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Como lidar com as crises da síndrome do pânico

Superela - publicado em 16/05/16

Informações importantes para quem tem pânico (e para quem convive com quem sofre dessa síndrome)

No meu último post, “Tive medo de ter medo – Um relato sobre síndrome do pânico”, contei para vocês sobre como é sofrer disso, quais os sintomas mais comuns (existem vários), falei sobre como é o dia a dia de um paciente e, agora, quero falar sobre como é de fato ter essa doença. Chamo doença porque me deixava impossibilitada de fazer as coisas comuns do dia a dia, então, é doença. Mas, para a medicina, é transtorno. OK! Aproveito para enfatizar que não sou médica, sou apenas uma paciente contando como é a relação com o transtorno / doença. Além disso, vamos falar do tratamento também? Sim, vamos.

PARA OS PACIENTES

Então, vamos lá! Primeiro vamos falar como são as crises.

A crise não escolhe lugar. Sim, não escolhe lugar. Qualquer lugar é lugar. Para algumas pessoas, inclusive eu, bastava tentar sair de casa que começava a crise. Meu primeiro sintoma era o enjôo e depois o cansaço nas pernas e os outros vinham subsequentes.

Para outras pessoas, começa com a chamada fobia social, medo de estar no meio de outras pessoas. Assim como pegar transporte público também pode desencandear um crise. Enfim, para casa pessoa funciona de um jeito. Então, não julgue uma pessoa porque, do nada (nunca é do nada), ela começa a entrar em crise.

Quando começar a crise, o que eu faço? Não faça nada. É, não faça nada. Apenas espere acabar. O nosso maior problema é ficar lutando contra os sintomas na hora em que eles estão em ebulição. Não podemos vencê-los naquele momento, mas podemos deixá-los com menos poder ao não enfrentá-los durante aqueles minutos de crise. Há quem consiga diminuir os sintomas com exercícios de respiração e assim deixar a crise menos intensa. Eu nunca consegui fazer isso, mas quem conseguir, por favor, conta pra mim como se faz.

Posso ter um ataque cardíaco durante uma crise? Não se sabe de nenhum caso como esse. Por mais que os batimentos cardíacos fiquem acelerados, a não ser que você já sofra de problema de coração, você não terá um ataque fulminante.

Não compare sua crise com de outras pessoas. É, a gente tem a péssima mania de nos compararmos. Durante uma crise, cada pessoa reage de um jeito. Alguns sintomas são bem comuns, mas há quem tenha outros e isso não quer dizer que sentem mais ou menos. Ter Síndrome do Pânico é infernal em qualquer estágio, não existe mais ou menos.

Posso morrer durante uma crise? Você pode morrer de qualquer coisa, mas dizer que irá morrer com os sintomas de pânico não. Fique calmo! Eles duram em torno de 40 minutos. Dificilmente mais que isso. Lembro que a minha crise mais forte durou uns 40 minutos, mas as demais eram de, no máximo, 30 minutos. Depois parava. Era cansativo, exaustivo. Eu sentia como se tivesse corrido uma maratona de tanto cansaço físico.

PARA NÃO-PACIENTES

Primeira coisa de tudo: PARE DE JULGAR. PARE! Você, não-paciente, apenas ajude quem precise ao invés de meter seu dedo na ferida alheia. Quando fui diagnosticada de verdade com a síndrome do pânico, ouvi de tudo. Desde que eu tinha doença de rico até que eu precisava ser forte e tirar essas coisas da minha cabeça. NÃO É ASSIM QUE FUNCIONA!

Infelizmente não temos um botão de liga e desliga. Não conseguimos deter algo que vem de dentro de nós, talvez durante o tempo, isso aconteça. Mas, para quem descobriu a doença há pouco tempo, raramente se tem controle sobre uma crise, sobre os sintomas. Há pessoas que têm crises há anos e até hoje não tem controle sobre nada. Por que não se trata de controle e, sim, autoconhecimento.

É horrível quando você que não passa pela nossa dor, diz que nosso sofrimento é fingimento, é falta de Deus, é falta de fé, é coisa de gente fraca, é coisa de gente que não sabe lidar com os próprios problemas. Você causa ainda mais sofrimento para quem estar tendo que lidar com a doença.

Você conhece uma pessoa que tem síndrome do pânico? Ela está tendo uma ao seu lado? – Pegue água gelada e derrame na sua nuca. – Leve-a para um lugar com circulação de ar. – Não fique pedindo para ela se acalmar, isso piora tudo. – Pegue suas mãos suadas (as mãos suam muito) e diga que vai ficar tudo bem. – Abrace, se julgar necessário. Aquele momento de crise é quando achamos que vamos morrer então qualquer atitude que nos mostre o contrário, faz com que os sintomas diminuam.

Quando era comigo – Eu não podia ver multidão que já passava mal. Normalmente eu cobria o rosto para não ver ninguém e não conseguia falar. Ficava imóvel e sem fala. Ali era meu momento de desligar do mundo até os sintomas sumirem.

TRATAMENTO

O começo do meu tratamento foi direto com antidepressivo. Eu estava no auge de crises diárias e já não tinha condições de ter uma vida social. Tive que ir às pressas para uma emergência psiquiátrica e daí já comecei o processo de diminuição desses sintomas.

Para mim, foi um período cruel. Talvez por causa disso muita gente desista, porque cada organismo reage de um jeito aos efeitos colaterais de cada medicamento e esse período de adaptação é dolorido. Não foi fácil para mim, senti fortes efeitos colaterais por uns 20 dias. Depois passou.

Para quem decidiu procurar psiquiatra, é importante lembrar que você deve conversar e se sentir seguro com quem está lhe atendendo. Se você não confia que aquele profissional pode te ajudar, então o processo de recuperação se torna ainda mais dolorido e longo. O mesmo vale para o psicólogo que for te atender, estabelecer uma relação de confiança com esses médicos é algo super importante. É dali que sairá seu passaporte para voltar a viver já que durante as várias crises, é quase impossível ter uma vida social.

Há quem opte por tratamentos alternativos e isso não é errado. O importante é você procurar ajuda ao invés de ficar sofrendo e sem buscar solução para o problema. Se você optou por esses tratamentos, é outra relação de confiança e disciplina. Não tem como haver melhora se não houve comprometimento com seu tratamento.

Ao final disso tudo, eu só peço: não desista de você.

(via Superela)

Tags:
DepressãoSaúde
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