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A Eucaristia é o que é. E ponto.

© Chema Cancellón

Gaudium Press - publicado em 10/05/16

Tripla dimensão: presença, sacrifício e alimento. Sempre foi. Sempre será.

Em sua tripla dimensão de presença, sacrifício e alimento, a Eucaristia é absolutamente central na vida da Igreja; sempre o foi e sempre o será.

São João Paulo II deu como título para sua encíclica sobre este sacramento Ecclesia de Eucharistia, que significa “a Igreja vive da Eucaristia”. Da Eucaristia que foi instituída pelo próprio Jesus Cristo na última ceia, e não da que imaginam ou reinventam alguns “teólogos” contemporâneos que buscam conquistar cidadania em certos ambientes católicos e eclesiais. São “originalidades” -na realidade tratam-se de erros crassos- que deformam e até destroem completamente a noção exata do mais sagrado que temos em nossa Igreja.

Esses erros estão impressos em obras… que se vendem em livrarias católicas! -por exemplo, livros de Anthony de Mello, de Leonardo Boff ou de José Antonio Pagola, autores heterodoxos que foram oportunamente sancionados pela Igreja. O veneno pode chegar inclusive a infectar os próprios seminários onde se formam os futuros sacerdotes, ministros ordinários da Eucaristia.

Em uma meditação recente, falávamos dos sacrilégios que se cometem, como são roubos de hóstias consagradas e profanações de sacrários. Estes fatos vandálicos os perpetram geralmente inimigos da Igreja, gente sem Fé.

Mas é preciso dizer que difundindo erros sobre a Eucaristia -o que muitas vezes é feito por pessoas que tem estudos e que praticam a religião- também a profana e se faz um dano talvez mais grave que a própria profanação do tesouro que guardam nossos tabernáculos, já que se instala nos fiéis uma dúvida, uma objeção ou até uma negação da Eucaristia.

Com o objetivo de fortalecer a Fé e de ajudar aos católicos a não ser vítimas desses desvios em voga, vamos citar e refutar sumariamente alguns dos erros que circulam sobre o mistério Eucarístico.

Um erro muito difundido é que a celebração da Missa não é muito diferente de uma ceia. É verdade que a Missa comporta o aspecto de banquete em vista da comunhão sacramental que se dá como alimento. Mas não se deve reduzir sua celebração a uma ceia ritual como o fazem os protestantes que, além disso, não acreditam na presença real. A Missa é a atualização do acontecimento do cenáculo e do Calvário que se faz presente sobre o altar para glorificar ao Pai e aplicar os méritos de Jesus Cristo aos participantes a Missa Perpétua o mistério Pascal de Cristo e está distantíssimo de ser uma simples ceia!

Outro erro lamentável é a equiparação simplista que alguns fazem da Eucaristia com o resto da criação: “Deus está em todas as partes… e também na hóstia consagrada. Toda a criação é o corpo de Cristo”, pensam. Definitivamente, isto não é assim; o Catecismo da Igreja Católica nos números 1373 ao 1381 expõem a doutrina da presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. A Eucaristia não é um símbolo nem um reflexo de Deus. É o mesmo Deus.

Há assim mesmo aqueles que sustentam que a presença real na Eucaristia dura enquanto está a assembleia reunida, durante a celebração da Missa. E criticam que se adore ao Santíssimo reservado no Sacrário ou exposto na custódia. “A Eucaristia foi instituída para ser alimento. Quando se comunga Jesus está presente; depois que acaba a Missa (a ceia…) não tem mais sentido sua permanência”, afirmam. Este é outro erro muito grave. A Igreja estabelece que as espécies consagradas se reservem e se adorem também fora da Missa porque Cristo permanece nelas enquanto não se degradem.

Apontemos, por fim, outro danoso equívoco. Uma pessoa poderia pensar: “Estou em pecado grave, mas tenho muito desejo de receber ao Senhor, isso me trará bênçãos; comungo e depois me confesso”. Cuidado! Ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1457): “(…) Quem tenha consciência de encontrar-se em pecado grave que não celebre a missa nem comungue o Corpo do Senhor sem acudir antes à confissão sacramental, a não ser que concorra um motivo grave e não haja possibilidade de confessar-se; e, neste caso, tenha presente que está obrigado a fazer um ato de contrição perfeita, que inclui o propósito de confessar-se quanto antes”. Então, a pauta “comungo e depois me confesso”, não é assim…

São Paulo diz em uma carta: “De maneira que qualquer um que comer deste pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, réu será do Corpo e do Sangue do Senhor. Portanto, examine-se a si mesmo o homem, e desta sorte coma daquele pão e beba daquele cálice. Porque quem o come, e bebe indignamente, traga e bebe sua própria condenação, não fazendo o devido discernimento do Corpo do Senhor” (1 Cor 11, 27-29).

Não deformemos a doutrina, nem o culto nem a reverência em relação à Santíssima Eucaristia. Recordemos a resposta de Javé a Moisés desde a sarça ardente: “Eu sou o que sou”, (Ex. 3, 14). A partir do seu sacramento de amor, Ele nos diz o mesmo. Porque a Eucaristia não é o que os homens decidem que seja para acomodá-la aos seus desejos, conveniências ou ideologias. Ela é o que invariavelmente ensinou a Igreja em todos os tempos, e ponto final.

_______________

Autor: Padre Rafael Ibarguren, EP

Artigo publicado originalmente em Opera Eucharistica.org e traduzido por Emílio Portugal Coutinho. Via Gaudium Press.

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