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Facebook: o mercado das carências

Obvious - publicado em 05/01/17

Alguns minutos perdidos entre as barras de rolagem do Twitter, Instagram e Facebook, são suficientes para nos mostrar como somos uma geração carente

Que passamos por uma era de urgências, e tramas existências que se perdem ao longo de um horizonte sem fim de distrações e ilusões cibernéticas, bom, quanto a isto creio não ser o único a vislumbrar tal problema. Não quero escrever sobre os problemas humanísticos advindos destas plataformas de realidades paralelas, as redes sociais. Para maiores aprofundamentos indico Bauman ou Lipovetsky. Só gostaria de analisar em poucos parágrafos o quanto estes lugares tonaram-se verdadeiros mercados de relacionamentos vazios.

Alguns minutos perdidos entre as barras de rolagem do Twitter, Instagram e Facebook, são suficientes para nos mostrar como somos uma geração carente. Não sei ao certo se carente de afeto ou de atenção — não sei também até que ponto estes dois parâmetros se confundem. Entre textos tristes e fotos seminuas — ou completamente nuas mesmo — , a sociedade vai mostrando a essência daquilo que chamamos de carência. As redes sociais em pouco tempo se transformaram numa grande vitrine de açougue onde se escolhe, o que se quer, por peças. É bem verdade que as redes sociais transformaram-se, também, numa grande praça francesa de debates políticos, mas isto cabe a outro texto.

Na realidade, eu acho extremamente interessante a forma desproporcional que a raça moderna lida com a ansiedade de namorar. Tal aporia me lembra as aulas de biologia, onde estudamos como agem os feromônios e como se dá a reprodução dos animais; tudo isto, unido a uma visão mercantilista e varejista pós revolução industrial, nos dá uma visão panorâmica da situação relacional de nossos dias nestas ditas redes. A modernidade usa as redes sociais para expor suas urgências de atenção, na busca incessante de um comprador de carências. E veja, não estou falando de postar fotos pura e simplesmente, mas sim a finalidade que se busca nisso. Ou seja, postar fotos em busca de saciar ausência do sexo oposto (ou do mesmo, sei lá), da mesma forma que cachorro mija no muro para atrair fêmeas.

A busca intrépida por uma curtida, um elogio ou, quiçá, uma proposta, faz com que atimiline de muitas pessoas tornem-se catálogos e/ou vitrines de homens e mulheres.

Triste realidade onde relacionamentos vazios iniciam-se por uma realidade paralela amorfa. Onde fotos “pixializadas” tornam-se meios de conquista; desejos descontrolados, vias de um pseudo-romantismo; palavras insonsas, motivos de crença amorosas. Eu acredito ainda naquele amor conquistado a duras penas, nas cartas e nos buquês de rosas. No frio na barriga ao ver e tocar, pessoalmente é claro, a(o) amada(o). Acredito em pessoas caras que não custam uma curtida. Antigamente se fugia de casa para viver um amor eterno, uma traquinagem que se justifica por uma eternidade; hoje se foge do eterno em busca de relacionamentos momentâneos, uma traquinagem que se perde num instante lodoso de luxúria. Aliás, nesta matéria, eu aceito a taxação reacionário.

(Pedro Henrique Alves, via Obvious)

Tags:
Redes sociaisRelacionamentotecnologia
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