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Sequestrada, escravizada, torturada, estuprada e forçada a ver o assassinato do próprio filho: ela foi refém dos terroristas do Boko Haram

Captura de tela - Youtube
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“Se tivéssemos matado o seu marido, teríamos recebido a recompensa de Alá. Mas como Alá permitiu que ele fugisse, você e os seus filhos vão trabalhar para Alá”

Se tivéssemos matado o seu marido, teríamos recebido a recompensa de Alá, mas como Alá não permitiu, você e os seus filhos vão trabalhar para Alá”, disseram os terroristas do Boko Haram a Rebeca Zacharia quando a sequestraram.

Ela própria relatou esse momento traumático ao padre jesuíta Gideon Obasogie, diretor de comunicações da martirizada diocese nigeriana de Maiduguri. Em várias ocasiões, foi este sacerdote quem denunciou ao mundo os pavorosos padecimentos dos cristãos naquela região da África, assolada pelos fanáticos do grupo terrorista.

A história de Rebeca Zacharia foi divulgada pela fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre.

Rebeca vivia com o esposo e os dois filhos pequenos quanto tudo aconteceu. Na época, já tinha ocorrido o sequestro massivo de mais de 200 meninas em 2014, um caso que repercutiu fortemente na mídia mundial. Em agosto daquele ano, o grupo terrorista atacou também a cidade de Baga, no nordeste da Nigéria, e, no meio da confusão, a família tentou fugir.

O marido de Rebeca era um dos alvos de captura do Boko Haram. Durante a fuga, ele não podia correr mais rápido porque estava carregado um dos filhos nos braços. Sabendo que os terroristas queriam prender homens para obrigá-los a servir ao grupo, Rebeca pediu que o marido escapasse sozinho e se escondesse. Ela e os filhos, porém, caíram nas garras do Boko Haram. Começava o tormento.

Eles me venderam para um homem chamado Bage Guduma. Fiquei com ele 55 dias. Me davam frutos de palmeiras, mas, graças a Deus, eu não comi nada, porque podia ser um feitiço para me deixar hipnotizada e me fazer perder os sentidos. Na maioria das noites em que ele queria tocar em mim, eu esfregava os excrementos dos meus filhos no meu corpo. Isso o manteve sempre afastado de mim, mas os filhos dele me batiam sem piedade. Me fizeram cavar um buraco durante três semanas até encontrar água. Todo dia me batiam 98 vezes. Fiquei doente durante duas semanas. Eles me tiraram o Jonathan, meu segundo filho, e o jogaram no Lago Chade. Ele morreu afogado”, contou Rebeca, chorando, conforme artigo do jornal chileno La Tercera, que repercutiu as denúncias da Ajuda à Igreja que Sofre.

Rebeca foi depois vendida a outro miliciano do Boko Haram, que a estuprou reiteradamente. Ela ficou grávida. Teve que dar à luz sozinha, sem qualquer ajuda, em meio a dores indescritíveis. O filho foi aceito por ser menino.

Com o passar do tempo, surgiu uma chance de escapar graças à permissão recebida de uma mulher vinculada ao grupo terrorista para visitar uma amiga também refém.

Foi assim que, durante seis dias, Rebeca perambulou até encontrar soldados dos EUA e de Níger, que conseguiram encontrar seu marido.

Fiquei muito feliz de ver a minha mulher, mas o filho me dói na alma. Rogo a Deus que me faça amá-lo”, disse o esposo, em referência ao menino que ela deu à luz no cativeiro depois de ser estuprada.

A história de Rebeca foi publicada justamente no dia em que o grupo terrorista islâmico libertou 21 das 200 estudantes sequestradas em 2014 na localidade de Chibok. Segundo fontes governamentais, elas foram trocadas por quatro prisioneiros do Boko Haram e soltas na fronteira entre a Nigéria e Camarões.

Rebeca não fazia parte do mesmo grupo, mas a história dessas vítimas tem muito em comum. Os padecimentos inimagináveis de Rebeca compõem o mesmo inferno infligido pelos terroristas às demais mulheres sequestradas.

Rebeca e as 21 mulheres recém-libertadas conseguiram sobreviver. Mas e as outras?