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Ser uma “boa pessoa” não é suficiente

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Responder o chamado à santidade significa ser brutalmente honesto com nós mesmos e os outros

 

Quem ama a disciplina, ama o saber; quem detesta a advertência é um estúpido. –   Pr 12,1

Você diz: Sou rico, e agora que fiquei rico não preciso mais de nada! E assim você não sabe que é um infeliz, miserável, pobre, cego e nu! Eu lhe dou um conselho, se você quer mesmo ficar rico: Compre meu ouro puro, que passou pelo fogo. Compre minhas roupas brancas para cobrir a vergonha da sua nudez. Compre meu colírio para seus olhos; assim você enxergará. – Ap 3,17-18

São Francisco, conhecido como o homem mais semelhante a Cristo, uma vez foi encontrado chorando por causa de seus pecados. Ele declarou que era o maior pecador do mundo. Chocado, seu companheiro apontou os pecados hediondos cometidos por várias pessoas. “Se Deus tivesse favorecido esses outros, dos quais fala, com tanta misericórdia como me favoreceu, estou certo de que, por maus que sejam agora, eles teriam sido muito mais reconhecidos pelos dons de Deus do que eu, e o serviriam muito melhor do que eu”, respondera Francisco.

A humildade pode ser a característica mais marcante dos santos, humildade tão profunda que é quase ridícula. Quanto mais uma pessoa ama a Deus, menos ela pensa em si mesma. E assim você começa a ser mais santo, mais humilde.

O problema é que a maioria de nós parou aquém do ponto de santidade. Trabalhamos para tornarmos “boas pessoas”, pessoas que não roubam ou não sonegam impostos, e então nos acomodamos nisso. Nós pensamos muito bem de nós mesmos, especialmente em comparação com o resto do mundo. Oramos: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como o restante dos homens, ladrões, injustos, adúlteros…” (Lc 18,11), na realidade não agradecendo a Deus, mas congratulando nós mesmos. E então voltamos para nossa inveja , egoísmo ou raiva, satisfeitos que não somos tão maus quanto o resto deles. “Eu prospero, e não preciso de nada”.

Mas o chamado a seguir Cristo não é um chamado a ser uma boa pessoa. É um chamado a sermos perfeitos como é perfeito o Pai celeste (Mt 5,48). Obviamente não é algo que podemos fazer sem a graça – tudo que é bom vem de Deus. Porém, para a grande maioria de nós (todos que não somos chamados a ser eremitas, acho…), não é algo que se possa fazer sem uma comunidade. Por comunidade eu não me refiro apenas às pessoas que estão contentes em vê-lo, mas às pessoas que o amam e tem coragem suficiente para dizer-lhe quando você não está vivendo da maneira como deveria. Sem essa correção fraterna, nós estagnamos, convencidos de que, uma vez que somos melhores que os outros, somos bons o suficiente. E enquanto Deus misericordioso é fácil de agradar, Ele é difícil de satisfazer. Ele quer mais do que apenas boas pessoas; Ele quer santos.

O que isto significa é que temos de ser honestos com nós mesmos – e com os outros –, de que existem partes de nossas vidas onde estamos infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus. Talvez seja a nossa recusa em dar o dízimo ou a nossa inclinação para fofocas. Pode ser pecado mortal ou apenas uma imperfeição menor, mas o seu coração precisa ser refinado, e refinado pelo fogo.

É por isso que Deus nos fez viver em comunidade. Você pode não ser capaz de ver o cisco no seu olho e não é assunto para todo mundo. Mas você deu para sua esposa a permissão de corrigi-lo e ajudá-lo a se tornar santo. E seus companheiros de quarto ou seu irmão ou as pessoas em seu grupo de estudo da Bíblia também podem ver algo em você, se você lhes der permissão para dizer alguma coisa.

Não é fácil ser desafiado. Mas é insensato tentar ir sozinho quando seus olhos são obscurecidos pelo pecado. Esta semana, estou orando para que Deus me ajude a enxergar como eu sou, e que Ele me mostre às pessoas que Ele colocou na minha vida para me desafiar e me corrigir. Então eu vou engolir meu orgulho e pedir-lhes: o que eu preciso mudar para me aproximar mais de Deus? Eu estou temendo isso, mas confio que este morrer para si mesmo será seguido – como sempre – por uma ressurreição.

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