em contraste com a miséria de muitos não são uma característica intrínseca do bom funcionamento dos mercados, mas sim um desvio a ser corrigido, assim como a corrupção. Essa correção de mentalidade e de postura não implica, destacou ele, que o mercado em si seja necessariamente uma entidade predadora.

“Governança melhor significa maior prosperidade genuína. Os teóricos clássicos e contemporâneos concordam que o bom funcionamento do mercado se baseia em virtudes como a confiança, a honestidade, a solidariedade, a reciprocidade e a cooperação. Se há algo intrínseco aos mercados, não é o vício, mas sim a virtude. Não há nada de incoerente, portanto, em desafiar os mercados a gerarem resultados virtuosos como o bem comum, a sustentabilidade e a solidariedade”, declarou o cardeal.

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