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Confie em Deus, em si mesmo e no trabalho duro

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Nicole Jankowski - publicado em 17/08/16

Entrevista exclusiva com a lutadora olímpica Paige McPherson

Paige McPherson, 25 anos, atleta olímpica e fenômeno do Taekwondo, está com pressa. É um dia sufocante – todo dia é sufocante em Miami – e McPherson está em uma pausa de seu treinamento para um merecido almoço, entre as práticas que são os últimos vestígios de sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Levamos uma semana para coordenar essa entrevista em meio a sua agenda agitada, esgotante.

Eu chamei McPherson para conversar sobre sua competição no Rio, onde ela participa de sua segunda Olimpíada. Há uma ansiedade em sua voz que é evidente, mas suas palavras são leves. Eu adio a interrogá-la sobre os Jogos Olímpicos e pergunto-lhe primeiramente sobre Miami, a cidade em que ela acaba de regressar depois de uma intensa semana de treino de Taekwondo na Grã-Bretanha. “Eu sabia que tinha que mudar para cá, para Miami, se eu quisesse alcançar meu objetivo de ir aos Jogos Olímpicos. Tem sido um sacrifício difícil. Eu não conhecia ninguém quando me mudei. Para realizar um sonho há sempre um sacrifício. E para mim, está aí. Estou indo para minha segunda Olimpíada”.

E então sua voz desaparece por um momento. No fundo, há uma comoção, uma enxurrada de atividades. Ouço Paige responder rapidamente a alguém à distância. Muito obrigada. Em seguida, novamente. Obrigada, obrigada. Sua voz figurativamente se vira para mim. “Sinto muito”, ela retorna em silêncio, ao telefone. “Há tantas pessoas aqui”.

Da rural Dakota do Sul para as luzes brilhantes de Miami

Talvez os cidadãos de Miami, a cidade que McPherson adotou como casa desde 2009, estejam parando-a na rua para lhe desejar boa sorte. McPherson, a mulher que eles chamam McFierce, é apenas uma entre os quatro atletas dos Estados Unidos que irão ao Rio para competir no Taekwondo. Taekwondo, uma arte marcial coreana que evoluiu na década de 1940, tornou-se uma das duas únicas artes marciais asiáticas praticadas nos Jogos Olímpicos em 2000. Em 2012, Paige ganhou bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em uma vitória de virada sobre Franka Anic, da Eslovênia, e estabeleceu seu domínio na divisão meio-médio das mulheres do esporte. Com 21 anos, em Londres, Paige estava no temor sobre a magnitude de competir nos Jogos Olímpicos. Enquanto ela se preparava para voltar aos Jogos mais uma vez, quatro anos depois e com um novo nível de experiência, maturidade e equilíbrio, sonhava em transformar esse bronze em ouro.

A família

Mas McPherson, sempre modesta e impenetravelmente ambiciosa, é também realista; ela está apenas esperando para absorver tudo o que puder com a experiência olímpica. Enquanto ela detalha para mim os destaques de sua infância, que foi muito distante do mundo de Miami, fica perceptível o quanto sua família moldou sua atitude destemida ao competir.

Paige McPherson cresceu na cidade rural de Sturgis, Dakota do Sul. Ela era uma parte ativa da grande e diversificada família, dirigida pelos pais Dave e Susan McPherson. Os McPhersons adotaram todos os seus cinco filhos a partir de diversificadas culturas e origens; por esse motivo eles foram muitas vezes carinhosamente chamados de a Família Arco-íris pelos vizinhos. Paige é afro-americana e filipina, seus dois irmãos, Aaryn e Graham, fazem parte dos nativos americanos. Seu outro irmão, Evan, é coreano, e sua irmã, Hannah, veio do Caribe.

McPherson afirma que foi essa singularidade que a formou como pessoa – e a atleta que ela é hoje. “Eu fui adotada em uma família muito diversificada. Com nós cinco vindo de todo o mundo, eu cresci aprendendo a me ajustar a certos tipos de situações e personalidades. Essa é uma das coisas que eu amei no Taekwondo – quão diversificado e dinâmico que é”.

NEW YORK - SEPTEMBER 10: Paige McPherson bronz medal winner in Taekwondo at the 2012 Summer Olympic games poses during the WNBA Inspiring Women Luncheon at Pier Sixty at Chelsea Piers on September 10, 2012 in New York City.  (Photo by Rob Tringali/Getty Images)
Getty Images

Foi seu irmão mais velho, Evan, que começou no Taekwondo alguns anos à frente dela, o que primeiro despertou o interesse de Paige pelo esporte. “Eu ser a irmã mais nova, eu sempre quis fazer o que meu irmão mais velho fazia. Começou oficialmente quando eu tinha sete anos. Fui expulsa várias vezes porque eu era muito arisca, mas eu voltei mais calma. Foi, eventualmente, onde aprendi sobre respeito, integridade, perseverança – todas as coisas que me ajudam em outras áreas agora”. Depois de alguns anos de estudo dos fundamentos do Taekwondo, tornou-se evidente a seus treinadores e família que Paige tinha uma capacidade inata para o esporte. No ensino médio, seu atual treinador, Juan Miguel Moreno, deu a McPherson e sua família um pouco da maravilhosa e difícil verdade: se Paige quisesse competir em nível nacional no Taekwondo, mudar-se para Miami para treinar nas instalações da equipe nacional, a Peak Performance, seria o próximo passo essencial. Apesar de ter sido uma decisão angustiante para Paige, ela sabia o que tinha de fazer para ver seus sonhos se tornarem realidade. “Eu acredito que o Taekwondo foi um talento dado por Deus para mim”.

O relacionamento de McPherson com Deus é o que ela muitas vezes invoca para guiá-la através de alguns dos seus momentos mais difíceis. É a sua fé na direção Dele que lhe dá um forte sentimento de paz quando ela pisa no tatame, mesmo no fervor da competição. Toda a preparação – duas vezes por dia, de cinco a seis dias por semana, a solidão de se afastar de sua família e amigos, a agenda de viagens e competições, que faz outros em seu esporte desistir ou desmoronar em meio à cansativa luta – ela sabe que tudo tem um propósito em ajudá-la a ter sucesso. Mas ela diz que é a presença de Deus em sua vida que firmemente consolida sua força e sucesso. “Eu fiz o que deveria fazer. Estou aprendendo, porém, que há certas coisas que eu simplesmente não posso controlar, e é aí que eu entrego a Ele”.

Por causa disso, McPherson batalha mais a ansiedade que leva a uma competição do que ela faz no dia da luta. No dia de uma grande luta, ela depende tanto da sua fé como da sua formação e habilidade. “Deus tem definitivamente mostrado que Ele tem um plano para mim, tudo o que posso fazer é confiar Nele, dar tudo de mim. Em muitas competições eu me entreguei nas mãos de Deus”.

Finalmente perguntei a ela sobre o Rio, o que ela antecipa para estes Jogos Olímpicos esta semana, que será diferente da primeira vez. “Desta vez eu estou um pouco mais focada, eu sei o que esperar. Estou trabalhando tão duro quanto posso para vencer”. É difícil imaginar McPherson derrotada.

Antes de terminar a nossa conversa, pergunto se ela tem algo que gostaria de compartilhar. Ela não hesita. “Eu tenho uma mensagem que é realmente útil. É confiar em Deus, confiar em si mesmo e confiar no trabalho duro”. Esta frase parece caracterizar Paige McPherson, a atleta e a pessoa, com sucinta profundidade. E depois de ouvir o furor em sua voz e a determinação em suas palavras, é impossível não imaginar que ela possa ganhar o ouro nestas Olimpíadas.

Mas ainda é cedo para saber o que vai acontecer esta sexta-feira, no Rio de Janeiro, para Paige McPherson e suas notáveis concorrentes.

Texto Original: http://forher.aleteia.org/articles/rio-interview-olympian-paige-mcpherson-trust-god-trust-trust-grind/

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