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“Deus nos criou para estarmos de pé e nos repete: ‘Levanta-te’”

© Antoine Mekary / ALETEIA
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Francisco: a Palavra de Deus nos faz reviver, dá esperança, alegra os corações cansados

Por Iacopo Scaramuzzi

“Deus nos quer de pé” e quando caímos, nos repete: “‘Levanta-te’”. O Papa Francisco voltou a falar sobre o Jubileu durante a Audiência Geral das quartas-feiras, no Salão Paulo VI, e destacou que a Misericórdia é “um caminho que parte do coração para chegar às mãos”, isto é: parte da cura do encontro com Jesus, cuja compaixão levanta as pessoas que caíram, e se traduz em obras de misericórdia para com os outros.

“A passagem do Evangelho de Lucas que escutamos nos apresenta um milagre de Jesus realmente grandioso: a ressurreição de um jovem”, recordou o Papa. “No entanto, o centro deste relato não é o milagre, mas a ternura de Jesus para com a mãe deste jovem. A misericórdia assume aqui o nome de grande compaixão para com uma mulher que tinha perdido o marido e que agora acompanha ao cemitério o seu único filho. É esta grande dor de uma mãe que comove Jesus e o provoca ao milagre da ressurreição”.

“Durante esse Jubileu, seria bom que, ao passar pela Porta Santa, a Porta da Misericórdia, os peregrinos recordassem esse episódio do Evangelho, que aconteceu na porta de Naim”; quando Jesus viu essa mãe chorando pela morte de seu filho deteve a procissão fúnebre e, “movido por uma profunda misericórdia por esta mãe”, que “entrou em seu coração”, “decidiu enfrentar a morte, por assim dizer, de face a face (e a enfrentará definitivamente, de face a face, na Cruz)”. Francisco prosseguiu explicando que à Porta Santa “cada um chega levando a própria vida, com suas alegrias e seus sofrimentos, os projetos, os fracassos, as dúvidas e os temores, para apresentá-los à misericórdia do Senhor. Estamos seguros de que, na Porta Santa, o Senhor se faz próximo para encontrar cada um de nós, para levar e oferecer a sua poderosa palavra de consolo: ‘Não chore!’. Esta é a Porta do encontro entre a dor da humanidade e a compaixão de Deus”.

Cruzando o umbral, recordou Francisco, “realizamos a nossa peregrinação entre a misericórdia de Deus que, como ao rapaz morto, repete a todos: ‘E digo a ti, levanta-te!’ ‘Levanta-te!’ Deus nos quer de pé. Criou-nos para estarmos de pé: por isso, a compaixão de Jesus leva àquele gesto da cura, a curar-nos, de que a palavra-chave é: ‘Levanta-te! Coloque-se de pé, como Deus te criou!’ De pé. ‘Mas, padre, nós caímos tantas vezes!’ ‘Coragem, levanta-te’. Ao atravessar a Porta Santa, procuremos sentir no nosso coração essa palavra: ‘Levanta-te!’ A palavra poderosa de Jesus pode nos fazer levantar e trabalhar também em nós a passagem da morte à vida. A sua palavra nos faz reviver, dá esperança, alegra os corações cansados, abre a uma visão do mundo e da vida que vai além do sofrimento e da morte. Na Porta Santa está para cada um de nós o inesgotável tesouro da misericórdia de Deus!”

Perante o rapaz que voltou à vida e que foi restituído à sua mãe, “todos foram tomados pelo temor e glorificavam a Deus dizendo: ‘Um grande profeta surgiu entre nós’ e ‘Deus visitou o seu povo’”, recordou o Papa argentino. Tudo quanto Jesus fez “não foi só uma ação de salvação destinada à viúva e ao seu filho, ou um gesto de bondade limitado àquela cidadezinha. Nele aparece e continuará a aparecer à humanidade toda a graça de Deus”. Neste sentido, “ao celebrar esse Jubileu, que – destacou o Papa – eu quis que fosse vivido em todas as Igrejas particulares, isso é, em todas as igrejas do mundo, e não somente em Roma, é como se toda a Igreja espalhada no mundo se unisse no único canto de louvor ao Senhor”.

A misericórdia, pois, “seja em Jesus, seja em nós, é um caminho que parte do coração para chegar às mãos… O que significa isso? Jesus nos olha, nos cura com a sua misericórdia, nos diz: ‘Levanta-te!’ e o teu coração é novo. Com o coração novo, com o coração curado por Jesus, posso entender as obras de misericórdia mediante as mãos, procurando ajudar, curar tantos que precisam. A misericórdia é um caminho que parte do coração e chega às mãos, isto é, às obras de misericórdia”.

Durante as saudações em italiano, ao final da Audiência, o Papa voltou a refletir sobre a misericórdia: “Outro dia, dizia-me um bispo, que na sua catedral e em outras igrejas fez portas de misericórdia de entrada e de saída. Eu perguntei: ‘Por que você fez isso?’ – ‘Porque uma porta é para entrar, pedir o perdão e ter a misericórdia de Jesus; a outra é a porta da misericórdia em saída, para levar a misericórdia aos outros, com as nossas obras de misericórdia’. Esse bispo é inteligente! Também nós façamos o mesmo com o caminho que vai do coração às mãos. É a Igreja em saída!”