Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Domingo 01 Agosto |
home iconAtualidade
line break icon

América Latina, uma região ignorada na campanha presidencial americana

© Craig Cloutier

Agências de Notícias - publicado em 06/11/16

Após mais de um ano de discursos e debates, a campanha presidencial nos Estados Unidos chega ao fim sem que nenhum candidato tenha expressado uma ideia geral sobre a forma como o futuro governo se relacionará com a América Latina.

Esta região do mundo com uma população de mais de 600 milhões de pessoas e que possui laços históricos e comerciais com os Estados Unidos foi praticamente ignorada na campanha, com a notável exceção das grosserias proferidas por Donald Trump.

Em determinados momentos, especialmente nos debates, o candidato republicano e sua rival, Hillary Clinton, falaram até cansar sobre a catástrofe na Síria, o futuro do Iraque, as relações entre israelenses e palestinos ou o que fazer com Rússia e Irã.

Mas a crítica situação humanitária no Haiti, o êxodo migratório centro-americano, a consolidação de um processo de paz na Colômbia, a interminável crise política na Venezuela, a instabilidade no Brasil ou a proximidade com o novo governo na Argentina foram temas sequer mencionados por Trump ou Hillary.

Apenas o México conseguiu um lugar privilegiado na campanha, e da pior forma possível. Trump lançou sua candidatura ditando o tom de sua postura sobre os imigrantes, ao dizer que muitos mexicanos eram estupradores e que se propunha a construir um gigantesco muro na fronteira com o México.

Trump também propôs revisar todos os acordos comerciais dos Estados Unidos – em especial o que o país mantém com Canadá e México -, outra declaração que acendeu o alerta no subcontinente.

– Reversão em Cuba – Durante um ato na Flórida, Trump afirmou que pretende reverter o curso da política de reaproximação com Cuba, iniciada pelo presidente Barack Obama em 2014, mas sua visão política da região não passou disso.

No fim de agosto, o governo do México arriscou ao convidar Trump e Hillary para reuniões, talvez com a esperança de que a candidata democrata aceitasse o desafio e que o polêmico milionário o rejeitasse.

A aposta não poderia ter sido mais desastrosa: Hillary simplesmente ignorou o convite e Trump terminou fazendo uma coletiva de imprensa junto ao presidente Enrique Peña Nieto, como se fossem dois presidentes em exercício.

A poucos dias da eleição, o site oficial da campanha de Hillary inclui uma versão em espanhol, mas em nenhum lugar é explicada a visão de política externa de uma candidata presidencial que já foi secretária de Estado.

Enquanto isso, o site da campanha de Trump inclui uma seção sobre política externa, mas ela está dedicada a temas como a necessidade de derrotar o grupo Estado Islâmico e “vencer a ideologia terrorista do radicalismo islâmico”.

Para Michael Shifter, presidente do Inter America Dialogue, em Washington, este quadro é resultado de uma campanha “que esteve vazia de ideias políticas e que foi impulsionada por slogans e frases de efeito”.

Por sua vez, Lisa Haugaard, do centro Latin America Working Group (LAWG, em Washington), concordou que “não ocorreram, na realidade, discussões profundas e sofisticadas sobre nenhum tema de política externa nesta campanha”.

Inclusive as discussões sobre outras regiões do país, comentou a especialista, abordaram a discussão do ângulo das ameaças aos Estados Unidos, e não do ponto de vista da diplomacia.

– O vácuo ou a continuidade -No entanto, esta ausência de discussão não é necessariamente uma coisa a ser lamentada. Para Shifter, “diante da sordidez e do baixo nível da campanha, a maioria dos governos da América Latina deve estar aliviado por ficar de fora do radar e não ter atraído as atenções”.

Neste cenário, os analistas têm dificuldades para delinear um mapa de como seria a política dos dois candidatos em relação à América Latina, particularmente em relação a Trump.

Haugaard disse à AFP que as ideias de Trump para a região são “um vazio”. Shifter, por sua vez, afirmou que “não há qualquer evidência de que Trump tenha se dedicado a pensar, de nenhuma forma, em como se relacionar com os desafios da região, nem com a nova paisagem política”.

Na visão de Shifter, Hillary representa “essencialmente a continuidade da abordagem do governo de Obama para a América Latina”, embora a retórica de Trump já tenha “provocado danos” à relação do México com os Estados Unidos, danos que, “aconteça o que acontecer no dia 8 de novembro, precisarão de tempo para ser reparados”.

Haugaard, por sua vez, concorda que a política externa de Hillary para a região seria a continuidade da política de Obama – com base na reaproximação e no diálogo -, mas admitiu que algumas mudanças serão necessárias.

“Hillary buscará estender a política de Obama na região, mas também fazer mais. No Haiti claramente seguir a política de Obama não é suficiente. É preciso fazer mais e algo melhor. Pode-se dizer o mesmo com relação à América Central”, comentou.

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Top 10
1
SIMONE BILES
Cerith Gardiner
Simone Biles deixa as Olimpíadas com uma lição importante para to...
2
Batizado de Davi Henrique, 6 anos
Reportagem local
Davi, de 6 anos, reclama do padre no batizado: “Tá sabendo ...
3
Ítalo Ferreira
Reportagem local
Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira rezou todos os dias às 3h...
4
HIDILYN DIAZ
Cerith Gardiner
Olimpíadas: depois de ganhar o ouro, atleta exibe outra medalha e...
5
David Arias
Reportagem local
Ex-satanista mexicano retorna à Igreja e testemunha: “O ter...
6
Claudio de Castro
Como salvar nossas almas nos últimos minutos antes da morte
7
Pessoa idosa rezando o terço
Reportagem local
Brasil: carta de despedida de bisavó de 96 anos comove as redes s...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia