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Juan Manuel Santos, o promotor audacioso da paz na Colômbia

<p>O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, foi reeleito neste domingo com 50,80% dos votos no segundo turno de uma eleição importante para o processo de paz com a guerrilha, de acordo com uma contagem preliminar de 97,32% do total, informou a autoridade eleitoral colombiana.</p>

Agências de Notícias - publicado em 26/09/16

Juan Manuel Santos não se contentou em ser eleito duas vezes presidente da Colômbia. Sua meta era a paz em seu país, um sonho audaz que nesta segunda-feira será selado com a assinatura do acordo com as Farc.

“Ele conseguiu o fato histórico mais importante da Colômbia contemporânea: o fim de um doloroso e custoso conflito de 52 años”, afirmou à AFP Mauricio Rodríguez, seu cunhado e conselheiro há mais de 20 anos.

Presidente da Colômbia há mais de cinco anos, Juan Manuel Santos se transformou no impulsionador da paz no seu país, castigado há mais de meio século pelo conflito armado mais antigo da América Latina.

Quando foi ministro da Defesa (2006-2009), Santos liderou a mais forte ofensiva lançada contra este grupo insurgente, fundado em 1964 e que conta com sete mil combatentes, segundo cifras oficiais.

Mas uma vez eleito em 2010 e reeleito em 2014, este líder de centro-direita, moderado e de temperamento tranquilo, foi pouco a pouco consolidando-se como aguerrido defensor da paz.

Simbolicamente, inclusive, coloca em seu terno uma pequena pomba da paz, um prendedor metálico que costuma presentear a quem o visita e que se tornou marca registrada do seu governo.

Liberal formado na London School of Economics, Santos, de 64 anos, se propôs a por um fim a uma guerra que mina humana e economicamente o seu país que, no entanto, é a democracia mais antiga da América Latina, uma região que durante décadas viveu sucessivos golpes de Estado.

“O que a Colômbia mais precisa é viver em paz, há 50 anos que nos matamos entre irmãos”, disse, em entrevista à AFP antes de ser reeleito.

Da ofensiva feroz à mão estendidaAo longo de décadas, este conflito complexo – que deixou pelo menos 220 mil mortos e mais de seis milhões de deslocados – opôs guerrilhas de extrema-esquerda, paramilitares de extrema-direita, forças militares e cartéis do tráfico de cocaína, da qual a Colômbia é o principal produtor mundial.

Pedaços inteiros do território permanecem coalhados de minas, que nos últimos 15 anos mataram duas mil pessoas e feriram outras nove mil, o que torna o país o mais afetado por este flagelo depois do Afeganistão.

Santos pretende ainda avançar no caminho de uma paz mais completa. Seu governo, inclusive, fez “contatos exploratórios” com a segunda guerrilha do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), com o fim de iniciar diálogos formais com este grupo rebelde de 2.500 integrantes, segundo cifras oficiais.

Procedente de uma família proeminente – seu tio-avô foi chefe de Estado e dono do jornal influente El Tiempo -, este pai de três filhos ocupou vários ministérios, em sucessivos governos com diferentes tendências políticas.

Mas foi na pasta da Defesa que se destacou ao impor uma luta sem trégua contra a guerrilha, sob o comando de seu antecessor de direita na Presidência, o atual senador e principal opositor, Álvaro Uribe.

Assim, entre os feitos de Santos estão a eliminação, em 2008, do número dois das Farc, Raúl Reyes, e a libertação da refém franco-colombiana Ingrid Betancourt. Depois, vieram as operações nas quais caíram o líder militar das Farc, Jorge Briceño (Mono Jojoy), em 2010, e seu líder máximo, Alfonso Cano, em 2011.

Paralelamente, no entanto, o governo de Santos estabeleceu contatos com a guerrilha porque, segundo seu cunhado, Mauricio Rodríguez, um de seus assessores mais próximos, “a paz é seu objetivo”.

“Fez da guerra um meio para alcançar a paz: debilitar as Farc para obrigá-las a se sentar à mesa. Depois dele, será difícil voltar atrás. Ele já venceu esta batalha”, declarou à AFP.

Esta determinação não lhe rendeu só elogios. Uribe, que foi seu padrinho político, chegou a chamá-lo de “traidor da pátria” por esta aproximação com o grupo insurgente ao qual seu governo se opunha ferozmente.

(AFP)

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