Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

O cérebro humano testemunha: as pessoas são mais do que a soma de suas partes

Compartilhar

O que Deus nos ensinaria sobre a tecnologia de reconhecimento facial?

Você sabia que a parte do cérebro que realiza o processamento das informações sobre o rosto humano é completamente diferente da parte que processa o aspecto de todos os outros objetos?

Eu descobri isto quando tinha 16 anos, ao mesmo tempo em que fui informada de que o centro de processamento facial do meu cérebro não funciona adequadamente: eu tenho uma doença chamada prosopagnosia, ou incapacidade de reconhecer rostos.

Mas voltando aos dois centros cerebrais que processam a aparência de objetos e de rostos humanos: eles realmente funcionam de forma bem diferente. O processamento dos objetos distingue detalhes e características para armazenar na memória a imagem mental do objeto em questão. Já o processamento facial não considera esses detalhes como partes separadas, e sim como um todo coerente, unitário.

Cérebros como o meu veem apenas os detalhes por separado: olhos verdes, nariz pequeno, lábios finos, estrutura facial redonda… Você, leitor, também vê tudo isto, mas os vê como uma totalidade unificada: como um rosto humano. Eu não consigo sintetizar as partes em uma entidade coerente. Aliás, fiquei atônita quando me disseram que a maioria das pessoas consegue “visualizar” mentalmente um rosto.

Eu compenso esta deficiência usando o centro de reconhecimento amplo do meu cérebro para reconhecer as pessoas. Identifico as suas características como pistas: uma barba, alto e magro, má postura… Se algo mudar, se alguém cortar o cabelo de um jeito muito diferente, ou se eu o encontrar num local onde não esperaria encontrá-lo, vou estar em apuros… Certa vez, cumprimentei um tio como se fosse meu sogro, porque, além de terem o cabelo parecido, eu vi um na casa do outro.

O fato é que reconhecer a existência de um transtorno acaba realçando o funcionamento de um sistema que nem costumamos observar que existe. Ao pensar na minha própria cegueira para feições, ocorreu-me que é muito revelador o fato de que o cérebro veja os rostos de um jeito tão diferente de como vê o resto do mundo. O que o cérebro faz automaticamente (na maioria dos casos), a alma também deve fazer.

O cérebro enxerga uma distinção fundamental entre uma torta de maçã e uma pessoa. A primeira é simplesmente um composto de características sensoriais: o cérebro enxerga uma coisa redonda, doce, quente, de coloração marrom, e a chama de “torta”. No caso de uma pessoa, o cérebro registra as suas características, mas as vê como um todo, como algo que é feito de partes, mas que é maior do que a soma dessas partes. Ele não vê o rosto humano apenas como um composto de olhos-mais nariz-mais boca; ele vê o rosto como rosto, como uma unidade que tem essas características, sim, mas que não se limita a ser uma soma dessas características. Esta distinção é sutil, mas muito importante. E o rosto humano é a única coisa que o cérebro trata desta maneira!

No início, eu fiquei surpresa. “O cérebro consegue fazer, mecanicamente, a mesma coisa que eu tenho que fazer usando a minha vontade!“. Mas isso não deveria ser surpreendente de modo algum: toda pessoa é realmente mais do que a soma de suas partes, porque, afinal, ela é um sujeito, não um objeto. O cérebro a vê de modo diferente pela mesma razão que a alma também a vê de modo diferente. A pessoa é fundamentalmente diferente de todos os objetos; é perfeitamente óbvio que, portanto, ela seja percebida de modo diferente também.

E isto não é coincidência nem casualidade. O cérebro está sempre nos lembrando o que sabemos muito bem pela Revelação: que a pessoa humana é toda uma “categoria” especialmente diferente de todo o mais que existe no mundo.

Os objetos ao nosso redor são simplesmente aquilo que parecem ser, enquanto a pessoa não é apenas a soma de suas partes. A pessoa é maior!