Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

A arrepiante Trégua de Natal que juntou inimigos alemães e ingleses na 1ª Guerra Mundial

Compartilhar

Não se ouviu sequer um tiro naquele histórico Natal

Era 24 de dezembro de 1914. O mundo sangrava em sua inacreditavelmente estúpida e fútil Primeira Guerra Mundial. Soldados alemães e britânicos, em lados inimigos, lutavam ferozes na frente ocidental.

Naquela véspera de Natal, porém, algo inesperado aconteceu: a tropa alemã começou a decorar a sua trincheira e a cantar o clássico natalino “Stille Nacht“, que nós conhecemos como “Noite Feliz“.

Surpresa, a tropa britânica respondeu com outras canções de Natal em inglês. As balas, naquele momento impactante, estavam sendo trocadas por louvores a Deus!

O episódio entrou para a História da humanidade como a Trégua de Natal de 1914, recordada assim pelo sargento britânico Bernard J. Brooks:

Na última hora da tarde, os alemães se voltaram alegres, cantando e gritando, e disseram em inglês que, se nós não disparássemos, eles também não disparariam. Acenderam fogueiras, se sentaram ao redor do fogo e começaram a cantar”.

A alegria daquele momento inédito era tamanha que os soldados de lados inimigos decidiram se reunir em pleno local de batalha para trocar presentes, que, no caso, eram itens que parecem suavizar de alguma forma o horror de se estar no meio de uma guerra: whisky, cigarros e chocolates.

Os soldados aproveitaram a paz inesperada dessa véspera histórica de Natal para jogar uma partida de futebol! O tenente alemão Johannes Niemman relata:

Eles (os britânicos) fizeram a sua trave com uns chapéus esquisitos e nós fizemos a mesma coisa. Não foi fácil jogar num lugar congelado, mas isso não nos impediu. Respeitamos as regras do jogo, apesar de que a partida durou só uma hora e não teve árbitro”.

Em dezembro de 2014, os 100 anos deste acontecimento histórico ímpar foram celebrados pela UEFA, a União das Federações Europeias de Futebol. A entidade afirmou que “a cerimônia de comemoração deve prestar homenagem aos soldados que, há um século, expressaram a sua humanidade numa partida de futebol, escrevendo um capítulo na construção da unidade europeia. Eles são um exemplo a ser seguido pelos jovens de hoje”.

Voltando a 1914: durante todo o dia 25 de dezembro, Natal de Jesus Cristo, a paz entre aquelas tropas inimigas prosseguiu. Não se ouviu sequer um tiro naquele dia de Natal. Os soldados aproveitaram a trégua para enterrar seus companheiros mortos e chorar juntos as perdas humanas.

Conta-se ainda que, durante aquele enterro coletivo, soldados alemães e britânicos leram juntos o Salmo 22:

O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar.
Conduz-me junto às águas refrescantes,
restaura as forças de minha alma.
Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei,
pois estais comigo.
Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos.
Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me
por todos os dias de minha vida.
E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

O vídeo acima, que fará você chorar, é uma reconstituição desse episódio que demonstra que a humanidade, quando quer, consegue se lembrar de que é humana.