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De bispo auxiliar a arcebispo: um castigo por pisar na cabeça da jararaca?

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As incoerências da campanha de ódio e difamação contra dom Darci José Nicioli

Grupos ideológicos favoráveis ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolveram o arcebispo dom Darci José Nicioli em uma estéril e pilotada polêmica na semana passada.

Durante uma prece na celebração eucarística, o então bispo auxiliar de Aparecida tinha proposto aos fiéis presentes:

“Peça, meu irmão e minha irmã, a graça de pisar a cabeça da serpente, de todas as víboras que insistem e persistem em nossa vida, daqueles que se autodenominam jararacas. Pisar a cabeça da serpente. Vencer o mal pelo bem. Por Cristo, Nosso Senhor”.

Pisar a cabeça da serpente” é uma das imagens mais fortes e antigas da espiritualidade cristã, arraigada no Antigo Testamento. Ela se refere à derrota do demônio, simbolizado pela serpente que induziu ao pecado a humanidade representada por Adão e Eva. Quem aparece pisando e esmagando a cabeça da serpente é a Virgem Maria, o único ser humano nascido livre do pecado original por especial privilégio de Deus (considerando-se, obviamente, que Jesus Cristo, mesmo sendo verdadeiro homem, é também verdadeiro Deus).

A prece de dom Darci é feita pela Igreja desde o seu nascimento, há mais de 2.000 anos – e continuará sendo feita até que a cabeça da serpente seja definitivamente esmagada.

Acontece que, na semana passada, o ex-presidente Lula tinha se comparado, ele próprio, a uma “jararaca“, durante um inflamado discurso após ser levado a depor perante a Polícia Federal. Envolvido em escândalo sobre escândalo e acuado por um cerco investigativo inédito na imunda história brasileira da política, do poder e da corrupção que os encharca (e isto vale para todos os partidos), Lula repetiu a retórica de vitimização e confronto que ele e seu partido, o PT, vêm adotando sem sutilezas nas diversas ocasiões em que convocam seus militantes às ruas para combater o que chamam de “golpe” e, neste caso em particular, para impedir que Lula seja investigado como qualquer cidadão igual a todos os outros perante a lei.

A criminosa retórica de confronto entre “nós e eles” incita abertamente à violência e não pode ser tolerada por nenhum setor da sociedade.

A prece proposta por dom Darci é para que Deus nos livre exatamente desse tipo de ódio demoníaco – e é perfeitamente claro que ela se refere, sim, a qualquer instigação vinda de qualquer pessoa que se autoproclame uma “jararaca”; mesmo que se trate de um ex-presidente criminalmente investigado que, de modo irresponsável, convoca os seus correligionários a qualquer confronto que não seja de ideias.

Dom Darci instigou ao ódio?

Não. Na história bimilenar do cristianismo, não é novidade alguma que a serpente deve ser pisada e esmagada – mas não mediante as armas da violência e da instigação ao ódio, que são próprias da serpente mesma, e sim com as armas da virtude e do bem, que se empunham mediante a investigação da verdade, a denúncia da mentira, o protesto pacífico e livre contra tudo e todos que tentam impedir essa investigação e essa denúncia, o voto que pode extirpar da vida pública os representantes de si mesmos e dos seus interesses mesquinhos e, em suma, a justiça, que consiste em “dar a cada um o que lhe cabe” (aliás, este é um dos dois lemas do jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano: “Unicuique suum”. O outro lema, que o complementa, é “Non praevalebunt”, ou seja, “Não prevalecerão”, em referência às “portas do inferno”).

A arma principal do cristão católico, no entanto, é, evidentemente, a da oração, inclusive a oração para que Deus nos dê “a graça de pisar a cabeça da serpente, de todas as víboras que insistem e persistem em nossa vida, daqueles que se autodenominam jararacas. Pisar a cabeça da serpente. Vencer o mal pelo bem. Por Cristo, Nosso Senhor“.

Dom Darci, previsivelmente, foi execrado por grupos pró-PT e pró-Lula nas mídias sociais sob a acusação de… “incitar ao ódio”! Esta acusação, também previsivelmente, foi feita entre explosões de insultos e ataques ad hominem diametralmente opostos à “tolerância”, à “democracia” e ao “respeito” incoerentemente pregados pelos detratores, como se observa com suficiente clareza nestes exemplos (imagem de comentários feitos contra dom Darci no Facebook, publicada pelo site O Catequista – os termos destemperados que os detratores empregam falam por si):

Na semana passada, dom Darci foi promovido de bispo auxiliar de Aparecida a arcebispo de Diamantina, MG. Seus detratores, na campanha de difamação que levam adiante com espantosa naturalidade, se apressaram em dizer que aquilo foi um “castigo” imposto a ele pelo papa Francisco.

É mentira.

A promoção de dom Darci já estava decidida desde bem antes deste episódio tergiversado. Diferentemente do que ocorre com os cargos distribuídos e repartidos quais cabides no mundo sujo da politicagem, a Santa Sé não decide elevar um bispo auxiliar a arcebispo da noite para o dia – e muito menos “como castigo”. Aliás, já nesta interpretação se percebe a mentalidade dos acusadores, para quem cargos são meras peças de um xadrez politiqueiro e não responsabilidades de serviço ao próximo pelas quais será preciso prestar contas – se não perante os tribunais, certamente perante o Deus que esmaga a cabeça da serpente.

Diante da campanha de mentiras e incitações ao ódio levantada contra dom Darci, a resposta católica é a de divulgar a verdade dos fatos. E sem violências. A violência jamais é necessária a quem tem a razão do seu lado.