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Sou casada com um viciado em vídeo game

Sarah Fadian - publicado em 27/05/16

Quase imediatamente após a nossa lua de mel, eu descobri um homem que estava constante e compulsivamente ligado ao seu Xbox ou computador

Sou casada com um viciado em vídeo game. Eu nunca fui capaz de dizer essas palavras em voz alta e agora que estou escrevendo, luto contra a vontade de apertar o botão “delete”. Não, eu não sou casada com um adolescente; sou casada com um homem de meia-idade, e durante o curso do nosso casamento de uma década e meia, eu guardei esse segredo bem escondido.

O vício não era evidente para mim enquanto estávamos namorando. Eu o conhecia há anos e não houve sinais que apontassem para negligência no trabalho ou na vida social. No entanto, quase imediatamente após a nossa lua de mel, eu descobri um homem que era constante e compulsivamente ligado ao seu Xbox ou computador. Meus pedidos para que ele me acompanhasse até a cama foram ignorados enquanto ele jogava durante a noite, e eu estava esmagada, como a minha emoção por finalmente viver com minha alma gêmea, que foi substituída pela solidão, confusão e isolamento. Não surpreendente, durante os primeiros seis meses de casamento eu estava cheia de pavores noturnos, uma ansiedade que eu nunca tinha conhecido antes, e eu desenvolvi dificuldade para dormir.

Eu sei que existem pessoas que não acreditam em vício em vídeo game. No entanto, muitos estudos comparam os atributos de outros tipos de viciados com aqueles que jogam vídeo game excessivamente: a compulsão, a necessidade de fugir da realidade, o isolamento, fracasso no emprego e casamento, problemas de saúde, depressão.

Eu sei que não estou sozinha. De acordo com um artigo publicado no American Journal of Preventive Medicine em 2009, a idade média do entusiasmo em um vídeo game é 35 anos. A internet está cheia de salas de bate-papo para “viúvas de jogos” e programas de recuperação para jogadores de vídeo game.

A realidade é que estou vivendo no mesmo círculo de vergonha e loucura de alguém casada com um alcoólatra. Se nós temos que comparecer a eventos sociais ou temos obrigações familiares, como aniversários ou passeios, e demora muito, meu marido fica irritado e ansioso, desesperado para voltar ao campo de batalha. Estou constantemente pedindo desculpas por ele ir dirigindo outro carro e sair mais cedo, ou mais frequente, por ele não aparecer.

Meu tempo em casa inclui todas as tarefas domésticas, e eu sou a única responsável pelo banho, colocar para dormir, arrumar o lanche e todas as obrigações de uma casa cheia de crianças. Quando meus filhos eram mais jovens, eu ficava desconfortável de sair de casa, porque quando voltava encontrava-os sem supervisão, enquanto meu marido, usando fones de ouvido, estava encantado com uma missão. Eu orei, eu implorei, eu negociei.

Alguns podem me perguntar por que eu continuo. Eu continuo porque eu disse que faria. Eu estava em um altar e disse na doença e na saúde. Eu não sou realmente tão diferente de você. Você pode viver com um viciado em trabalho, um alcoólatra etc. Todos temos as nossas cruzes.

Em algum lugar entre perdendo a cabeça e viver em negação, optei por aceitar minha situação e não deixar que as falhas do meu marido tirassem a minha vida também. Tomei o controle do que eu podia controlar: a minha própria felicidade. Eu descobri novos interesses, comecei a correr e praticar esportes, e encontrei alegria em passeios divertidos com os meus filhos para que eu não perca o que eles fazem – os pequenos e simples momentos que tornam a vida fabulosa. E com isso, descobri que eu tenho a maior arma para dúvida e miséria: a minha fé.

Porque com fé, vem a esperança. Esperança para a mudança, esperança para o renascimento. A cada dia que amanhece entrego minha família para a Mãe de Deus e peço a força e perseverança de Santa Mônica. Embora muitas vezes considerada à luz na conversão de seu filho rebelde, Santo Agostinho, Santa Mônica vivia com um marido instável e infiel. Suas orações por ele eram implacáveis, e eventualmente, bem sucedidas, já que ele se converteu em seu leito de morte. Devido a isso a Igreja deu a ela o título de santa padroeira dos casamentos difíceis. Ela é a padroeira do meu casamento também.

Amo o meu marido. Minha vida não é privada de momentos de alegria. Através da fidelidade e oração, Deus continua a nos abençoar. A minha mensagem para aquelas de vocês em situações semelhantes é a esperança. Porque o nosso Deus é um Deus bom e fiel, e ele pode mudar o mais duro dos corações e nunca pode ser superado em sua generosidade.

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CasamentomaridoRelacionamentoVícios
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