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Famílias tentam fugir de bairros sitiados de Aleppo

<p>Família de refugiados sírios de Aleppo em barraca no distrito Uskudar de Istambul, em 8 de março de 2014</p>

Agências de Notícias - publicado em 23/11/16

Uma centena de famílias tentava fugir da parte sitiada de Aleppo, enquanto as tropas do governo continuam avançando nesta área rebelde da segunda cidade da Síria, que querem reconquistar a qualquer preço.

Em meio à impotência internacional diante da determinação de Damasco e seus aliados russo e iraniano de acabar com toda a resistência de Aleppo, a França anunciou que irá reunir em dezembro os países ocidentais e árabes que apoiam a oposição síria.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, disse que era “urgente reagir” depois que o governo de Bashar al-Assad lançou há mais de uma semana uma grande ofensiva para reconquistar o leste de Aleppo, onde 250.000 civis estão sitiados.

Nesta parte, “uma centena de famílias se juntou na terça-feira à noite perto da divisão entre os bairros Bustan al-Basha (rebelde) e Sheikh Maqsood “, indicou à AFP Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Sheikh Maqsood é uma região ao norte da cidade nas mãos das forças curdas, que não apoiam nem o regime nem os rebeldes. Ela está localizada entre o oeste de Aleppo, sob o comando do governo, e a parte leste, controlada pelos rebeldes.

“Mas quando os civis tentavam passar para o outro lado, escutaram disparos”, indicou Abdel Rahmane, que afirma se basear em fontes presentes no local.

“Reféns e escudos humanos”Autoridades governamentais de Aleppo informaram que dez pessoas passaram na noite de terça-feira aos bairros do oeste da cidade, em um comunicado publicado no Facebook, que não detalhou como os civis conseguiram ir para o outro lado.

O governo sírio acusou na terça-feira os rebeldes de reterem 250.000 civis do leste de Aleppo para “utilizá-los como reféns e escudos humanos”.

Determinado a qualquer preço conseguir a rendição da parte rebelde da cidade, cujo controle perdeu em 2012, o governo lançou panfletos pedindo aos rebeldes que deixassem a cidade, mas que permitissem que “os civis que desejassem partir” também o fizessem.

“Desejam utilizá-los como reféns e escudos humanos”, afirmou o Exército.

Um grupo rebelde questionado pela AFP, Noredin al-Zinki, refutou as acusações qualificando-as como “boatos” espalhados pelo governo de Damasco.

“Essas informações não têm nada a ver com a realidade (…) O governo tenta a qualquer preço espalhar boatos para conter a determinação dos revolucionários e de quem os apoiam no seio da população de Aleppo”, assegurou Yaser al-Yusef, do escritório político do grupo.

Há mais de uma semana, o Exército avança rapidamente no bairro de Masaken Hanano, o qual controla “quase metade”, segundo Abdel Rahmane.

A tomada de Masaken Hanano permitiria ao governo cortar a parte rebelde de Aleppo em duas, isolando o norte do sul.

Dezenas de vítimas civisNo total, 143 civis, incluindo 19 crianças, morreram no leste de Aleppo em uma semana, e outros 16 civis, entre eles 10 crianças, morreram no oeste da cidade, como consequência dos disparos de rebeldes, segundo o OSDH.

O avanço das forças governamentais aumenta o desespero da população dos bairros nas mãos dos rebeldes em 2012. Seus habitantes não têm recebido abastecimentos de alimentos e nem são socorridos há mais de quatro meses.

O chefe das operações humanitárias da ONU, Stephen O’Brien, também denunciou o cerco de Aleppo, cujos habitantes “estão isolados, famintos, e estão sendo bombardeados para obrigá-los a se renderem ou fugir”.

“É uma tática deliberada, uma forma cruel de castigo coletivo”, sentenciou.

O Exército russo afirmou ter provas de que os rebeldes de Aleppo utilizam armas químicas e ofereceu fornecê-las à Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq).

A guerra na Síria, que já matou mais de 300.000 pessoas desde 2011, não parece mobilizar o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em entrevista na terça-feira ao New York Times, Trump se limitou a dizer que, sobre a Síria, ele tinha “uma perspectiva diferente da de todo mundo”.

(AFP)
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