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Ilha de Páscoa faz campanha para recuperar seus moais 'roubados'

Agências de Notícias - publicado em 12/08/16

Um casal chileno trava uma batalha na Ilha de Páscoa para que o “amigo roubado”, um moai (estátua gigantesca de pedra) que foi retirado da ilha há mais de um século e está exposto no British Museum de Londres, volte ao seu lugar de origem.

As reações que o documentário “Te Kuhane o Te Tupuna” (O espírito dos ancestrais) provocou no público foi o que levou o diretor Leo Pakarati e a produtora Paula Rossetti a lançarem uma campanha para recuperar o Hoa Haka Nana’ia, uma das estrelas do museu britânico, que em língua rapanui (dos habitantes nativos da Ilha de Páscoa) significa “amigo roubado ou escondido”.

O moai de Londres, um gigante esculpido em rocha, com 2,5 metros de altura e pesando cerca de quatro toneladas, foi construído em algum momento entre os séculos XI e XV e retirado de Orongo, uma aldeia cerimonial de Rapanui, onde freava o ímpeto das ondas.

Nas suas costas, junto aos entalhes de remos de pá dupla, símbolo de poder, e vulvas, símbolo da fertilidade, estão esculpidos petróglifos do homem-pássaro, o que o situa em uma época de evolução para o sincretismo religioso da ilha, ao que os primeiros habitantes, navegantes polinésios, chegaram entre os anos 800 e 1000.

De volta para à sua terra

De acordo com a tradição rapanui, os moai e os objetos sagrados eram animados pelo ‘mana’, uma força espiritual para proteger a tribo, atribuída a todos os chefes e pessoas importantes da comunidade. Segundo o documentário, “uma forma de recuperar o ‘mana’, para devolver o bem-estar à ilha, é trazer o espírito do Moai Hoa Kaka Nana’ia de volta à sua terra”.

Pakarati e Rossetti já recolheram mais de 500 assinaturas na ilha e aguardam “outras tantas que devem chegar do continente”, informou a produtora à AFP. Embora sejam conscientes de que não é uma tarefa fácil recuperar os mais de 4 mil objetos da cultura rapanui espalhados por museus do mundo todo e coleções privadas, eles esperam que, com as assinaturas, o “Estado chileno faça a petição formal” para recuperar seu patrimônio.

Além do British Museum, o Quai Branly de Paris também conta com um moai.”Acho que é difícil que voltem”, admitiu Rossetti. Principalmente porque nem todos concordam com os promotores da iniciativa. Há uma corrente de opinião na ilha que considera que estas figuras imponentes e frágeis “estão melhor cuidadas” nos museus estrangeiros.

Os Moai Aringa Ora, como são chamados no idioma original, que significa “rosto vivo dos ancestrais”, são a “memória, o recordatório” dos antepassados, diz a produtora.

Dos cerca de 700 moai encontrados na ilha, poucos estão inteiros. A erosão marinha, a passagem do tempo e o vandalismo fizeram estragos na imagem mais universal da Ilha de Páscoa, situada a seis horas de voo de Santiago, a cerca de 3.500 km do continente.

Na canteira de onde se tirava a pedra para os moais, Rano Raraku, localizada no sudeste da ilha, ainda restam 400 unidades em diferentes fases de elaboração, como se os escultores tivessem terminado o trabalho abruptamente, por volta do ano 1600.

O transporte, um mistério

Com que instrumentos contaram os nativos para transportar por toda a ilha esses blocos que chegavam a pesar, em alguns casos, até 90 toneladas? Quase todos estão colocados ao longo da costa desta ilha triangular que é o cume de uma cadeia montanhosa subaquática, situada no meio do Pacífico sul.

Às vezes em grupos, outras em solitário, os moais sobre pedestais ou plataformas quase sempre olham para o interior da ilha, como guardiões de um passado que se mantém onipresente apesar do turismo de massas. Cerca de 95 mil pessoas chegaram no ano passado a essa ilha de 6.500 habitantes.

(AFP)

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