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Fins de semana de três dias: uma ideia nada absurda e que pode salvar o mundo!

Aleteia Brasil - publicado em 19/09/16

Semanas de 4 dias úteis podem ser mais produtivas do que as longas jornadas atuais

O professor Alex Williams, da Universidade da Cidade de Londres, é uma das referências mundiais quando o assunto é “fim de semana”. Mas dentro de um contexto muito específico: ele é defensor da ideia de que o fim de semana deve passar a ter três dias, em vez de apenas dois como tem hoje, porque essa mudança, além de “agradável”, reduziria radicalmente o impacto ambiental, psicológico e social da atual semana de trabalho e prepararia os indivíduos e as sociedades para a economia automatizada do futuro.

Um precedente concreto

Uma experiência semelhante já foi feita no mundo real: em 2007, o Estado norte-americano de Utah estendeu os horários de trabalho dos funcionários públicos de segunda a quinta-feira, eliminando assim o trabalho às sextas. Em 10 meses, a mudança gerou para o Estado 1,8 milhão de dólares de economia nos custos de energia: é que menos dias de trabalho significam menos iluminação dos escritórios, menos ar condicionado e menos tempo de computadores ligados. E isto sem ter reduzido o número total de horas trabalhadas.

Então por que, em 2011, Utah desistiu dessa experiência promissora? Simples: porque os habitantes do Estado se queixavam de não ter mais acesso aos serviços públicos às sextas-feiras.

Este inconveniente é compreensível e faz parte do processo: afinal, uma inovação desse tipo precisa vir acompanhada de uma mudança cultural. É preciso que a sexta-feira sem trabalho não seja vista apenas como “um dia útil sem serviços”, mas sim como “o terceiro dia do fim de semana”.

Daí a necessidade de começar desde agora a chamar a atenção do mundo para este conceito e sua real possibilidade de sucesso.

Impacto social

Williams considera que uma semana de 4 dias úteis ajudaria a melhorar o complicado equilíbrio entre vida profissional e familiar, beneficiando a saúde mental e o bem-estar físico dos cidadãos, que teriam mais tempo não só para a família e para si mesmos, como também para atividades sociais e interação com a comunidade local.

Experimentos em locais selecionados com horas de trabalho reduzidas na Suécia, em 2015, mostraram resultados chamativos, como a redução de doenças e o aumento da produtividade. Isso mesmo: menos horas de trabalho resultaram em mais eficácia no trabalho. Faz todo o sentido, já que uma parte significativa das jornadas longas de trabalho é simplesmente desperdiçada porque as pessoas estão cansadas, estressadas, distraídas, preocupadas, sem foco e sem ânimo. Quem descansa mais, rende mais.

O antropólogo David Graeber reforça a ideia de que muitas pessoas têm empregos que “não servem para nada”. Os próprios economistas já estão conscientes, faz bastante tempo, de que há muitas horas supérfluas nas jornadas de trabalho atuais: os empregados são subutilizados, mas não podem ir para casa mais cedo porque o “presentismo” tem um peso cultural gigantesco na cabeça dos chefes, que valorizam mais os trabalhadores pelas horas que passam no trabalho do que pelos resultados concretos do trabalho. Não seria mais razoável trabalhar menos horas com mais resultados produtivos do que preencher longos horários sem gerar esses resultados produtivos?

Um futuro de automação

A necessidade de repensar as jornadas de trabalho fica ainda mais evidente quando se considera que, nas próximas décadas, o trabalho sofrerá uma forte onda de automação. Estima-se que os avanços da robótica e dos sistemas de aprendizagem automática vão substituir 47% dos atuais postos de trabalho nos Estados Unidos e 54% na Europa.

Nesse contexto econômico radicalmente diferente, a ideia do fim de semana de três dias se torna essencial para a vida dos trabalhadores: simplesmente não haverá necessidade de mão de obra humana em tarefas automatizáveis – sem falar que a mecanização aumentará a eficácia da maioria dos processos produtivos, utilizando não somente menos força de trabalho humana, mas também menos energia, o que muito é positivo para um planeta que está continuamente às voltas com o fantasma das crises energéticas.

O planeta, aliás, se beneficiaria ainda de uma drástica redução das emissões de poluentes, já que um dia a menos de trabalho significa um dia a menos de massivas locomoções de casa até o local de emprego e, depois, de volta para casa. Multiplique-se esta redução por 52 semanas ao ano e por milhões e milhões de trabalhadores no planeta. Significativo, não é?

Cuidados na transição

Uma quebra de paradigma dessas proporções pode gerar transtornos sociais drásticos. Para evitá-los, são necessárias políticas que promovam uma participação muitíssimo mais equitativa nos lucros: a semana laboral mais curta precisa ser implantada juntamente com perspectivas objetivas de renda básica universal.

O debate está servido!

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