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Prazer, Amélia!

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Este texto foi escrito com toda a consideração a tantas mulheres que gostariam de estar em casa, mas infelizmente não podem por questões financeiras

Por Nina Viana Almeida

O barulhinho do momento é a capa da revista da Veja sobre a Marcela Temer e o fato dela ter renunciado a vida pública e uma carreira promissora para cuidar do marido, do filho e ser “do lar”.

As reações foram as mais adversas, gente afirmando que a Veja estaria glamourizando as donas de casa impondo um modelo ideal, até inúmeras mulheres nos comentários afirmando que jamais trocariam a independência delas para ficar em casa sendo mais uma Amélia.

Esse assunto todo me fez recordar minhas próprias escolhas. Casei relativamente cedo, engravidei dois meses depois, abandonei um excelente trabalho para ser uma melhor ‘esposa, mãe e do lar’, deixei bem claro para meu esposo, na época meu noivo, quais eram minhas prioridades.

Eu trabalho desde cedo e trabalhava muito, com 9, 10 anos eu já acordava 4 da manhã para trabalhar com minha mãe, muitas vezes eu dormia 1, 2 horas da madrugada… com 11 anos fazia curso longe. Com 15 anos estudava 5 horas e trabalhava 8 horas por dia, de segunda a segunda. Tornei-me independente muito cedo. Trabalhar para mim não é e nunca foi um problema.

Larguei a graduação de design, pois não estava acrescentando nada a minha vida e não faço questão nenhuma de ter um título só de fachada, comecei eu mesma orientar meus estudos em casa e adquiri um conhecimento que nenhuma universidade poderia me proporcionar. Recusei excelentes propostas de trabalhos (ainda rejeito algumas) e posso dizer com toda certeza, sou muito realizada e tenho tudo que eu queria abaixo do Céu.

Eu não preciso ter uma carreira de destaque ou um reconhecimento social para me sentir valorizada, pois sou extremamente valorizada em casa. Não ganho o prêmio de funcionário do mês, mas eu assisti (e ensinei) o primeiro sorriso, o primeiro sentar, as primeiras engatinhadas, os primeiros passos, agora as primeiras palavras e este prêmio empresa nenhuma pode me dar. Faço questão de cuidar pessoalmente do meu filho e nunca delegaria espontaneamente o cuidado dele a terceiros, sejam parentes, creches ou professores.

Em qualquer empresa, por melhor que eu fosse profissionalmente e querida por meus superiores, sempre serei substituível, sempre. Uma prova disso é que já fui em todas as empresas que saí. Mas em casa o Bento jamais me substituirá como mãe e meu marido jamais me substituirá como esposa (não, não vai).

Se sou dependente do meu esposo? Claro que sou. E qual o problema disso? Afinal ele também é dependente de mim. Minha escolha foi certeira, eu me casei com um homem bom. Nossa dependência é mútua e consensual. Se fosse para casar e ser independente eu preferiria ficar solteira. A regra é clara: ou divide a vida inteira comigo ou nem entre no barco!

Se faço tarefas domésticas? Não apenas faço, mas faço com alegria. Já fiz faxina com um bebê no sling, grata a Deus por ter uma casa onde morar. Já cozinhei e lavei vasilhas com um bebê no colo, extremamente grata a Deus por ter o que comer. Já esfreguei roupa com uma mão, enquanto equilibrava o menino em outra, feliz por ter o que vestira. Já acordei cedo, já dormi tarde, já passei roupa de madrugada, muitas vezes no mesmo dia tudo isso, já fiz coisas que nunca achei que eu desse conta, nada disso me diminui, ao contrário, só me faz ver que sou muito mais forte e capaz que eu imaginei.

Apenas não entendo, parafraseando alguém que muito admiro, essa visão confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando ajudam seus maridos.

Então, sou Amélia e sou amiga de inúmeras outras amélias, advogadas, médicas, enfermeiras, biólogas, artistas, graduandas, pós-graduandas, doutoras… tantas e mais tantas mulheres que concluíram que o bem social que pode realizar cuidando dos seus filhos é imensamente maior que qualquer resultado que poderia obter profissionalmente.

Prazer, Amélia! Bela, recatada e do lar, graças a Deus!

Ps.: Esse texto foi escrito com toda a consideração a tantas mulheres que gostariam de estar em casa, mas infelizmente não podem por questões financeiras.

Ps2.: Talvez um dia eu trabalhe fora de casa, caso meus filhos não estejam criados, será por necessidade extrema.

 

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