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Círculo político de Hillary Clinton arquitetou infiltração ideológica na Igreja católica

John Podesta © Flickr/ Center for american progress action fund
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Objetivo era induzir uma “primavera católica”, incutindo na Igreja “ideias revolucionárias” que a implodissem doutrinalmente

A terceira leva de e-mails vazados recentemente pela Wikileaks compromete o círculo político mais próximo de Hillary Clinton, candidata democrata à presidência dos Estados Unidos. Entre os milhares de e-mails divulgados pela equipe de hackers de Julian Assange, os que mais alimentaram a polêmica são os de John Podesta, diretor da campanha presidencial de Hillary.

Os e-mails publicados apontam que o colaborador mais próximo e mais antigo de Hillary Clinton tem a intenção de fomentar o que chama de “primavera católica”, infiltrando na Igreja ideias revolucionárias que, no fim das contas, a levem a implodir doutrinalmente.

As filtrações, que não foram desmentidas pelos democratas, delatam, ainda, a dubiedade da candidata em relação ao controle de fronteiras e à regulação das finanças. Ela própria afirma que é necessário que os políticos tenham, às vezes, uma postura pública e uma postura privada: uma curiosa distorção dos princípios democráticos norte-americanos para tentar justificar o perjúrio.

Enquanto os conteúdos revelados sacudiram a nação norte-americana, muitos outros países têm preferido guardar um silêncio sugestivo a respeito do escândalo.

 

A Igreja, uma “ditadura medieval”

Os e-mails apresentam uma série de conversas propostas pelo ativista de esquerda Sandy Newman, braço direito de Hillary Clinton, sobre a “revolução” que ele e seu grupo pretendem fomentar no seio da Igreja católica. O próprio assunto da mensagem inicial que ele enviou a John Podesta é explícito: “Início de uma primavera católica? Algumas ideias”.

Sandy Newman, fundador e presidente da organização Voices for Progress, é amigo íntimo do presidente Barack Obama. De origem judaica, ele mesmo admite não saber grande coisa da Igreja e se declara “incapaz” de dirigir a campanha de subversão da doutrina católica. “Mesmo que a ideia não seja uma loucura, eu não estou qualificado para participar dela, nem pensei no modo de espalhar as sementes da revolução, nem em quem poderia plantá-las”.

Ainda assim, ele é direto ao expor sua proposta geral: “Tem que acontecer uma primavera católica, na qual os próprios católicos exijam o fim de uma ditadura medieval e o começo de um pouco de democracia e respeito pela igualdade de gênero na Igreja católica”.

John Podesta o tranquiliza e pede que Sandy confie nele e nos seus amigos, que já criaram organizações explicitamente concebidas para infiltrar-se na Igreja católica a fim de inserir dentro dela uma ideologia “progressista”. No entanto, Podesta avisa que o momento não é ideal para uma revolução total… pelo menos por enquanto:

Já criamos a Catholics in Alliance for the Common Good [Aliança de Católicos pelo Bem Comum] para nos organizarmos em momentos como este. Mas acho que ainda falta liderança para agir agora. O mesmo acontece com a Catholics United [Católicos Unidos]. Como na maioria das ‘Primaveras’, acho que esta aqui vai ter que acontecer de baixo para cima”, escreve Podesta.

 

Católicos tratados com desprezo

A conversa manifesta o desprezo dos progressistas radicais pelos católicos e pela Igreja.

O professor John Halpin, do think-tank democrata Center for American Progress, enviou a Podesta, em 2011, uma mensagem com afirmações agressivas contra o então diretor da rede Fox News, denegrindo a sua fé católica.

Halpin também arremete contra os católicos em geral numa conversa com Podesta e Jennifer Palmieri, diretora de comunicação da campanha de Hillary. “Eles se sentem atraídos por um pensamento sistemático e gravemente retrógrado no tocante às relações entre os sexos e devem ignorar totalmente qualquer ideia de democracia cristã”, julga ele.

A diretora de campanha concorda: “Suponho que eles imaginam que a sua religião é a mais conservadora e aceitável política e socialmente”.

Halpin prossegue, atacando com meras impressões subjetivas e generalizações a respeito de temas que ele próprio afirma que sequer entende: “Eles podem sair por aí soltando suas ideias tomistas e seu princípio de subsidiariedade para parecer sofisticados, mas, na verdade, ninguém entende de que diabos estão falando”.

 

Insulto contra milhões de pessoas

O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Paul Ryan, republicano eleito pelo Estado de Wisconsin, condenou os comentários:

Desdenhar da Igreja católica tachando-a  de ‘gravemente retrógrada’ é um insulto contra milhões de pessoas de todo o país. De qualquer modo, essas declarações revelam a atitude hostil da campanha de Hillary Clinton contra as pessoas de fé em geral. Todos os americanos crentes deveriam considerar com seriedade este assunto e decidir se estes são os valores que queremos ver representados em nosso próximo presidente. Se Hillary Clinton continuar empregando pessoas intolerantes e preconceituosas, fica claro onde estão as prioridades dela”.

 

Os “cavalos de Troia” da revolução

A organização Catholics in Alliance for the Common Good foi fundada por Tom Periello em 2005. Em seu conselho de administração está Fred Rotondaro. Ambos estão ligados ao Center for American Progress, fundado por… John Podesta. Rotondaro advoga regularmente pela ordenação sacerdotal de mulheres.

A Catholics United foi criada em 2005 por dois ativistas democratas, Chris Korzen e James Salt. A organização censurou os bispos que se negaram a dar a comunhão a políticos favoráveis ao aborto e critica rotineiramente o que chama de “tentativa vergonhosa de usar os sacramentos católicos como arma política”.

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