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Redação da Aleteia

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Não importa se o meu bebê é saudável

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Como uma mãe cronicamente doente se aproxima do ultrassom de seu bebê com 20 semanas

 

Meu ultrassom de 20 semanas me deixou ansiosa. Queria saber se era menino ou menina, um bebê ou mais. Mas acima de tudo, estou animada para parar de usar “ele ou ela” sempre que falo sobre o meu bebê, e chamá-lo pelo nome.

Nós ignoramos o ultrassom de 8 semanas e os testes genéticos de 13 semanas, decididos desde o início que este era o nosso bebê para amar independente da saúde, e que iríamos enfrentar os desafios.

Muitos dos meus amigos e familiares também estão na fase da vida de ter um bebê e muitos falam uma frase que me irrita profundamente. Muitas vezes se intensifica em torno do ultrassom de 20 semanas e é parecida com isto: “Eu só quero que meu bebê seja saudável”.

Como uma pessoa doente (mas não por opção), encontro-me querendo defender a criança ainda não formada contra a ansiedade dos pais.

Desde minha adolescência, após uma cirurgia de escoliose que salvou a minha vida, sofro dor crônica generalizada e fadiga, e eventualmente câncer e uma tireoidectomia parcial. Estou intimamente familiarizada com a batalha pela saúde e nunca venci totalmente. Tendo lidado com a doença crônica por mais de uma dúzia de anos, às vezes eu duvidei da minha capacidade de viver com dor, por causa da pena e preocupação expressa pelos outros. Mas muitos também me encorajaram, falaram da minha força e despreocupadamente fizeram-me uma xícara de chá quando estava fraca demais para ficar de pé, dando-me força mental para administrar melhor, com mais paz.

Esforçar pela paz e resistência na doença ou lutar é um objetivo positivo e viável, mas desejar a saúde muitas vezes não é. O refrão “eu só quero que meu bebê seja saudável” nada mais é do que uma solene profissão de esperança dos pais, querendo o melhor para a vida que criaram, enquanto, ao mesmo tempo, admitem uma profunda falta de controle sobre a coisa toda.

A gravidez é uma das mais belas e misteriosas experiências humanas. Esta é a forma como acontece, com um coração menor batendo dentro do meu ventre, o corpo unido para formar uma pessoa completamente original e até então desconhecida, uma pessoa que é minha metade e metade do meu marido com todos esses genes recessivos de nossos antepassados. Eu pude responsavelmente tomar minhas vitaminas pré-natais e comer uma dieta saudável e equilibrada, mas eu não escolho que traços positivos ou negativos são repassados para o meu bebê.

É bom manter em mente esta relativa impotência sobre o desenvolvimento do nosso bebê. Isto pode ser aterrorizante, mas também pode ser libertador. O bebê formado em nosso ventre é o que nós temos, e o que deveríamos ter.

Embora eu saiba que eles falem com boas intenções, cada vez que ouço alguém dizer que “só quer que seu bebê seja saudável”, eu tenho vontade de arrancar os cabelos. Porque, por mais bem-intencionada que seja, por mais que ela só admita a impotência que sente, as implicações de colocar a mais alta prioridade na saúde pode implicar que de que uma criança doente é menos importante que uma saudável, que a vida da criança não valeria a pena viver e que a carga sobre os pais seria muito pesada para suportar.

Eu entendo e me preocupo com a saúde do meu bebê também.

A minha própria condição é indiscutivelmente relevante, pois afeta a minha capacidade de funcionar diariamente. Mas também me serviu como profunda gratidão e admiração sobre as pequenas coisas da vida… como a cremosidade doce do mel no pão. Uma mordida agradável é suficiente para aliviar a dor. Eu começo a conhecer o mel em toda a sua beleza enquanto minha mente viaja nos caminhos das abelhas e as notas florais dissolvem na minha língua. Se eu fosse saudável, eu não sei se essas coisas me dariam tanto prazer. Minha vida é alegre, e não triste. Então, quando caio na preocupação com a saúde do meu bebê, eu me lembro que eu estou perdendo meu tempo. Eu nunca iria querer tirar o mel do meu filho.

De todas as coisas que eu quero para o meu filho, eu não quero simplesmente que ele(a) seja saudável. Não me interpretem mal, eu amo esse dom para o meu bebê. E eu provavelmente serei uma mãe que terá a despensa cheia de remédios caseiros, porque eu não espero a saúde perfeita; talvez ele(a) tenha alergias ou um problema cardíaco ou escoliose ou dor crônica, como eu. E se não for nenhuma das opções acima, pode haver alguma doença, febre, infecções, crises de vômito, solidão, dificuldades para fazer amigos, ou fazer os amigos errados, problemas com matemática ou encontrar Deus. Eu não posso imaginar todos os possíveis sofrimentos que meu filho irá enfrentar.

É um instinto humano básico os pais protegerem seus filhos e garantirem a sua sobrevivência. Eu já amo meu bebê. E, em última análise, é isso que eu quero para o meu filho: que ele(a) saiba que é amado por Deus, família e amigos, e aprenda a amar os outros, e seja um ser humano virtuoso. Não importa se ele(a) não tem nenhuma doença, ou uma ou várias.

Uma vida sem dor não existe, e o sofrimento pode nos ensinar a empatia, admiração e gratidão. Isso nos dá espaço para crescer na virtude. Cada um de nós escolhe aceitar ou recusar essa oportunidade quando vem o sofrimento. Uma pequena criança não tem consciência ou capacidade de aprender com a dor ou a deficiência, mas o aprendizado vem em breve, e supera de longe a perfeição física.

Não podemos carregar as feridas dos nossos filhos por eles; só podemos apoiá-los, ensiná-los a ser bons, e dar-lhes o exemplo de que, mesmo sofrendo com as dificuldades que enfrentamos, estamos alegres. Embora eu possa ser tentada a desejar afastar as provações do meu filho que irá nascer, eu espero, em vez disso, ter a força para ajudar o meu filho a suportá-las.

Kathleen Torrey vive em Virginia com o marido. Mãe pela primeira vez, ela escreve sobre o catolicismo, mito, sofrimento e educação. Ela também está escrevendo um romance de conto de fadas e um livro de poesia.