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O lamento de uma maluca controladora

Elizabeth Dye - publicado em 04/04/16

Toda suposta ajuda que eu oferecia aos outros na verdade nunca tinha feito uma diferença positiva. Ou pior, provavelmente prejudicava

Oi. Meu nome é Elizabeth e eu sou uma maníaca por controlar tudo.

Em algum lugar ao longo do caminho, eu decidi que era justo e nobre forçar minha ajuda às pessoas que pareciam incapazes de fazer boas escolhas para si mesmas. Como boa cristã, sentia-me na obrigação de ajudar aqueles que não iriam ajudar a si próprios, mesmo que isso significasse substituir sua contribuição.

Conselhos não solicitados? Eu tenho. Precisa de um voluntário? Eu sou sua garota. Alguém precisa certificar se as coisas são feitas corretamente!

Tudo isso desmoronou um dia – o dia que entrei no quarto do hospital de uma pessoa que eu amava. Uma pessoa em cuja vida eu intrometi e manipulei – tudo para o seu suposto bem maior.

Sentei-me em seu quarto, tentando intervir novamente, olhando para os gansos nas toalhas cuidadosamente colocadas no peitoril da janela como uma débil tentativa de fazer um quarto de hospital parecer mais com um navio de cruzeiro.

Eu estava completamente derrotada. Foi tudo um beco sem saída. Eu estava tocada, e me rendi.

Com a graça de, finalmente, orar para ser feita a vontade de Deus, eu finalmente percebi que simplesmente amava a mulher naquela sala, e isso era tudo que eu sempre quis – amá-la. O único arrependimento que eu jamais poderia ter não era amor. Arrependi-me de todas as vezes que eu não a amei, não como um sentimento, não como uma emoção, mas como um verbo. Eu só queria amá-la. Eu queria amar mais.

Orei muito para encontrar uma forma de amor que ela reconhecesse em seu estado, uma mulher despojada de todos os sinais exteriores de dignidade, todos, exceto a pele humana. Em desespero e exasperação que assola a Deus, “Como eu amo isso?!”

Ele disse: “Dê-lhe a dignidade que é dela”.

Que dignidade? A dignidade do livre arbítrio. A dignidade do direito inerente de fazer suas próprias escolhas, até mesmo as más, mesmo as que nos ferem. Essas escolhas. Foi a última coisa que eu queria dar, mas, para começar, nunca tinham sido minhas.

Por um instante eu imaginei Deus e Sua agonia cada vez que eu usava esse dom supremo do livre arbítrio para me afastar dele. Eu vi o grande negócio que é o livre arbítrio… e eu tinha vergonha. Vergonha de todas as maneiras, grandes e pequenas, que eu violei esse presente na vida dos outros. Vergonha das vezes que roubei dos outros o orgulho de tomarem boas decisões para si mesmos, roubei-lhes os benefícios de aprender com seus próprios erros. Isso era o que eu tinha feito com meu livre arbítrio: tentei tirá-lo de outras pessoas que eu amava.

O que mais eu aprendi?

Eu aprendi que o que chamei de “ajudar os outros” foi sempre sobre mim – não sobre escolhas de alguém, mas a minha própria escolha. Meu nível de conforto, meu orgulho no pensamento de saber o que é certo para outras pessoas, ou até mesmo para mim. Eu queria brincar de Deus, não apenas por amor, mas para evitar sentar com o desconforto de ver outras pessoas sofrerem por suas escolhas ruins, e eu fiz isso sob o pretexto da utilidade e competência. Toda minha “ajuda” nunca tinha feito uma diferença positiva. O que é pior, provavelmente prejudicava.

Foi um amargo, humilhante, penitencial comprimido, mas eu tinha certeza que ganharia.

Atualmente eu trabalho duro para usar o meu dom supremo do livre arbítrio para permitir aos outros a sua dignidade. Acho que finalmente compreendi a dominar esse dom, não importa quão grande ou pequena seja a situação, não importa quão nobre a intenção. Não é fácil, especialmente quando sua vida parece piorar; mas, afinal de contas, a queda começou com uma má escolha, e a salvação do mundo começou com um livre arbítrio. Então, eu sei que deve ser um grande negócio.

Meu nome é Elizabeth, e eu sou uma maníaca controladora em recuperação.

Tags:
DoençaPsicologia
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