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O pai que transformou a história do filho autista e a própria através do jiu-jitsu

Reprodução/Facebook

ipc.digital - publicado em 12/10/16

"Aprendi que a única certeza é que um dia morrerei e a melhor herança que posso deixar são lembranças de momentos vividos"

A história do pai brasileiro que transformou a vida do filho e a sua através do amor e do jiu-jitsu, começa com a sua vinda ao arquipélago japonês. Wilson Tadashi Karawa, 41, é natural de Curitiba-PR. Ele chegou ao Japão em 1991 com a mesma intenção que milhares de outros brasileiros: juntar dinheiro e retornar ao Brasil.

Wil, como é chamado, se casou e constitui família. Da união do Wil com Isa nasceu o Kenzo. Will conta que conforme o filho foi crescendo eles foram notando que Kenzo tinha dificuldades na fala e no aprendizado. Aos 3 anos de idade veio o diagnóstico. “Fiquei sem chão com o resultado!”, relembra Wil. “Não conhecia nada sobre autismo, tinha apenas a opinião formada através de filmes. Não aceitei o diagnóstico de imediato!”, revela com sinceridade.

“A partir disso comecei a procurar a melhor maneiras de ajudar o nosso pequeno. Foi uma reviravolta, troquei de emprego e de cidade, me mudei para Toyohashi (Aichi) por ter uma estrutura melhor para nos auxiliar no tratamento do Kenzo”, conta o pai.
O casal teve a sorte de conseguir uma disputadíssima vaga em uma escola para crianças com necessidades especiais. “Lá nos ajudaram a trabalhar a hiperatividade do Kenzo. Era muito difícil controlá-lo, nós não sabíamos como lidar com aquela situação”, relata Wil.

Como foi o processo de transformação

Wil conta que todo pai sonha ou imagina ver o filho se divertindo e brincando com os coleguinhas, e isso não acontecia com o Kenzo. Ele vivia sozinho no mundo dele.
Revela que foi através do jiu-jitsu que encontrou o caminho para derrubar essa muralha. “O jiu-jitsu mudou essa história! Esse esporte é coletivo. O praticante precisa de um parceiro para treinar e o contato físico é direto o tempo todo. Aos poucos o Kenzo foi se soltando, as crianças começaram a se aproximar dele e ele delas. O tatami foi o lugar que encontrei para que ele pudesse descarregar a hiperatividade. A partir daí tudo melhorou! Acredito que o esporte acrescentou muito na vida dele”, explica o pai.

Mesmo tendo um trabalho pesado como soldador em uma empresa naval, o pai conta que resolveu aprender a arte marcial pra valer só para estar ao lado do filho. Assim, atualmente Wil dá aulas 5 vezes por semana para crianças, sua esposa o ajuda nas classes, leva e busca os alunos, pois alguns pais não tem como levar as crianças para as aulas. “Hoje posso dizer que o amor e a dedicação em torno do Kenzo uniu mais a minha família”, destaca.

Projeto Autismo + Jiu-jitsu = Potencial

Com o apoio da esposa Isa, criamos o projeto “autismo+ jiu-jitsu = potencial”. A campanha é feita com distribuição de patchs com o logo. “Já temos atletas usando nossos patchs em várias partes do mundo. Todo esse processo de produção e distribuição é feito por mim, com recursos próprios. Estimo que já tenha sido distribuído mais de 2 mil patchs. E agora estou em fase de organização para iniciar um novo projeto “jiu-jitsu celebration” onde estarei dando aula gratuitas de jiu-jitsu nos fins de semana para crianças especiais”, conta o pai.

Lembranças do pai

“O meu pai foi um grande homem. Ele faleceu quando eu tinha 8 anos de idade e minha melhor lembrança é que ele fazia qualquer coisa pra me ver sorrindo. É esse tipo de pai que tento ser, pago até mico pra fazer um desejo do meu filho, mas também, cobro, puxa a orelha, e vibro muito com cada conquista do Kenzo”, relata com carinho.

Segundo Wil, para uma criança autista a palavra superação tem um significado diferente. Não tem medidas em atos, podem ser grandes ou pequenos. “Aprendi que o tempo é muito curto, que ontem meu filho era um bebê de fralda e hoje já um pré-adolescente. Então tenho que aproveitar ao máximo e usar esse tempo para viver cada dia. Aprendi que a única certeza é que um dia morrerei e a melhor herança que posso deixar são lembranças de momentos vividos. Quando meu filho estiver adulto e tiver seus próprios filhos ele irá contar que conheceu lugares incríveis, que experimentou sabores novos e diferentes, que ele não se limitou à expectativas impostas a ele e seu pai esteve ao lado dele em todos estes momentos”, fala de coração aberto.

Superações e vitórias do campeão

Em 2014 Kenzo lutou na California, Estados Unidos, e ganhou. Tornou-se oficialmente o primeiro portador de autismo a participar do Pan Kids. E, de quebra, foi o primeiro campeão autista desse evento para “crianças normais”.

Neste ano de 2016 Kenzo se classificou em terceiro lugar. O mérito não foi só esse: a viagem também serviu para ter novas experiências e ampliar os horizontes, relembrar que todo sonho é possível, conta o pai orgulhoso.

Tags:
FilhosPaternidade
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