Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

O que realmente aconteceu na Turquia?

DANIEL MIHAILESCU / AFP
People wave Turkish flags next to a statue of the founder of modern Turkey Mustafa Kemal Ataturk in Istanbul on July 16, 2016 during a demonstration in support to Turkish president.
President Recep Tayyip Erdogan battled to regain control over Turkey on July 16, 2016 after a coup that claimed more than 250 lives, bid by discontented soldiers, as signs grew that the most serious challenge to his 13 years of dominant rule was faltering. / AFP PHOTO / DANIEL MIHAILESCU
Compartilhar

3 possíveis teorias sobre o golpe fracassado

O governo turco acusa o clérigo Fetula Gülen e seus partidários de serem os autores do recente golpe de Estado fracassado, mesmo que ainda não tenha apresentado provas que sustentem a acusação.

Por isso, e por outra série de detalhes, é difícil chegar a cenários conclusivos, onde há atualmente pelo menos três possíveis teorias que tentam explicar o que aconteceu na Turquia.

  1. Gülen:

Defendida pelo governo turco, é a teoria mais provável. Aponta o clérigo Fetula Gülen, que vive nos Estados Unidos, como o mentor do levante militar. Ele tem adeptos entre oficiais do exército.

Erdogan tem anunciado, durante anos, que Gülen conspira para derrubá-lo. Em algum momento Gülen e Erdogan eram aliados, até que Erdogan acusou Gülen de vazamento de documentos e registros que o vinculam a escandalosos casos de corrupção.

Por isso, desde 2013 o movimento de Gülen é proibido na Turquia, o que levou a centenas de prisões.

Alguns apontam que Gülen agiu juntamente com os Kemalistas, um movimento secularista-laical que se considera defensor da herança do fundador da República da Turquia, Atatürk.

Os Kemalistas são, digamos, adversários naturais de partidos islâmicos turcos, incluindo o partido de Erdogan.

Supõe-se que as facções de Gulen e dos Kemalistas são pequenas demais para ter sucesso em um golpe de Estado e, portanto, teriam preferido agir em conjunto.

  1. Autogolpe

Para muitos, a teoria é plausível, embora, como Perez De La Cruz assinala em seu artigo  no jornal Abc, em conversas nos cafés e nas ruas se ouve que “na Turquia tudo é possível”.

Recentemente, o Comissário da União Europeia para a Turquia, Johannes Hahn, revelou detalhes que dão força a esta teoria: minutos após o “evento”, listas de suspeitos de envolvimento no golpe já estavam disponíveis – mais de 2.000 juízes e 3.000 membros do exército foram imediatamente identificados.

Hahn insistiu que parece que essas listas foram feitas com antecedência, fortalecendo a teoria do autogolpe de Estado como um método para iniciar uma limpeza interna.

Erdogan saiu da situação deixando de ser um líder acusado de autoritarismo, convertendo-se subitamente em defensor da ordem democrática.

A fraqueza dos rebeldes e o colapso poucas horas após o golpe são vistos por alguns como mais uma prova de que fortalece esta teoria.

  1. Golpe “de desespero”

Alguns meios de comunicação locais e internacionais, citando fontes policiais, informaram que o AKP (o partido do poder) tinha preparado uma série de prisões em massa no exército entre os seguidores de Gülen, que seriam realizadas em 16 de julho (o que explicaria, também, porque as listas estavam prontas).

Por isso, os golpistas anteciparam os planos do golpe para tentar tomar o poder na madrugada de 15 de julho.

Esta tese também fortalece a imagem autoritária de Erdogan, acusando-o de limpar as forças armadas turcas, e é aceita porque não teria sido a primeira detenção gulenistas: durante os últimos dois anos, centenas de pessoas dos estabelecimentos judiciais e policiais foram presas, mas essa limpeza ainda não havia atingido o Exército, o que teria precipitado a ação dos soldados, embora de forma improvisada e, portanto, frágil e fácil de dominar.