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Nigéria: ONG e moradores denunciam sequestro de 500 mulheres e crianças

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AFP

<p>Nigeriana passa por escola de Chibok onde alunas foram sequestradas pelo grupo islamita Boko Haram</p>

Agências de Notícias - publicado em 31/03/16

Pelo menos 500 mulheres e crianças foram sequestradas no final de 2014 pelo grupo islâmico Boko Haram em Damasak, no nordeste da Nigéria, mas as autoridades ignoram as informações sobre esse sequestro em massa – denunciaram habitantes locais à AFP, nesta quarta-feira.

Maior do que o sequestro das 276 estudantes de Chibok, este último aconteceu em 24 de novembro de 2014, segundo um funcionário local, um líder da comunidade, um idoso e um morador de Damasak entrevistados pela AFP.

Sob a presidência de Goodluck Jonathan, o governo nigeriano desmentiu, em março de 2015, as notícias sobre esse sequestro coletivo. Um senador local e uma fonte de segurança também negaram essas informações.

Em seus testemunhos, moradores confirmaram à AFP o conteúdo de um relatório da ONG Human Rights Watch publicado na terça-feira.

“Mantivemos silêncio sobre esse sequestro por medo de provocar a ira do governo, já às voltas com o constrangimento provocado pelo sequestro das estudantes de Chibok (em abril de 2014)”, disse um funcionário local à AFP, pedindo para não ser identificado.

“Todos os pais têm medo de falar”, acrescenta este homem, que teve um filho de sete anos sequestrado.

Segundo ele, os políticos foram alertados por moradores que fugiram de Damasak e “não disseram nada e nos ignoraram”.

O sequestro das 276 estudantes em Chibok provocou uma onda de indignação internacional. Situada no nordeste da Nigéria, esta localidade é um reduto do Boko Haram.

Os islamitas “foram às escolas particulares e corânicas e sequestraram até crianças de cinco anos”, testemunhou um chefe local de Damasak, que pediu para não ser identificado.

“Sequestraram crianças de suas mães na cidade. Meus 16 sobrinhos foram sequestrados. Eles tinham entre cinco e seis anos”, declarou a mesma fonte, que contou ter voltado ao local para enterrar “mais de 200 pessoas em fossas comuns”.

Segundo o relatório da HRW, uma mãe continua até agora sem notícias dos filhos de dois e quatro anos sequestrados no dia do ataque.

Um morador idoso de Damasak relatou que os invasores mataram pelo menos 200 pessoas nesse ataque.

Vários moradores disseram que o governo quis abafar, deliberadamente, o sequestro coletivo de Damasak.

A cidade foi libertada das mãos do Boko Haram em 9 de março de 2015 pelas tropas chadianas e nigerianas. Os soldados encontraram cerca de 100 corpos em uma fossa comum debaixo de uma ponte na saída da cidade. Alguns dos cadáveres estavam decapitados, outros, crivados de bala.

“Cerca de 300 crianças são dadas como desaparecidas há mais de um ano, e o governo nigeriano nunca reagiu”, denunciou a HRW, acrescentando que “as autoridades devem acordar e tomar medidas para libertá-las”.

(AFP)

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