Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia
María Álvarez de las Asturias
Como ajudar um casal que se separou?
Padre Reginaldo Manzotti
Oração para pedir luz ao Senhor
Padre Reginaldo Manzotti
5 lições de vida para ser feliz
Prosa e Poesia
Os recomeços
Vatican News / Redação da Aleteia
Papa aos juízes: não buscar interesse pessoal

O marido tem amnésia; o filho, paralisia cerebral; o pai é doente. E ela sorri e cuida de todos!

María Ángeles - Arquivo Familiar
Compartilhar

"Lá fora há verdadeiras cruzes. Não a minha. Você pede ajuda de Deus e Ele devolve tarefas. Mas são recompensadoras"

No dia 24 de agosto, o coração de Agustín parou. Quando voltou a bombear o sangue, ele era “um homem novo”… mas sem lembranças da própria vida.

Maria Ángeles é sua esposa e sua apóstola: todos os dias, ela volta a lhe apresentar Jesus, o Jesus que o tinha conquistado várias décadas antes, num Cursilho de Cristandade, realidade eclesial em que o casal era coordenador, na Espanha.

Ángeles zela também pela fé dos seus filhos –o mais velho, que também se chama Agustín, tem paralisa cerebral. E ainda cuida do pai enfermo, que vive com eles.

Ela agora tem mais tempo, porque, em julho, ficou desempregada…

Ángeles lê a própria vida à luz da esperança: “Agora eu posso ir aos médicos com tempo”. Nas impactantes palavras dela, ressoam as de São Paulo: “Para os que amam o Senhor, tudo é para o bem”.

Estar com Maria Ángeles é conhecer a mulher forte da Escritura. Ela fala em ritmo pausado. Enquanto sorri –e ela não para de sorrir–, as lágrimas escapam com suavidade. Intui-se que são suas companheiras de caminho – e, pelo menos em parte, as responsáveis por seus olhos grandes e profundos lerem a vida com tanta clareza.

No dia 24 de agosto, seus amigos receberam esta mensagem:

Agustín pai sofreu um infarto muito severo. Por favor, rezem para que a vontade de Deus seja cumprida e, se for possível, para que possamos continuar nos alegrando com a presença dele”.

Ela mesma nos conta um pouco da sua história nesta conversa:

Ángeles, como aconteceu esse instante de luta entre a vida e a morte?

Nós estávamos viajando de trem para Barcelona quando ele sofreu a parada. Ficaram 40 minutos tentando reanimá-lo. No começo ninguém conseguia nos ajudar e, por isso, eu liguei para a minha cunhada que é médica. Um estudante de medicina foi nos auxiliando. Depois chegou a equipe de socorro e tentaram duas vezes, mas sem resultado. Eles diziam: “Não vale a pena. Se ele acordar, como é que vai ficar?”. Eu respondi: “Por favor, eu tenho um filho com paralisia cerebral, sei bem como ela é, ela não me assusta. Tentem! Nós somos uma família, precisamos dele! Tentem!”.

E eles conseguiram?

Conseguiram. Eu rezava: “Ele está meio morto, mas, Senhor, será que Tu podes querer o que eu quero?”. E… Bom, nosso Senhor é fiel!

Você diz que pensa na cananeia do Evangelho, quando ela pediu piedade a Jesus porque a filha sofria…

Me disseram que ele não chegaria vivo ao hospital. Por isso, toda a minha atenção foi para preparar a minha filha. Eu disse a ela: “Maria, estamos chegando de uns dias de férias muito especiais, em que o papai e eu conversamos muito sobre vocês. Ele me falou do quanto está orgulhoso de vocês! Sempre achamos que o melhor da nossa vida são vocês. Que presente! Quando Deus o chamar, o papai vai ir direto para o céu”. O nosso filho mais velho, que tem paralisia cerebral, é muito unido ao pai. Ele agora está sofrendo mais ainda e sem entender muito. Para nós, tudo isso não é uma cruz, é um presente, no fim das contas, porque vai obter o melhor de nós. Eu sei que tudo isso vai obter o melhor da Maria, que tem que servir às pessoas. E o Agustinillo… é uma vida partida, e com ela não há problema, porque ele vai para o céu direto.

Como foram esses dias?

Nas orações com o Agustín, eu colocava o crucifixo na mão dele e dizia: “Cristo conta com você, mas nós também, Agus. Se você puder, aguente!”. Nós também contamos com os nossos amigos e com a comunidade. Celebramos a Eucaristia no hospital. O sacerdote colocou nos lábios dele uma gotinha do Sangue de Cristo. Foi impressionante contemplar toda a vida de Deus no meu marido em coma.

E agora?

O Agustín tem amnésia. Ele não se lembra de quem é, da sua história. Ele é um advogado brilhante, com uma cultura extraordinária, muitas habilidades sociais e uma fé profunda! E não sabe quem é. Nem se lembra da sua experiência de Deus… Como somos pouca coisa! E, mesmo assim, toda uma vida! Eu fico tremendo quando penso: “Senhor, como é que eu faço para que ele volte a saber de Ti?”.

Em que você se agarra quando ele olha para você e não a vê?

É uma cruz. É muito duro que ele não me reconheça. É um sofrimento ele perguntar à nossa filha quem ela é. Mas Cristo está aqui. Eu peço consolação e Ele responde. É uma oportunidade para voltar a construir o que não estava sólido. Eu uno a minha cruz à de Cristo para a salvação do mundo. Lá fora há verdadeiras cruzes. Não a minha. Você pede a ajuda de Deus e Ele devolve tarefas. Mas são recompensadoras. O nosso preço é esse.

__________

Rocío Solís, em Alfa y Omega

Aleteia Top 10
  1. Lidos