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O que são as aparições de Guadalupe?

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Entre as numerosas aparições marianas ocorridas no mundo inteiro, a de Nossa Senhora de Guadalupe continua sendo uma das mais famosas

Era um códice perfeitamente inteligível para a cosmovisão do indígena. O primeiro destes sinais era a presença da imagem sobre o simples manto de um pobre índio.

A imagem representa uma jovem, mestiça – pelo seu rosto e pela diferença das mãos, uma mais branca e mais fina que a outra, o que significava sua pertença a duas etnias diversas. Na época, as crianças nascidas da união entre um espanhol e uma mulher nativa eram rejeitadas por todos.

Por suas mãos unidas e seus joelhos dobrados como em movimento, Nossa Senhora de Guadalupe está representada em uma postura de oração dançante, a mais alta forma de oração para os náhuas. No seu pescoço, a medalha com uma cruz indica que ela pertence à religião cristã trazida pelos espanhóis. A cor azul do seu manto mostra seu sangue real. Pela inclinação do rosto e seu olhar, Ela é toda atenção benevolente com relação aos que a invocam.

Sobre o seu ventre, o símbolo mais sagrado: a flor de quatro pétalas, Nahui Ollin, manifesta a presença de Ometéolt, o deus-deusa supremo dos náhuas, deidade inacessível, mestre de todas as coisas, em cujo seio os contrários se harmonizam e onde os outros deuses não são, em definitivo, mais que manifestações. A fita que ela carrega na parte superior do abdômen mostra que está grávida, enquanto o cabelo solto significa sua virgindade.

Ainda estando rodeada pelo sol, que lhe confere uma aura luminosa, seu manto está coberto por estrelas: a Virgem reconcilia os inimigos da grande guerra celestial, que obrigava os astecas a alimentar o sol com sacrifícios humanos. É o começo de uma nova era. Seus pés colocados no centro da lua (etimologicamente, “México” é o “umbigo da lua”) indicam onde o Deus supremo que ela carrega quer residir.

Após a aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, a conversão dos índios é massiva e voluntária. Dela nasce o povo mexicano, profundamente católico. A influência da aparição se estende a todo o continente. Até hoje, o caráter extraordinário da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe alimenta a devoção, a pesquisa, os debates e a polêmica.

Depois da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, as conversões se multiplicam em um ritmo que desconcerta os missionários franciscanos. Os nativos chegam inclusive de muito longe para receber o Batismo. Assim, em 1539, nove anos após a aparição, já eram cerca de nove milhões de índios convertidos.

Com relação aos espanhóis, numerosos documentos testemunham a renovação da devoção, que leva muitos deles a ir contemplar a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Ao receber este nome, transcrito exatamente como estava no relato original em língua náhuatl, que era muito valorizado pelos espanhóis e estranho para os índios, a Virgem indicou a todos sua pertença religiosa.

Era tão forte a influência da aparição, que não se limitou somente à nação mexicana, senão que se estendeu a todo o continente. Em 1946, Pio XII a proclamou Padroeira das Américas. E, para o Papa João Paulo II, ela continua sendo “o grande exemplo de evangelização perfeitamente inculturada”. Atualmente, o México já não é indígena ou espanhol, mas mestiço em sua maior parte. Naquela época, as crianças mestiças, objeto de vergonha, eram abandonadas. Com seu aspecto mestiço, significando a união entre os povos, a Virgem mostra que o que para os homens era vergonhoso tinha um grande valor aos seus olhos.

Considerada imediatamente como a origem e a protetora desse novo povo, Ela se tornou o estandarte de diferentes causas ao longo da história do país. Em 16 de setembro de 1810, por exemplo, poucas horas após o “Grito de Dolores” (povoado hoje conhecido como Dolores de Hidalgo, próximo à montanha de Cristo Rei, no estado de Guanajuato), o padre do lugar – “Pai da Pátria”, o sacerdote Miguel Hidalgo y Costilla – pegou uma pintura de Nossa Senhora de Guadalupe do Santuário de Atotonilco e fez dela o estandarte do exército insurgente, convertendo-a em padroeira da independência do México. Casos como este marcam a presença de Maria na vida desta nação, de tal maneira que muitos se referem a Ela como “a Virgem que forjou uma pátria”.

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