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Querida Cecília: a história de um artista católico hip-hop

Nick “Dy-Verse” Torres - publicado em 25/05/16

Control

Para marcar seis meses de Cecilia, trazemos-lhe nossa primeira “Querida Cecilia”, uma forma de nossos artistas e fãs se conectarem. São cartas abertas: uma oportunidade para os artistas compartilharem sua história, para os amantes da música compartilharem uma canção inspiradora…

Nossa primeira letra vem de um dos nossos artistas, Nick “Dy-Verse” Torres:

Querida Cecilia,

Foi-me dada a difícil tarefa de escrever um pouco sobre a minha vida à luz da música que faço e a fé católica que professo. Uma tarefa humilhante, devo admitir, porque ao contrário de muitos dos que estão lendo este artigo, eu nem sempre tive um estilo de vida católico virtuoso, neste meu curto espaço na terra. Talvez seja por isso que me relaciono com aqueles que não têm, por falta de melhores palavras, encaixe no molde da Igreja. Agora eu digo isto com amor e apreço por aqueles que têm: se não fosse por você, eu não estaria onde estou.

Para lhe dar um contexto, eu nasci em Bogotá, Colômbia, em 1991. Uma época que marcou a queda de um dos maiores traficantes de drogas do mundo, Pablo Escobar; um tempo muito turbulento e vazio de paz. Apesar da violência, as pessoas foram marcadas pela sua história católica e práticas devotas na fé.

A situação financeira e a busca de oportunidades trouxe minha família para uma pequena cidade perto de Palm Beach, Flórida. É onde eu comecei um “caso de amor” com um gênero de música chamado hip-hop, devido à popularidade que ressoou com os marginalizados.

Minha vida familiar era pacífica enquanto meus pais perseveraram pelos altos e baixos da vida conjugal no meio de uma transição enorme: cultural, econômica e a dificuldade de estar longe de suas famílias. Nossa fé católica foi alimentada no meio de circunstâncias perturbadoras, e continuamos combatendo o bom combate, permanecendo perto de nossa comunidade paroquial local.

Apesar de fundações firmes na fé, comecei a me rebelar da minha maneira. Minhas feridas de infância foram ampliadas e refletidas nas letras que eu escutava dia após dia, alimentando o medo e o ódio devido ao racismo e um forte sentimento anti-imigrante. Além disso, quando a violência não era o tema, a promiscuidade sexual era o assunto da música, e o pequeno menino curioso que eu era ficou intrigado. Durante este período, comecei a produzir e escrever minhas próprias músicas. Meu desejado estilo de vida – porque eu não posso dizer que estava realmente vivendo como meus modelos – foi, então, refletido na música.

Meu talento era perceptível e eu continuei a trabalhar no refinamento das minhas habilidades. Aos 16 anos, me encontrei com um rapper que foi destaque em nossa estação de rádio local, e, inspirado pelo nosso encontro, comecei a levar meus sonhos de música para o próximo nível. Na mesma época, conheci outro artista local, cuja mensagem era diferente. Ele passou por Rashad, e a compilação de músicas dele me convenceu a comprar o “Words of Power”. Ouvi toda a compilação do início ao fim e repeti algumas vezes. Sua mensagem foi uma rebelião: a rebelião de um gênero que promoveu armas, violência e objetificação das mulheres. Ele queria levantar as pessoas com a sua mensagem e promover o bem. Embora sua música não tenha sido identificada como cristã (alguns palavrões aqui e ali), suas palavras me afetaram poderosamente e aproximaram meu coração da fé e perspectiva cristã.

Ao entrar para a faculdade, eu aprendi rapidamente que o caminho que havia escolhido para a minha vida pessoal estava levando ao desespero e depressão, em vez do verdadeiro prazer e satisfação que eu estava procurando. Comecei renunciando meus “velhos hábitos” com a inspiração de alguns dos meus amigos cristãos, as orações de minha família, e com a ajuda de uma comunidade de jovens adultos na Igreja católica do meu campus.

Eu devorei a doutrina da Igreja e sua história, a missa diária tornou-se parte da minha rotina e eu não deixava meu terço sozinho. Era como se todo o tempo que eu tinha perdido estivesse sendo recuperado em meses. Meu despertar espiritual não foi escondido da minha música. Eu rapidamente tornei-me familiarizado com a cena hip-hop cristã, e minha biblioteca do iTunes rapidamente mudou de álbuns do Ludacris e Marshall Mathers (Eminem) para os álbuns do Lecrae e Matt Maher. Meu estilo de vida mudou drasticamente e comecei a afastar alguns dos amigos que eu ainda tinha a despeito das minhas pobres escolhas. Percebi que meus sonhos e aspirações de se tornar um músico em tempo integral não seria tão provável, já que eu não estava fazendo rap sobre a cultura popular, em vez disso, falava sobre a importância de orar, ir à missa, aprender sobre fé e guerra espiritual. Além disso, os artistas de hip-hop cristão que eu estava ouvindo não tocavam no mesmo assunto de Matt Maher e, na maioria das vezes, eu não tinha ouvido falar de quaisquer outros artistas católicos nesse ponto além dele.

No entanto, eu aprendi rapidamente que havia outros como eu.

Um dos líderes do estudo da Bíblia na minha paróquia local me apresentou a um subconjunto de artistas cristãos de hip-hop. Estes artistas de hip-hop eram da fé católica e proclamavam sua fé corajosamente. A música deles pode ser encontrada em um site chamado Phatmass. A declaração de missão no site diz tudo:

Com a ortodoxia, caridade e humildade, Phatmass vai infiltrar todo o planeta Terra com a propaganda católica. O “phat” em phatmass significa “Preaching Holy Apostolic Truth (Pregação da Verdade Santa Apostólica)”. Fundada no ano de 2000, somos uma comunidade online, presente na mídia social, fabricante de declaração ousada e autêntica entidade de produção de hip-hop.

Eu escrevi para o fundador do site, dUSt, e gostei do estilo. Comecei a conectar-me com outros artistas no site, e encontrei-me começando um grupo de hip-hop com dois dos artistas, Le e C2six. Nós chamamos de grupo FoundNation; ecoando a parábola do filho pródigo no Evangelho de Lucas, “estava perdido e foi encontrado”. Quando começamos a trabalhar no álbum, encontramos um produtor e cantor, Separate M1nd, que completou o grupo. Logo depois, um frade franciscano, Fr. Masseo Gonzales, foi apresentado a nossa música e projeto, e ele começou a investir no grupo, tanto administrativamente, quanto espiritual e financeiramente através da organização sem fins lucrativos que ele fundou, El Padrecito Ministries, que visa a utilização de programas de desempenho de artes e da música como uma forma de divulgação para o interior da cidade e para os jovens marginalizados. Nossas missões alinhadas, e desde então viajou e compartilhou nossa música e vídeos com a juventude.

Ao longo de performances e oportunidades, tenho procurado construir relacionamentos com outros artistas, dentro e fora da fé católica. Eu tive um breve encontro com a grande comunidade da música, Love Good Music, dirigido por Jimmy Mitchell, quando me apresentei ao lado de vários artistas no Rocketown de Nashville. Lá eu conheci um incrível jovem artista com o nome de Samuel Knight, que tem contribuído grandemente para alguns singles que eu tive o prazer de escrever e produzir. Em 2012, recebi um convite para participar da gravação ao vivo de um concerto do pop-star colombiano Juanes, que será exibido pela MTV Tres (a MTV Latina). Este convite surgiu através da apresentação para um concurso do canal, no qual o prêmio seria uma oportunidade de cantar ao lado de Juanes na gravação ao vivo de seu show. Minha versão do rap “A Dios Le Pido” (A Deus Eu Peço), um dos maiores sucessos de Juanes, foi recebido com grande resposta. Apesar de não se classificar para a competição, a equipe de produção, Juanes e o produtor Juan Luis Guerra, aplaudiram meu trabalho e me convidaram para participar.

Depois de me formar, oportunidades como estas me deram a coragem para prosseguir com a música e ministério em tempo integral. No entanto, em um pequeno período de 10 meses de busca, embora frutífero, provou ser o caminho errado e comecei a trabalhar em outros lugares pouco depois. Como artista, eu continuei a desenvolver a minha arte, enquanto equilibrava uma vida de trabalho, escola e família. Eu falo a partir da perspectiva de um jovem adulto que de todo o coração procura viver uma fé católica e uma visão de mundo em todos os aspectos da vida, buscando santidade através dos sacramentos, oração e aplicação dos ensinamentos da Igreja, no meio de meus próprios pecados e fraquezas.

As mensagens, embora provenientes da fé, certamente não se limitam a uma aula de catecismo na escola dominical em forma de rap, mas certamente são alimentadas por esses ensinamentos. Assim, embora a minha música não seja para a liturgia, o seu papel é importante na promulgação de um estilo de vida que se molda nos princípios do catolicismo. Porque eu sei o quanto este gênero me afetou e em minhas viagens vi o quanto os jovens são atraídos por ele. Acredito que viver o catolicismo e expressar a minha vida através dessas batidas e rimas, outros serão afetados e verão um caminho diferente. Rezo pedindo ao Espírito Santo para me guiar, e estes artistas com quem trabalho, eu rezo para que as mensagens plantadas semeiem para que outros possam encontrar Cristo e Sua Mãe em todos os aspectos de suas vidas, em misericórdia e graça.

Ad Majorem Dei Gloriam,

Nick “Dy-Verse” Torres

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