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Armênias recorrem a aborto seletivo para evitar dar à luz meninas

© Quinn Dombrowski

Agências de Notícias - publicado em 10/01/17 - atualizado em 21/08/20

Como muitas armênias, Ani Kirakosyan teme engravidar porque se a ultrassonografia mostrar que o bebê que espera é uma menina, provavelmente sua família vai pressioná-la a abortar.

“Meus parentes me consolaram quando dei à luz minha primeira filha”, lembra Ani, de 27 anos, moradora da capital, Erevan.

“Mas quando minha segunda filha nasceu, minha sogra me disse que não devia ter mais. Que devia dar um filho ao meu marido”, acrescenta.

Nesta ex-república soviética do Cáucaso, onde o apego aos valores tradicionais se mantém forte, muitas famílias preferem um filho homem.

E a preferência é tal que a Armênia tem a terceira maior taxa de abortos seletivos do mundo, uma cifra que aumentou drasticamente desde a dissolução da União Soviética.

O Fundo de População das Nações Unidas (FPNU) registrou uma média de 114 de meninos por cem meninas em 2012, enquanto a norma “natural” é de 102 para 106 meninos.

Segundo a organização, os abortos seletivos motivados pelo sexo do bebê são particularmente frequentes a partir do segundo filho e representam 1.400 gestações interrompidas por ano.

“Dentro de dez ou vinte anos, estaremos diante de um déficit de mulheres, o que, combinado com um declínio dramático da taxa de natalidade, conduzirá a uma crise demográfica séria”, advertiu, preocupado, Garik Hairapetian, representante da Armênia no FPNU.

“Até 2060, 100.000 mães em potencial não nascerão na Armênia. Teremos nos tornado uma sociedade de homens solteiros”, acrescentou.

A Armênia só perde para a China, que pôs fim à sua política de filho único no ano passado, e para o vizinho Azerbaijão, onde 53% dos recém-nascidos eram meninos no primeiro trimestre de 2016, segundo cifras oficiais.

Alguns especialistas relacionaram esta tendência entre os dois rivais do Cáucaso à sua disputa territorial da região de Nagorny-Karabaj, sugerindo que esta daria um clima de insegurança e uma necessidade de “defensores da pátria” masculinos.

Mas as Nações Unidas atribuem o déficit de mulheres às “estruturas patriarcais” que prevalecem nos dois países, a uma tendência de querer unicamente uma família reduzida e o acesso estendido às ultrassonografias e ao aborto.

Abortos ilegais

Como acontecia na era soviética, o aborto continua sendo o principal método de controle da natalidade da Armênia, onde o procedimento é gratuito nos hospitais públicos.

Neste verão, os deputados armênios aprovaram uma lei destinada a inverter esta tendência, obrigando os médicos a perguntar às mulheres que desejarem abortar sobre suas razões e a rechaçar o abordo se este se deve ao sexo do feto.

A lei proíbe também os abortos posteriores a doze semanas, exceto quando a saúde da mãe correr risco, que a gravidez for fruto de estupro ou que se trate de mãe solteira.

As ONGs armênias que defendem os direitos das mulheres criticam estas medidas e afirmam que estas só fomentarão abortos ilegais e perigosos.

“Se restringirmos os abortos legais, haverá mais abortos clandestinos e uma taxa de mortalidade feminina mais importante”, destacou Anouch Poghossian, do Centro de Recursos para as Mulheres.

“Devemos nos ocupar da origem do problema, a mentalidade patriarcal e a pobreza muito estendida, e não de suas consequências”, explicou à AFP.

Segundo Poghossian, “se homens e mulheres tivessem as mesmas oportunidades, se as mulheres pudessem ter tanto sucesso e ser tão independentes financeiramente quanto os homens, nenhum pai teria que escolher entre ter um menino ou uma menina”.

Pelo menos, o problema trazido por estes abortos seletivos, abordado enormemente pela mídia nos últimos meses, permitiu abrir um debate sobre as causas do fenômeno, segundo Hairapetian.

“O paradoxo da sociedade armênia é que muita gente não quer uma filha antes que nasça, mas, uma vez que está ali, é tão querida e mimada quanto um menino”, explicou.

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