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Deixe a sua fé aparecer! Deixe a sua luz resplandecer diante dos homens!

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"O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más"

Nós, cristãos, cremos em Deus, em Jesus Cristo e no Espírito Santo. A fé na Santíssima Trindade ilumina a nossa vida, em um processo em que aquilo que temos em nós de obscuro e distorcido será, de maneira crescente, purificado. Jesus diz, no Evangelho de João (3, 19): “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más”. Há um dado interessante e importante a se considerar sobre a luz. O fato de que ela aparece. Além de purificar, aparece: mesmo para aqueles que têm os olhos fechados; mesmo para os cegos; como um clarão. Há como escolher e amar mais as trevas: é o que faz a grande maioria do mundo humano. Há como reagir mal à percepção da luz – persegui-la, prendê-la, crucificá-la. Mas não há como não perceber a luz.

A luz, então, quando realmente presente, pode ser notada por todos, mesmo pelos que vivem na escuridão. Isso quer dizer que crer, ter conosco a presença da fé em Deus, que é luz, implica que a luz apareça em nós, através de nós, até a possibilidade de resplandecermos com ela. Somos, então, sentidos e percebidos pelos nossos próximos, como pessoas em que a luz está (em algum nível) presente, que estão em um processo de acolher a luz divina; a iluminação da fé.

Esta é uma introdução para dizer o seguinte: dependendo dos laços que mantemos no mundo não-crente ou descrente – ou que mantivemos, no passado, para falar de um processo de conversão – o modo como a presença de Deus e da fé aparece em nossas vidas pode ser uma questão para nós, se considerarmos, com alguma preocupação, como vamos aparecer para os outros, por aqueles que não compartilham ou não compreendem os caminhos da fé.

A questão, então, é: o quanto eu mostro que tenho comigo a fé? O quanto eu expresso, o quanto eu afirmo que acredito? Quando, e de que forma, seria importante mostrar, expressar, afirmar – deixar isso aparecer para o mundo ao meu redor com firmeza e contorno claro, ressurgindo no mundo como figura de fé plenamente destacada do fundo descrente da nossa sociedade? E quando isso não seria, de fato, uma necessidade?

Por um lado, a discrição na fé tem uma qualidade positiva, se é avaliada como o contrário de uma postura exibicionista, que Jesus condena, pois pode ser apenas “postura”, artificial, não significando que há de fato fé e graça, no interior, contato íntimo e verdadeiro com Deus – mas apenas encenação, ou mesmo hipocrisia. “E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.” (Mateus 6,5-6).

Por outro lado, no mundo atual, como vivemos em uma sociedade globalmente estruturada na descrença, é preciso perceber se não estamos às vezes guardando uma expressão mais afirmativa da nossa fé, que recaracterize mais plenamente as nossas vidas como vidas de fé – de modo que isso apareça mais e mais nas nossas atitudes, falas e relações – especificamente para que não sejamos, então, percebidos pelos descrentes ao nosso redor e mal avaliados por eles, com seus preconceitos rígidos e distorções sobre a fé e a religião Cristã.

São Pedro, em sua segunda epístola, já anunciava – logo após o nascimento do Cristianismo – que os falsos mestres, que fariam dos fiéis um comércio, tornariam “mal falado”, blasfemado, o caminho da verdade. Daí que muitos, ao adentrarem o caminho da verdade, podem ter o receio de serem, também, mal falados, mal vistos, mal interpretados.

Se um receio do tipo surge, na vida de um cristão, acredito que precisamos mesmo da afirmação mais plena da fé: isto é, precisamos buscar esta afirmação como buscamos e nos abrimos à própria fé… Torna-se fundamental que a fé, de uma dimensão espiritual, tome corpo, para que o nosso espírito realimentado pelo seu Criador reanime plenamente o nosso corpo, nos dando vida e fazendo da nossa fé frutífera em obras e transformações. Pois, se a guardamos, mesmo que um pouco – por conta de elementos externos à fé, que não se comunicam harmoniosamente com os preceitos e forças de crença que temos em nós – é como se deixássemos (ainda que a contragosto) menos espaço em nós, corpo e espírito, para Deus se manifestar mais amplamente em nossas vidas, pois estaríamos nos contraindo, nos fechando.

O nascimento da fé em nosso íntimo, seu desenvolvimento, e o seu resplandecer de nós para fora, aos olhos dos outros, é uma e mesma coisa: um e mesmo processo. Podemos amar muito a Deus, mas se nos escondemos do olhar daqueles que não amam a Deus, podemos, nesse mesmo movimento, correr o risco de estarmos nos fechando também a Deus. Aceitando-O, isto é, aceitando a Sua ação sobre nós, apenas parcialmente, com uma disponibilidade que se tornaria parcial, e não integral.

A essência dessa postura já está colocada nos Evangelhos, com a negação por Pedro, três vezes, de que era apóstolo de Jesus, durante a paixão de Cristo, negação que havia sido profetizada pelo próprio Cristo. Se todo este mundo está se organizando, massivamente, para crucificar o Cristo, talvez seja melhor, mais seguro – pensa o apóstolo Pedro, pré-ressurreição, que pode estar em nós – disfarçar-me como não sendo discípulo de Cristo.

Com o aprendizado que vem dessa experiência, da negação, a necessidade de afirmar plenamente a fé no Cristo está colocada também, de modo poderoso, em todos os relatos sobre a vida e a morte dos mártires cristãos dos primeiros séculos, que, diante da possibilidade de salvarem suas vidas caso dissessem “não” – negando que eram Cristãos – diziam “sim”, com todo seu espírito, mesmo que o preço fosse a morte. Inclusive, Pedro… E essa realidade ainda é plena para todo cristão, mesmo hoje, tanto em alguns lugares no Oriente, em que a perseguição é direta e ainda resulta em prisões e mortes, quanto no Ocidente, em que essa realidade ganha outros contornos.

“Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo Evangelho salvá-la-á!” (Marcos 8,35).

Daí que ter Cristo só no íntimo, mas, no momento de afirmá-lo externamente, dizer “não” ou “talvez”, para resguardar ainda algo, seja o que for, na socialização pecadora, não é, ainda, a plenitude do ser Cristão: não é encontrar-se num estado de espírito que possa, já, passar pelas radicais transformações de cura e de entrega à vida que a relação com Cristo pode nos trazer. Se dizemos “não” – ou se, em vez disso, deixamos de dizer “sim” – quando interpelados pelo mundo, é como se ainda resistíssemos em sermos canais do Evangelho, das boas-novas das quais nosso mundo tanto necessita. Como se resistíssemos, ainda, em nos afirmar como partes íntegras da nova Aliança, membros presentes do Corpo de Cristo, do Povo de Deus, e assim, mesmo que a contragosto e indiretamente, colaborássemos com a manutenção do projeto do anjo caído para o mundo humano: manter esta espécie fora do Paraíso, tê-la como seu rebanho, sob o seu “poder”, primeiramente através da descrença e do ceticismo, mas em seguida também das dúvidas, das hesitações de entrega em relação a Deus, ao Cristo e à sua Igreja, assim como da preocupação com o olhar da sociedade descrente sobre a sua fé.

O amor de Cristo pede que confessemos, que professemos a fé que temos n’Ele, com integral disposição. Esse confessar pode ser veemente, acompanhando a força e a certeza, assim como a alegria, da fé, e logo poderá ser visto. Mas não deverá ser um ato teatralizado, feito apenas para ser visto: se o é, nos lembra aquela advertência inicial de Cristo sobre os hipócritas. Muitos poderão, inclusive, gritar o seu nome Sagrado muitas vezes, mas por causas que, no mundo, negam mesmo o seu Espírito, não tendo verdadeiramente a sua Luz na essência, mas escuridão.

Trata-se, certamente, aqui, de afirmar com mais plenitude a nossa vida na fé: de preparar-se para o momento em que seremos capazes de responder à fé com toda a nossa vida, amar a Deus e ao próximo com toda a nossa presença – ou com toda a nossa docilidade e abertura à ação do Espírito Santo em nós – e permitir que, inevitavelmente, isso apareça externamente como houver de aparecer, em ações, falas e posturas. Devemos confiar que a luz divina, quando se manifesta em nós com mais plenitude, resplandece com a mesma força no mundo, através de nós, podendo atingir até mesmo a descrença que possa haver ao nosso redor, em outros, sejam estes próximos ou não. A presença de Deus sempre clarifica as coisas e as situações.

A descrença e o ceticismo arrogante que podemos observar no mundo atual, podem ser, às vezes, opressores – e como a descrença tem como consequência o endurecimento das pessoas, estas, então, não querem ver a crença. Oprimem, ou querem oprimir, as manifestações da genuína fé, pois esta os ameaçam. Se estão fechados à luz, ver a luz é algo de ameaçador, pois é um possível convite à abertura, à expansão do espírito no caminho da entrega à Vida, que não querem genuinamente viver com o amor que ela pede, pois estão aliados à morte. Isso que se quer dizer com a expressão: “Como o diabo fosse da Cruz”. Assim fogem – todos aqueles que estão apaixonados pelas distorções deste mundo – das manifestações claras do reino de Deus.

A conclusão que podemos tirar a respeito do assunto, é: não devemos fazer as coisas para sermos vistos; isso nos distancia da fé. Se fazemos algo para sermos vistos, com esse objetivo, nos separamos da verdade do Espírito. O Espírito faz e faz-se presente, sem que seja uma questão o ser visto ou não ser visto. Deus é Aquele que É, e assim também são as suas manifestações no mundo: apenas São.

Portanto, se não devemos fazer as coisas para sermos vistos, de maneira complementar, tampouco devemos fazer as coisas para não sermos vistos: isso também pode nos separar da plenitude da fé. Surge então a nítida consequência de que, tendo esta plenitude, mesmo com a discrição saudável que dispensa o cerimonialismo exibicionista, torna-se impossível não ser notado em sua prática de fé, não ter a luz que te preenche e transborda (em movimento de Amor) percebida por outros.

Não fazer nada para ser visto, não fazer nada para não ser visto. Mas aceitar, numa vida integrada com a fé, que a presença do Espírito, quando aparecer e se manifestar ativamente, seja ou não seja vista. O Espírito que te inspira e se faz visivelmente presente em sua vida, assim, poderá inspirar a outros, ou não. Mas estará Presente, e isto, por isto mesmo, já é a Inspiração de que o mundo necessita.

Além disso, se nós, Cristãos, nos ancoramos e nos expressamos mais firmemente no mundo através de nossa crença em Jesus Cristo, com uma fé que nos transforma e que se realiza, uma das consequências imediatas é que afastamos a opressão que possa vir dos descrentes. Se a Luz de Deus estiver presente em nós mesmos, não poderá haver qualquer real ameaça vinda do mundo, mesmo dos olhares mais escuros, pois, o contrário pode ser verdadeiro, mas a escuridão não é ameaça para a Luz.

“Vós sois a luz do mundo. Uma cidade edificada sobre um monte não pode se esconder. Nem se acende uma vela e se a coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim, deixai resplandecer a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5,12-16).