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Choram os céus sobre Chapecó

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"Rorate caeli desuper et nubes pluant Iustum"

Poucos símbolos são mais eloquentes e poéticos que a chuva, nem mais ricos em significados aparentemente contraditórios.

Assim como a água e o fogo, a chuva é símbolo de vida e de morte, de força e impotência, de renascimento e agonia, de alívio e de angústia, de beleza e horror. Como no ciclo da vida, as faces da chuva se misturam, se confundem, unificando-se, intercalando-se.

A mesma chuva que caía na Colômbia no momento da tragédia, dificultando os esforços de resgate, cai agora em Chapecó no momento da despedida, como quem se une às lágrimas para lavar as almas. Sempre se repete este clichê, mas é inevitável, porque profundamente espontâneo: é como se os céus também chorassem.

 

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CHORAI, Ó CÉUS

Estamos no período litúrgico do Advento, o tempo da espera pela vinda do Salvador, que culminará no Natal com o nascimento de Jesus. E um dos cânticos mais belos e sublimes não só do Advento, mas de todo o repertório litúrgico da história do cristianismo, é o “Rorate Caeli“, cujo refrão, que vem do livro do profeta Isaías (45, 8), suplica:

“Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho;
que as nuvens façam chover a vitória;
abra-se a terra e brote a felicidade
e, ao mesmo tempo,
ela faça germinar a justiça!
Sou eu, o Senhor,
a causa de tudo isso”.

Inspirado pelos clamores do Antigo Testamento para que Deus nos resgatasse e nos mandasse o Messias, o “Rorate Caeli” representa magistralmente o espírito de súplica e expectativa do Advento. O espírito de espera e confiança na promessa de Deus.

Sirva-nos este hino de consolo e força neste momento de espera. E de chuva que chora conosco.

 

RORATE CAELI

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Ne irascáris Dómine, ne ultra memíneris iniquitátis
Ecce cívitas Sancti facta est desérta
Sion desérta facta est, Jerúsalem desoláta est.
Domus sanctificatiónis tuae et gloriae tuae
Ubi laudavérunt Te patres nostri.
(Não vos ireis, Senhor, nem vos lembreis da iniquidade.
Eis que a cidade do Santuário ficou deserta:
Sião tornou-se deserta; Jerusalém está desolada.
A casa da vossa santificação e da vossa glória,
Onde os nossos pais vos louvaram)

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Peccávimus et facti sumus tamquam immúndus nos,
Et cecídimus quasi fólium univérsi
Et iniquitátes nostrae quasi ventus abstulérunt nos
Abscondísti fáciem tuam a nobis
Et allisísti nos in mánu iniquitátis nostrae.
(Pecamos e nos tornamos como os imundos,
E caímos, todos, como folhas.
E as nossas iniquidades, como um vento, nos dispersaram.
Escondestes de nós o vosso rosto
E nos esmagastes pela mão das nossas iniquidades)

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Víde, Dómine, afflictiónem pópuli tui
Et mitte quem missúrus es
Emítte Agnum dominatórem terrae
De pétra desérti ad montem fíliae Sion
Ut áuferat ipse jugum captivitátis nostrae.
(Olhai, ó Senhor, para a aflição do vosso povo,
E enviai Aquele que estais para enviar!
Enviai o Cordeiro dominador da terra
Da pedra do deserto ao monte da filha de Sião
Para que Ele retire o jugo do nosso cativeiro)

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Consolámini, consolámini, pópule meus
Cito véniet salus tua
Quare moeróre consúmeris, quia innovávit te dolor?
Salvábo te, noli timére
Ego énim sum Dóminus Deus túus Sánctus Israël, Redémptor túus.
(Consola-te, consola-te, povo meu,
Em breve há de vir a tua salvação!
Por que te consomes na tristeza, se a dor te renovou?
Eu te salvarei, não tenhas medo!
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
o Santo de Israel, o teu Redentor)

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

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