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Uma resposta às mulheres estéreis que se sentem fora das conversas sobre maternidade

© PublicDomainPictures

Annabelle Moseley - publicado em 27/12/16

O fato de não ter filhos biológicos não exclui vocês dessas discussões

Não existe vocação maior do que a maternidade. E nenhuma mulher está excluída dessa vocação. Há pouco tempo, escrevi uma carta aberta a um grupo de mulheres que agora, depois de vários anos, se arrependeram de ter tido filhos; uma carta que tentava trazer paz. O caso é que, em alguns comentários sobre o artigo, apareceu o tema das mulheres que têm problemas de infertilidade e surgiram dúvidas sobre o significado disso para elas.

Se você não pode ter filhos biológicos, precisa saber de uma coisa: você está marcada com um propósito muito especial – o de usar seu gênio feminino e ser mãe em um universo em que muitos se sentiram abandonados por sua mãe ou, talvez, tenham perdido suas mães e desejam a orientação e a perspicácia que só você pode dar.

Duas das melhores mães que eu conheci são freiras. Não, elas não têm filhos biológicos. Na verdade, eu as considero mães terrenas de meu espírito e busco seus conselhos, peço orações e, com suas palavras, elas podem alegrar o meu dia e me fazerem sentir tão ligeira e segura como uma menina brincando no jardim.

Mas, o que acontece com a mulher que não pode engravidar? O que acontece com a mulher que nunca se casou? E a freira?

Desde o começo, a maternidade implica uma abertura especial à nova pessoa. Nessa abertura, a mulher se descobre através de um dom sincero próprio.

Cada uma das mulheres que eu mencionei é uma mulher bonita, cheia de significado e propósito. Sim, tanto significado e propósito como uma mulher que tenha dado à luz um filho.

E o que faz delas mulheres especiais é o que se denomina “gênio feminino”, um conceito glorificado através dos ensinamentos de são João Paulo Segundo, em sua Carta às Mulheres.

Em sua Carta Sobre a Dignidade e a Vocação das Mulheres, João Paulo II escreve: “A maternidade, já desde o começo, implica uma abertura especial para a nova pessoa (…) Na referida abertura (…) a mulher se descobre através de um dom que é próprio dela.”

Todas as mulheres podem empregar este mesmo genio feminino para oferecer um “dom sincero de si”, como mães adotivas ou mães espirituais. E também como influenciadoras maternais que podem tocar vidas, inexoravelmente, na família, na comunidade, na igreja ou no trabalho.

Uma freira que eu conheço, irmã Theresa, é uma irmã capuchinha enclausurada. Eu a conheci como diretora de um encontro sobre casamento e família. Nem por um segundo questionei se uma monja poderia ser um modelo tão poderoso para mim nesse aspecto. Ela nos falou da admiração que sentia por mães e esposas que poderiam influenciar e cuidar das gerações seguintes.

Vi que sua ternura e suas orações constantes e pacientes eram tão úteis para o mundo como as de qualquer outra mãe. Depois do encontro, começamos uma amizade epistolar que vem florescendo com os anos. Quando minha família passava por dificuldades, ela rezava por nós com carinho, e eu recorria a ela com a mesma confiança de uma filha. Ela é uma mãe.

Outra freira, irmã Maureen, é diretora de uma escola fundamental católica. Creio que ela seja mãe de milhares de pessoas. Ela se envolve pessoalmente com cada criança e com os problemas de suas famílias. Com sua combinação de coragem e fortaleza, demonstra seu gênio feminino todos os dias. Eu conheço muitas pessoas, inclusive eu, que recorremos a ela nos momentos complicados. E todos saímos cheios de conselho e amor. Ela é uma mãe.

Sou amiga de uma mulher leiga, Ruth, que não se casou. Ela é uma tia brilhante e seus sobrinhos e sobrinhas sempre recorrem a ela – ao invés de procurar seus próprios pais – para certos conselhos. E não é só isso. Ela me contou que, precisamente por não ter filhos próprios, ela pode se permitir a dedicar muitíssimo tempo adicional ao seu ministério, um tempo extra do qual não disponibilizaria se tivesse uma família em sua casa para cuidar. Sem sombra de dúvidas, ela é a família das pessoas solitárias e perdidas que ela ajuda através de seu compromisso com a Igreja. Seu amor salva vidas. Ela é uma mãe.

Minha avó paterna não podia ter filhos biológicos. Adotou meu pai e ele a amava com paixão; dizia que ela era duplamente especial por ter escolhido criar um filho que não era seu por nascimento. Meu pai se maravilhava diariamente pelos sacrifícios que ela enfrentava, por como ela chegou a criar um lar para ele e lhe entregar o seu coração. Ela exerceu seu gênio feminino e, por cima da dor de não poder engravidar, deu a maior das felicidades para os bebês que adotou. Não sei o que seria de meu pai se não fosse o coração maternal de minha avó.

Se a incapacidade ou as circunstâncias lhe impedem de dar à luz, você tem que levar algo em conta: o que poderia ser sua cruz também é o seu maior potencial, uma vocação para chegar a estas crianças que já estão no mundo e que precisam da beleza, do amor e da maternidade espiritual que só você pode dar.

Seja através da adoção, de se tornar mentora, de se unir a um ministério em sua igreja, de se aproximar de uma pessoa solitária em seu trabalho ou desenhando uma comunidade de trabalho pela paz, pela alegria e pela aceitação; seja qual for a forma, será como dizia o santo papa João Paulo II: “um serviço de amor”.

Deus as abençoe, mães espirituais. Nós amamos vocês, precisamos de vocês e demos graças a Deus por vocês. Seus filhos de todas as idades estão aqui, esperando o cuidado que somente vocês podem dar.

Tags:
FilhosGravidezMaternidade
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