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Grande avanço dos talibãs no sul do Afeganistão

<p>Vários combatentes talibãs posam, em 23 de janeiro de 2010, na província de Ghazni, no Afeganistão</p>

Agências de Notícias - publicado em 09/08/16

Os talibãs se aproximavam nesta terça-feira da capital de Helmand (sul), uma província produtora de papoula, a planta da qual se extrai o ópio, onde já controlam amplas zonas.

O avanço dos insurgentes islamitas, dez dias depois do início de sua operação militar, faz as autoridades locais e os habitantes temerem que consigam conquistar a capital provincial, Lashkar Gah, como fizeram com Kunduz em outubro de 2015.

Naquele momento, os talibãs conseguiram controlar a grande capital do norte durante duas semanas, pela primeira vez em 14 anos de guerra, semeando o pânico entre a população.

“A situação é verdadeiramente grave em Helmand, estão ocorrendo combates em vários distritos”, admitiu na manhã desta terça-feira à imprensa o general Mohammed Habib Hesari, à frente das operações do exército afegão em terra.

Segundo o presidente do governo provincial, Karim Atal, “os talibãs estão às portas” de Lashkar Gah, onde vivem cerca de 200.000 pessoas.

“Advertimos ao governo de que tinha seis horas para reagir”, declarou à imprensa. “A situação é realmente ruim, é preciso frear o avanço dos talibãs”, insistiu, afirmando que temia “roubos se a cidade cair” nas mãos dos islamitas.

As tropas afegãs estão apoiadas pelos bombardeios aéreos das forças americanas presentes no Afeganistão. O último deles “ocorreu ontem à noite”, declarou um porta-voz militar americano nesta terça-feira, confirmando a intensidade dos combates.

Segundo Haji Qayum, um morador contactado pela AFP, “os talibãs controlam todas as estradas que conduzem a Lashkar Gah. As barreiras policiais caem uma depois da outra e todos acreditam que a capital acabará caindo nas mãos dos talibãs”.

Mobilizações difíceisNa segunda-feira, os insurgentes islamitas estavam a 6 quilômetros do centro da cidade e, segundo um responsável local que pediu o anonimato, “a situação pode ficar fora de controle a qualquer momento”.

“A intensificação do conflito faz com que os deslocamentos sejam difíceis”, ressaltou uma fonte humanitária, destacando que a população penava para poder chegar ao hospital de Lashkar Gah, o único em funcionamento para o milhão de pessoas que vivem na zona.

“A unidade de urgências do hospital, que em geral fica cheia de gente no sábado, estava quase vazia no sábado passado”, afirmou a mesma fonte.

Por sua vez, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) explicou à AFP nesta terça-feira que havia “comunicado todas as coordenadas GPS do hospital de Lashkar Gah às forças em conflito”. No ano passado, um bombardeio americano destruiu o hospital que a organização administrava em Kunduz, deixando 42 mortos.

Em Helmand, os talibãs controlam grande parte do território, principalmente os campos de papoula, da qual se extrai o ópio, que representa quase 80% da produção do Afeganistão.

No entanto, o general Charles Cleveland, das forças americanas mobilizadas sob a bandeira da Otan, afirma que se trata de um “nível normal de violência”.

“Os talibãs nunca foram capazes de conquistar e, sobretudo, de manter uma capital provincial ou um distrito importante”, afirmou recentemente à AFP, acrescentando que as forças americanas realizaram quase 500 bombardeios contra os insurgentes islamitas no Afeganistão durante o ano.

(AFP)

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