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Estado Islâmico multiplica ataques sangrentos em Bagdá

Agências de Notícias - publicado em 19/05/16

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou a responsabilidade por vários ataques sangrentos em Bagdá nos últimos dias para mostrar que segue forte apesar das derrotas sofridas para as forças iraquianas no norte e oeste do país, afirmam os especialistas.

Pelo menos 94 pessoas foram mortas em três atentados com carros-bomba em 11 de maio, e mais 48 pessoas foram mortas na terça-feira em uma série de explosões.

No total, em uma semana, mais de 150 pessoas, a maioria civis, morreram na capital iraquiana em ataques indiscriminados em áreas predominantemente xiitas, reivindicados pelo EI.

“Hoje Bagdá é o centro das atenções, porque o grupo está na defensiva”, mas “ainda pode atingir o poder no coração da capital”, afirma Patrick Skinner, especialista do Soufan Group.

Para o coronel Steve Warren, porta-voz das operações da coligação internacional contra o EI, este aumento dos ataques é explicado pelo recuo no campo de batalha e pela vontade do EI de “tirar proveito das tensões políticas na capital”.

Estes ataques ocorrem quando o país é abalado por uma grave crise política, que perturba o funcionamento das instituições. O primeiro-ministro, Haider al Abadi, não consegue impor um novo governo de tecnocratas, ao qual se opõem os partidos que temem perder seus privilégios.

“É uma confluência sangrenta”, ressalta Skinner. “A grande pressão militar junto com a crise política pode provocar um enorme caos”, adverte.

Nos últimos meses, o EI perdeu terreno no Iraque, onde havia estabelecido o controle em diversas áreas a parti de 2014. As forças iraquiana recuperaram, com o apoio dos bombardeios da coalizão internacional, o controle de várias cidades, como Tikrit e Ramadi, respectivamente no norte e no oeste de Bagdá.

Falhas na segurança

A capacidade do EI para realizar ataques em bairros xiitas em pleno centro de Bagdá coloca em evidência os problemas da segurança, incapaz de impedir o movimento de combatentes jihadistas, explosivos e armas.

Também é questionado a eficácia dos postos de controle localizados nas principais rotas em torno da capital, que causam grandes engarrafamentos. O controle de documentos de identidade e registro de veículos é realizado superficialmente.

As forças de segurança continuam a utilizar detectores de explosivos que não funcionam. O homem que vendeu o material para o Estado em 2000, James McCormick, foi condenado por fraude a 10 anos de prisão em 2013, em Londres.

Além disso, soldados e policiais seguem sem preparação para reagir em caso de emergência, como quando há ataques.

Suas armas, por exemplo, são muitas vezes fora do alcance quando ocorrem ataques.

Os fracassos dentro das forças iraquianas vieram à tona quando eles foram incapazes de resistir à ofensiva lançada pelo EI em 2014.

Os jihadistas conseguiram assumir com facilidade o controle da segunda maior cidade do país, Mossul, no norte do país.

A coalizão contra os jihadistas liderada pelos Estados Unidos tem treinado desde então 22.000 membros das forças de segurança iraquianas. As tropas são especialmente preparadas para conduzir operações para recuperar os territórios perdidos.

De acordo com Warren e o porta-voz do ministério da Defesa iraquiano, Yahya Rasool, estas forças treinadas pela coalizão não estão implantadas em Bagdá.

Os últimos ataques na capital causaram espanto na população, frente a inação das autoridades. Dezenas de pessoas se manifestaram no local do ataque mortal de 11 de maio, perto de um mercado.

Esta situação aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro, que na terça-feira ordenou a prisão de um responsável da segurança da zona de Shaab, no norte de Bagdá, onde um outro ataque foi perpetrado.

Mas, segundo os especialistas, mudanças mais radicais seriam necessárias para restaurar a segurança em Bagdá.

(AFP)

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