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Escolhendo o perdão, mesmo quando se trata de aborto

Sasha Bell | Getty Images

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Chaunie Brusie - publicado em 28/11/16

Embora me machuque agora quando eu olho para minha filha de oito anos, a verdade é que o aborto foi uma das primeiras coisas que eu considerei quando eu descobri que estava grávida

Quando eu descobri que estava grávida no último ano da faculdade, precisamente dois pensamentos vieram à minha mente: 1) a minha vida acabou e 2) ninguém jamais precisa saber.

Embora me machuque agora quando eu olho para minha filha de oito anos, seus grandes olhos azuis brilhantes e curiosos, ela balançando seu cabelo loiro, a verdade é que o aborto foi uma das primeiras coisas que eu considerei quando descobri que estava grávida – apesar do fato de que eu sempre fui a favor da vida. Eu nunca realmente entendi o que significava tomar essa decisão de manter uma gravidez, e, pela primeira vez, eu vi o quanto uma gravidez não planejada pode mudar a maneira como uma mulher pensa. Eu estava tão em pânico, tão desesperada e cheia de medo que a única coisa que eu pensava era, de alguma forma, me salvar.

Dentro da situação de crise ou gravidez não planejada, quando você está em dificuldade financeira, ou na pior situação possível, você não pensa em trazer um bebê ao mundo, seus pensamentos se voltam sobre a questão do aborto, porque uma gravidez não planejada muda tudo sobre a forma como você pensa.

As mulheres que escolhem o aborto nem sempre estão fazendo isso porque são más. Elas podem, em algumas das situações mais difíceis que podemos imaginar, ser coagidas a fazer o aborto, ou podem sentir que não têm outros meios para sobreviver. O aborto é sempre uma situação complicada – o Papa Francisco descreveu como uma “provação existencial e moral” e disse que “conheceu muitas mulheres que carregam em seu coração a cicatriz desta decisão angustiante e dolorosa”. Felizmente, o Papa Francisco é um exemplo para todos nós, no perdão e na misericórdia, ao permitir que as mulheres que fizeram abortos serão recebidas na Igreja com braços abertos se elas estiverem buscando a reconciliação.

Em uma nova carta apostólica, o Papa Francisco concede aos sacerdotes, e não apenas bispos ou confessores especiais, o poder de absolver as mulheres do pecado do aborto. O Papa Francisco forneceu aos sacerdotes esse poder de perdoar o aborto como parte do Ano da Misericórdia, mas agora ele ampliou esse direito por tempo indeterminado.

“Com todas as minhas forças, digo que o aborto é um pecado grave, porque coloca fim a uma vida inocente”, afirmou o papa. “Mas peço aos sacerdotes que sejam guias e deem apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes”, ressaltou o líder católico “Para que nenhum obstáculo se coloque entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo, a partir de hoje, a todos os sacerdotes, na força de seus ministérios, a faculdade de absolver os que os procuram pelo pecado do aborto”, determinou Francisco.

Em uma tradição de fé que foi iniciada com Jesus literalmente abraçando os membros mais marginalizados da sociedade, incluindo os mais graves pecadores de seu tempo, é muito apropriado que a Igreja Católica encoraje as mulheres que querem o perdão para o aborto a buscar a reconciliação.

E suas ações vão além de simplesmente dar aos sacerdotes o poder de absolver o pecado – suas ações são sobre abraçar as pessoas que experimentaram o isolamento dentro da Igreja. O aborto é um tema extremamente carregado e sensível e, como diz Katie D’Annunzio, da Rachel’s Vineyard, trata-se de ajudar as mulheres que fizeram abortos se sentirem verdadeiramente bem-vindas de volta à Igreja. “A Igreja tem tido a capacidade de perdoar estas mulheres, mas muitas destas mulheres têm dificuldade em perdoar a si mesmas”, disse ela. “Esta divulgação do Papa está dizendo ‘Não se isole, volte para a Igreja’”.

Mesmo não tendo vivido o drama de fazer um aborto, meus olhos se abriram para a vergonha e o isolamento que uma gravidez não planejada pode trazer. Sou grata por ter conseguido a ajuda e o apoio de que precisava para me tornar mãe, e espero que este movimento da Igreja encoraje as mulheres, não importa o seu passado, a descobrir o apoio e boas-vindas de uma religião que irá recebê-las de braços abertos.

Tags:
AbortoBebêsCriançasGravidezPerdãoVida
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