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“Não a visões da feminidade contaminadas por preconceitos”, clama o Papa

© Antoine Mekary / ALETEIA
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Por Andrea Tornielli

“Todos somos colocados em alerta, também as comunidades cristãs, com as visões da feminidade contaminadas por preconceitos e suspeitas prejudiciais à dignidade inviolável da mulher”. Foi o que disse o Papa, durante a audiência geral na Praça de São Pedro, comentando o Evangelho de Mateus que conta o episódio da “hemorragia”, a mulher que sofria perdas de sangue e que conseguiu tocar a borda do manto de Jesus, que se virou para ela, a animou, e a curou. Um comportamento que, explica Francisco, “indica à Igreja o caminho que deve cumprir para ir ao encontro de cada pessoa”.

A mulher, disse o Papa, “se aproxima para tocar a borda do manto” de Jesus, pensando: “Se conseguir só tocar no manto serei salva”. “Quanta fé! – comenta Bergoglio – Quanta fé tinha esta mulher! Avalia assim porque está animada pela fé e a esperança e com um pouco de astúcia realiza o que tem no coração. O desejo de ser salva por Jesus é tal que a empurra a desafiar as prescrições que a lei de Moisés estabelecia, porque ela era considerada impura, já que sofria fluxos de sangue. E, por isso, estava excluída das liturgias, da vida conjugal, das relações normais com o próximo”.

Era uma mulher “marginalizada da sociedade”. “É importante considerar esta condição de marginalizada – acrescenta Francisco – para entender seu estado de ânimo: ela sente que Jesus pode libertá-la da enfermidade, de seu estado. Sabe, sente que Jesuspode salvá-la. Este caso nos faz refletir como, muitas vezes, a mulher é percebida e representada: todos somos colocados em alerta, também as comunidades cristãs, com as visões da feminidade contaminadas por preconceitos e suspeitas que resultam prejudiciais à dignidade inviolável da mulher”. No entanto, recorda o Papa, “são justamente os Evangelhos que restabelecem a verdade e a reconduzem a um ponto de vista libertador”.

Não sabemos o nome da mulher, observa o Pontífice, “mas as poucas linhas dos Evangelhos que falam dela delineiam um itinerário de fé capaz de restabelecer a verdade e a grandeza da dignidade de cada pessoa”. No encontro com Cristo, “em cada mulher e cada homem”, está a “via da libertação e salvação”. O Evangelho de Mateus, observa Francisco, “diz que quando ela tocou o manto, Jesus se virou para ela e a viu: ela, temerosa, agiu nas suas costas para não ser vista, era impura. Jesus a viu e seu olhar não foi de reprovação: não disse: “saia daqui, você é impura!”. Não. Seu olhar é de misericórdia e ternura. Jesus não só a acolhe como também a considera digna de tal encontro, até o ponto de oferecer sua palavra e atenção”.

Na parte central da história, o termo “salvação” é repetido três vezes. “Esse ‘coragem, filha’ de Jesus – acrescentou Francisco – expressa toda a misericórdia de Deus por aquela pessoa e por todas as pessoas marginalizadas. Quantas vezes nos sentimos interiormente marginalizados por nossos pecados, temos tantos…, o Senhor nos diz: “Coragem, vem, para mim você não é um marginalizado, uma marginalizada. Coragem filha, você é um filho, uma filha”. Este é o momento da graça, do perdão, da inclusão”. Temos que “ter a coragem de ir até Ele e pedir perdão por nossos pecados e seguir adiante, com coragem, assim como fez esta mulher”.

Jesus, disse o Papa, “a liberta da necessidade de agir secretamente. Um marginalizado sempre age se escondendo de algo. Os leprosos, nós pecadores. Sempre fazemos algo secretamente, temos a necessidade de agir assim porque nos envergonhamos do que somos. Ele nos liberta, nos coloca em pé, assim como Deus nos criou: em pé, não humilhados”. Jesus, concluiu Francisco, “com seu comportamento pleno de misericórdia, indica à Igreja o caminho que deve cumprir para ir ao encontro de cada pessoa, para que cada um possa ser curado no corpo e alma e recuperar a dignidade dos filhos de Deus”.

Ao finalizar, o Papa cumprimentou alguns refugiados provenientes do Iraque e Oriente Médio, presentes na praça: “Que o Senhor os abençoe e os proteja do maligno”.