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Eles estão entre nós – e nós mal os conhecemos

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Quem são, afinal, os cristãos maronitas que vivem na América Latina?

Dos 13 milhões de cristãos maronitas dispersos pelo mundo, 8,9 milhões estão na América Latina – só no Brasil, vivem 5,8 milhões deles.

A América Latina se tornou terra de esperança para esses imigrantes do Oriente Próximo. Recentemente, o papa Francisco confiou a Fadi Bou Chebel, sacerdote maronita de origem libanesa, a missão de construir uma diocese em Bogotá, na Colômbia, para a comunidade síria, libanesa e palestina. Em recente visita ao Equador, o sacerdote pediu orações pelas vítimas do terremoto que atingiu o país no último dia 16 de abril: “Estou muito emocionado. Dou graças a Deus porque a nossa coletividade não ficou fechada, mas se abriu ao país que a recebeu; esta comunidade fez o bem à sociedade equatoriana; isso faz parte da nossa missão”.

Mas quem são os cristãos maronitas?

A denominação se deve a São Maron, monge e grande defensor da fé católica. Ele viveu nas proximidades de Antioquia no século IV, conviveu com outros santos célebres, como Basílio e Crisóstomo, e se retirou a uma região isolada e montanhosa, onde formou uma comunidade de fiéis que ficaram conhecidos, precisamente, como maronitas.

Depois da morte do santo, seus discípulos cresceram em número e formaram o Convento de São Maron, cujos membros, por volta do ano de 510, sofreram perseguição por parte de facções que não aceitavam a doutrina definida no Concílio de Calcedônia. Houve mártires.

Com o passar dos anos, fiéis do patriarcado de Antioquia tiveram que fugir para os vales do Líbano, formando ali a Igreja maronita. À sua frente estava São João Maron, o primeiro patriarca maronita e de todo o Oriente.

Foi só no século XVI que os maronitas se integraram à Igreja católica, com a qual se mantêm até hoje em comunhão. Seu patriarca atual é o cardeal Nasrala Butros Sfeir.

Os cristãos maronitas celebram o rito oriental, de grande riqueza e com tradição que remonta à espiritualidade dos primeiros padres da Igreja, a espiritualidade do ascetismo, do sacrifício para a purificação mediante a penitência, a oração e o silêncio, conforme explica o site da Igreja de Nossa Senhora do Líbano, localizada no México (falando em México, o bilionário mexicano Carlos Slim é um dos mais famosos descendentes de cristãos maronitas na América Latina. Também têm origens maronitas as famílias do ex-presidente argentino Carlos Saúl Menem, do atual presidente do Brasil Michel Temer e da cantora colombiana Shakira).

No Brasil, onde se encontra a maior comunidade maronita na diáspora, a eparquia foi criada em 1962. Trata-se da circunscrição territorial liderada pelo eparca, ou bispo, e equivale a uma diocese. O primeiro eparca no Brasil, Francis Zayek, foi também o primeiro na história a ser nomeado para um território fora do patriarcado maronita no Oriente Médio. Ele tomou posse da sede de São Paulo, cidade em que os cristãos libaneses puderam prosperar. Aliás, um dos melhores hospitais do país é o Sírio-Libanês, criado por eles na capital paulista.

O Brasil foi a principal porta de entrada dos cristãos orientais na América do Sul durante a forte onda de imigração que aconteceu no final do século XIX e começo do XX, provocada pela perseguição religiosa do Império Otomano contra minorias católicas.

Na Argentina, um ícone da presença maronita é a majestosa catedral de São Maron em Buenos Aires, levantada no começo deste século com pedras trazidas do Líbano. Seu bispo emérito, Charbel Merhi, vive hoje como eremita no Líbano. A católica maronita argentina Nínawa Daher, jornalista e advogada falecida em 2011, tem sua causa de beatificação em andamento. Solidários, os maronitas argentinos lançaram recentemente, com a comunidade libanesa no país, uma campanha de apoio aos refugiados da atual crise humanitária no Oriente Médio.

“Achamos que o modo mais conveniente de ajudar de forma responsável não é trazê-los a um país tão distante como a Argentina, mas dar toda a assistência humanitária possível nos países onde eles estão refugiados, para viverem de modo mais digno”, declarou Juan Habib Chamieh, administrador apostólico da eparquia maronita de São Charbel, em Buenos Aires.