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Quando a Terra era plana: um mapa do universo de acordo com o Antigo Testamento

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Daniel R. Esparza - publicado em 30/06/16

A cosmologia hebraica, tal e como conhecemos a partir dos textos do Antigo Testamento, está cheia de sutilezas que às vezes passam despercebidas

No geral, para a cosmologia hebraica do Antigo Testamento, o mundo em que vivemos era um disco relativamente plano coberto por uma cúpula. Algo como vasilhas com tampa que utilizamos para armazenar um bolo (peço perdão pela comparação).

Debaixo deste disco se encontraria o Sheol (ou seja, o lugar dos mortos, não necessariamente o inferno, mais próximo a como os gregos entendiam como o Hades – submundo) e as chamadas “águas profundas”. Fora da cúpula havia ainda mais água (as chamadas “águas superiores”) e acima destas os chamados “altos céus”, o “céu dos céus”, onde mora Deus.

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Michael Paukner

Agora, a ideia de que o céu é uma enorme cúpula sólida não era exclusiva da cosmogonia hebraica. Na verdade, não é errado dizer que, até certo ponto, é patrimônio comum dos povos antigos. Por exemplo, a noção mais comum em relação ao assunto, como entre gregos e romanos, era supor que o céu era uma grande cúpula de vidro onde as “estrelas fixas” estavam ligadas, embora algumas variáveis diziam que a cúpula não era de vidro, mas de ferro ou bronze. Que os hebreus mantiveram ideias semelhantes às de seus outros pares mediterrâneos pode ser claramente visto em várias passagens bíblicas. Por exemplo, no livro de Jó (37,18) lemos: “Por acaso você pode estender com ele o firmamento, tão duro como espelho de metal fundido?”.

O “firmamento” era considerado como o espaço de separação entre as “águas superiores” e as “águas inferiores”. A cúpula da terra foi considerada como assentada em pilares, chamados de “bases” ou “alicerces da terra”.

Na cúpula há uma série de janelas, aberturas ou portas por onde cai a chuva (ou seja, as águas superiores). O exemplo mais famoso da abertura dessas portas é, naturalmente, o dilúvio de Noé, no livro de Gênesis.

Finalmente, nas profundezas da terra estava o Sheol. Em geral, supõe-se que a palavra “Sheol” procede de uma palavra hebraica que significa “submerso” ou “oco”. Consequentemente presume-se que Sheol é uma caverna ou um lugar embaixo da terra. Na Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento) foi traduzido como Hades, enquanto na Vulgata como Infernus. No entanto, a palavra “Sheol” é utilizada num sentido muito geral, para se referir, na escatologia do Antigo Testamento, ao reino dos mortos, tanto os bons (Gênesis 37,35) como os maus (Números 16,30).

Em certo sentido, Sheol pode ser entendido como “inferno” tanto como “limbo”, onde repousavam os justos antes da Morte e Ressurreição de Cristo. Mas como este limbo dos justos desaparece após Cristo descer ao Inferno, no Novo Testamento o Sheol sempre é citado ao inferno dos condenados. No entanto, como a maioria dos conceitos e noções bíblicas relacionadas à escatologia e à cosmogonia, há debates sobre a interpretação dessas passagens.

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