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Por que eu não estava pronta para uma menina

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Aleteia Brasil - publicado em 12/07/16

“É uma menina!”. Depois de três meninos, essas três pequenas palavras me derrubaram. Mesmo eu sendo mulher, percebi que não tinha ideia de como criar uma

Por Sian Groves*

É uma menina! As palavras ecoaram na minha cabeça. Três simples palavras que vou lembrar o resto da minha vida. Ao ouvi-las, fiquei muda. Para uma mãe de três meninos, deitada em uma mesa de operação esperando seu quarto filho, essa frase foi tão inesperada! Ser mãe do sexo feminino não estava no meu radar, não era a minha zona de conforto!

Então lá estava eu, deitada, quando o médico me mostrou uma pequenina… ela. E ela era minha.

Fiquei muito confusa, surpresa e entrei em pânico… rapidamente seguido de terror! Eu ri. “Não, não”, eu dizia, “isso não pode ser verdade. Eu não estou pronta!”. Além disso, o meu marido e eu só fizemos meninos! E agora eu não era qualificada: eu nunca tinha assistido ao High School Musical, eu nunca tinha criado uma rotina de dança com amigas, eu nunca tinha feito uma festa do pijama e não sabia fazer penteados complexos. Como eu seria uma mãe competente para uma menina?

Meus amigos e família disseram que uma menina seria bem-vinda em nosso mar de testosterona e estavam todos tão incrivelmente satisfeitos. Mas eu não compartilhava esses sentimentos. Eu não queria desesperadamente uma menina, eu queria um bebê saudável. Não me ocorreu que Mimi poderia chegar ao nosso mundo e virá-lo de cabeça para baixo.

Sendo criada em uma casa com cinco mulheres, não tinha nada além de admiração e respeito por tudo o que me ensinaram. Mas eu não era particularmente feminina. Na verdade, eu sempre fui um pouco moleca. Eu amo roupas, mas não babados. Eu amo uma visita ao spa, mas sou totalmente desinteressada por produtos de banho. Eu adoro e valorizo as minhas amigas, mas não sou fã de noite somente para mulheres.

E, no entanto, lá estava eu, responsável pelo bem-estar físico, emocional, social e psicológico da minha nova filha. Ela tinha chegado sete semanas mais cedo devido à pré-eclâmpsia, e sua pequena fragilidade era ao mesmo tempo bonita e alarmante. Ela ficou na UTI pediátrica por três semanas e no momento em que foi liberada, estava ganhando peso maravilhosamente. Quando chegamos em casa havia uma verdadeira montanha de presentes cor de rosa, de um grande número de pessoas bem-intencionadas – foi tão esmagador.

Felizmente nós nos estabelecemos imediatamente. Meus meninos ficaram intrigados com Mimi, da mesma maneira que crianças ficão intrigadas com um elevador; a excitação inicial desaparece depois que eles percebem que não podem jogar bola do jeito que eles querem. Com quatro, sete e dez anos, as suas preocupações primordiais envolveram a partilha de brinquedos, quartos, comida e sua mãe. Conforme o tempo passava, comecei a perceber o quanto a amava.

Quanto à minha falta de confiança por ter uma menina, eu logo percebi que foi puramente baseada na falta de experiência. Eu também descobri que ela gostava de muitas das atividades que eu gostava quando era criança. Talvez houvesse alguns anseios ocultos para uma menina que surgiram depois de tudo!

Ser mãe de uma jovem pré-escolar era mais fácil, mais instintivo. Eu sabia que ela iria encontrar prazer em pressionar flores silvestres, fazer desenhos e leitura. Eu também achei que poderia ser mais criativa com ela. Ela gostava do mundo do faz de conta, sendo que meus meninos nunca sentavam para desfrutar minhas habilidades incríveis de contar histórias por mais de dois minutos sem começar a confusão.

Por volta dos cinco anos de idade, minha filha começou a esquivar-se de muitas das atividades chamadas “femininas”. Para o Ballet gracioso ela disse não; para o jazz moderno, mas indisciplinado, ela disse sim. Ela era, e ainda é, mais feliz quando ao ar livre, sua imaginação corre livre, subindo em árvores e saltando em trampolins. Ela sempre teve a companhia de ambos os sexos e agora, com sete anos, muitas vezes encontramos ela lutando com seu irmão de 12 anos com tanto gosto que eu me preocupo com ele. Eu sempre tenho que verificar o meu instinto natural para parar o jogo, mas ela tem uma coragem feroz combinada com uma compaixão charmosa, uma maravilhosa mistura de ambas as características tradicionalmente masculinas e femininas

A experiência dita que algo novo estará sempre à espreita ao virar da esquina, e seu mais recente interesse parece ser teatro de amadores… me desejem sorte! Estas são todas as coisas, juntamente com cerâmica, bolo de decoração, pintura de rosto e na escolha de perfume que eu simplesmente nunca experimentei com os meus meninos, não porque não seríamos felizmente fazendo, mas eles simplesmente nunca manifestaram interesse nisso. Eu tentei falar com eles sobre cuidar de flores, a importância de plantar sementes na profundidade, o poder da magia de fadas e da emoção de pertencer a um coro, mas eu logo percebi que eu estava chegando a lugar nenhum!

Eu sou grata por ter tido a experiência da maternidade de uma menina, e só anos mais tarde, quando eu olho para a minha filha agora, eu percebo que os desafios da maternidade de uma menina podem variar, mas apenas da mesma forma que os desafios que enfrentamos com qualquer criança variam, porque cada um é inerentemente único.

Ter Mimi permitiu-me experimentar um tesouro de prazeres esquecidos e memórias nostálgicas. Observá-la permite-me reviver a alegria dos prazeres simples que eu descobri na infância… é uma conexão que eu aprecio. Ela também provou-me que a felicidade que deriva de meus filhos não é relacionada com o gênero. Eu a amo com a mesma intensidade e profundidade que todos os meus filhos. Seu gênero é, em muitos aspectos, insignificante, é a sua força de caráter, bondade e humanidade que a torna tão especial.

Sian Groves é consultora de design de interiores e mãe de quatro na Inglaterra. Quando não está escrevendo, ela gosta de tentar convencer seus filhos que ela é melhor cozinheira que seu marido.

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