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Participação em apostas ou jogos de sorte são permitidos para um cristão?

© Robert Lessmann / Shutterstock

Canção Nova - publicado em 18/11/16

Apostas e jogos de sorte são formas de lazer. Porém, a pergunta é se essas práticas são convenientes ou não

Apostas e jogos de sorte são uma realidade no meio social, pois a diversão, o lazer e o entretenimento, nas suas várias expressões, fazem parte de uma das dimensões do ser humano. Porém, a pergunta é se essas práticas são convenientes ou não.

Diante do que a Igreja ensina sobre apostas e jogos de sorte ou azar, sendo essa uma questão complexa, um aspecto imprescindível é destacar o abandono e a confiança na Providência de Deus, que rege todas as coisas e deve ter a primazia na vida de todo ser humano. Também é preciso a todos disposição e empenho para o trabalho que “pode ser um meio de santificação” (CIC 2427), que não deve ser descartado frente a possíveis acomodamentos por motivos fúteis.

O que a Igreja ensina

O Catecismo da Igreja Católica, em sua terceira parte, na segunda seção sobre os dez mandamentos, que trata do sétimo mandamento “não roubarás” (Mateus 19,18), traz as direções sobre os jogos de sorte e apostas, ou seja, se são convenientes ou não, e os riscos que tais práticas podem trazer quando excedem e causam dependência nas pessoas.

O Catecismo da Igreja diz:

“Os jogos de azar (jogos de carta etc.) ou apostas em si não são contrários à justiça. Tornam-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa daquilo que lhe é necessário para suprir suas necessidades e as dos outros. A paixão pelo jogo corre o risco de se transformar em uma dependência grave. Apostar injustamente ou trapacear nos jogos constitui matéria grave, a menos que o dano infligido seja tão pequeno, que aquele que o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo (CIC 2413)”.

Perante esse ensinamento do Catecismo, verifica-se que os jogos de sorte ou apostas, por eles mesmos, não são um problema para os princípios conceituados justos. Entretanto, essa prática torna-se inadmissível quando inflige valores primordiais da vida e seus direitos inalienáveis, ao priorizar mais as coisas secundárias.

Exemplos de incoerência:

Um pai de família que deixa de comprar o necessário para sua casa se manter com dignidade e gasta seu dinheiro com jogos de sorte e apostas está dando prioridade ao que é secundário. Outra situação é quando uma pessoa, devido a sua exagerada frequência nos jogos e apostas, acaba viciando-se nessas práticas e deixa de fazer as coisas realmente necessárias em sua vida, como cuidar da própria saúde, cumprir com responsabilidades familiares e sociais.

Outro risco é acreditar mais em apostas e jogos de sorte do que no próprio Deus, o que pode interferir tanto na espiritualidade da pessoa quanto no seu equilíbrio na vivência social. Com efeito, o vício provoca a perda da liberdade de filho de Deus e dos princípios básicos do Evangelho.

Assim, é importante ter claro que o ser humano também deve trabalhar para sua sobrevivência, pois, em Gênesis 3,17, ao falar sobre a terra, diz que o homem “tirará dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida”. Ou seja, não se deve confiar o sustento às apostas e jogos.

Postura coerente frente a essa realidade

Diante da participação de apostas e jogos de sorte, conforme a Igreja ensina, é importante que cada um saiba analisar suas próprias limitações e intenções por trás de cada prática, para não se viciar, ou optar sempre por aquilo que pode ser supérfluo. Com isso, se for por simples diversão, sem resquício de vícios e com uma consciência moral reta, não haverá problemas nesse sentido.

Uma forma de não incorrer em riscos relacionados ao excesso de jogos de sorte, cartas e apostas é perceber como e o quanto estamos envolvidos, se temos o domínio sobre nós mesmos para dizer sim e não na hora de começar e na hora de parar.

Assim, o que precisa reger nossa vida é a Providência de Deus, tanto na parte material quanto a promoção de divertimentos que sejam saudáveis para o corpo e a alma. Já que, na vida do cristão, “procura-se ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo” (CIC 2401).

O básico e necessário sempre nos será concedido pelo Senhor por meio da Sua Providência junto ao nosso esforço e trabalho, pois Jesus nos garante: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mateus 6,33).

(via Canção Nova)

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