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O poder da oração no cativeiro: arrepiante carta de um jornalista assassinado pelo Estado Islâmico

AP Photo Steven Senne
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James Foley ofereceu um testemunho extraordinário de fé aos seus colegas de universidade

O jornalista freelancer James Foley foi executado no dia 19 de agosto de 2014 por covardes do grupo terrorista Estado Islâmico, após ficar desaparecido na Síria desde novembro de 2013. Confira o relato aqui.

Antes de passar por essa provação terrível, ele já tinha vivido outro inferno semelhante: em 2011, Foley fora capturado e depois solto pelas forças pró-governo Kadafi na Líbia.

A carta que reproduzimos a seguir, com autorização da revista Marquette, é um relato feito pelo próprio James Foley sobre o seu cativeiro líbio de 2011, quando ele ainda não imaginava que seria assassinado por terroristas poucos meses depois.

* * *

A Universidade de Marquette sempre foi uma amiga para mim. Daquele tipo de amigo que desafia você a fazer mais e melhor e que, no fim das contas, dá forma à pessoa que você se torna.

Com a Marquette, eu fiz trabalhos voluntários em Dakota do Sul e no Mississippi e percebi que eu tinha sido uma criança bem cuidada enquanto o mundo sofria problemas muito reais. Encontrei jovens que queriam dar o próprio coração aos outros. Algum tempo depois, eu me voluntariei numa escola secundária de Milwaukee, próxima da universidade, e me inspirei a ser professor. Mas a Marquette nunca foi tão amiga para mim como quando eu fiquei preso como jornalista.

Eu e dois colegas fomos capturados e mantidos num centro de detenção militar em Trípoli. Aumentava a cada dia a nossa preocupação com as nossas mães, porque temíamos que elas começassem a entrar em pânico. Minha colega Clare deveria ter ligado para a mãe no aniversário dela, justo um dia depois da nossa captura. Eu ainda não tinha admitido totalmente para mim mesmo que a minha mãe já soubesse do que tinha acontecido. Mas falei várias vezes para Clare que a minha mãe tinha uma fé muito forte.

Eu rezava para que ela soubesse que eu estava bem. Rezava esperando me comunicar com ela através de algum tipo de alcance cósmico do universo.

Comecei a rezar o terço. É o que a minha mãe e a minha avó teriam rezado. Recitava dez ave-marias entre cada pai-nosso. Levava tempo, quase uma hora para recitar cem ave-marias. E isso me ajudava a manter a mente focada.

Clare e eu rezávamos juntos em voz alta. Era revigorante falar das nossas fraquezas e das nossas esperanças, como se conversássemos com Deus, em vez de ficar em silêncio e sozinhos.

Fomos levados, depois, para outra cadeia, onde o regime mantinha centenas de prisioneiros políticos. Fui rapidamente acolhido pelos outros presos e bem tratado.

Uma noite, dezoito dias depois da captura, os guardas me levaram para fora da cela. No salão, encontrei Manu, outro colega, pela primeira vez em uma semana. Estávamos abatidos, mas muito felizes por ver um ao outro. No andar de cima, no escritório do diretor do presídio, um homem distinto, de terno, se levantou e nos disse: “Achamos que vocês querem ligar para as suas famílias”.

Eu fiz outra oração e disquei o número. Minha mãe atendeu.

“Mãe, mãe! Sou eu, Jim!”.

“Jimmy, onde você está?”.

“Eu ainda estou na Líbia, mãe. Me desculpe, eu sinto muito, muito!”.

“Não se desculpe, Jim”, ela implorou. “Seu pai acabou de sair. Ah, ele quer tanto falar com você! Como você está, Jim?”.

Eu disse a ela que estava bem alimentado, que tinha uma boa cama e que estava sendo tratado como um hóspede.

“Eles estão mandando você dizer essas coisas, Jim?”.

“Não, mãe, os líbios são pessoas maravilhosas. Eu estava rezando para você saber que eu estou bem. Você sentiu as minhas orações?”.

“Ah, Jimmy, tantas pessoas estão orando por você! Todos os seus amigos, Donnie, Michael Joyce, Dan Hanrahan, Suree, Tom Durkin, Sarah Fang, todos eles ligaram. Seu irmão Michael ama você demais!”. Ela começou a chorar. “A embaixada turca está tentando encontrar você e a Human Rights Watch também. Você se encontrou com eles?”.

Eu disse que não.

“Estão fazendo uma vigília de oração por você na [Universidade de] Marquette. Você sente as nossas orações?”, foi a vez dela de perguntar.

“Sim, mãe, eu sinto”, e pensei sobre isso durante um segundo. Talvez fossem as orações dos outros que estivessem me dando forças, me mantendo à tona.

O oficial fez um gesto. Eu comecei a dizer adeus. Mamãe começou a chorar. “Mãe, eu estou forte. Eu estou bem. Eu tinha que estar em casa para a formatura da Katie”, que já tinha acontecido fazia um mês.

“Nós amamos você, Jim!”, disse ela.

Então eu desliguei.

Eu repassei essa ligação centenas e centenas de vezes na minha cabeça: a voz da minha mãe, os nomes dos meus amigos, o conhecimento dela da nossa situação, a confiança absoluta dela no poder da oração. Ela me disse que os meus amigos tinham se reunido para fazer tudo o que podiam para me ajudar. Eu sabia que não estava sozinho.

Na minha última noite em Trípoli, consegui o primeiro acesso à internet em 44 dias e pude ouvir um discurso que Tom Durkin tinha feito por mim na vigília de oração da Marquette. Diante de uma igreja repleta de amigos, alunos, ex-alunos, sacerdotes e professores, eu assisti ao melhor discurso que um irmão poderia fazer pelo outro. Demonstrava um coração enorme e, mesmo assim, era apenas um vislumbre de todos os esforços e de todas as orações que as pessoas estavam derramando.

Ainda que não houvesse nada mais, aquela oração era a força que tinha permitido a minha liberdade, uma liberdade interior, em primeiro lugar, e, depois, o milagre de ser libertado durante uma guerra em que o regime não tinha motivação real nenhuma para nos libertar. Não fazia sentido. Mas a fé fazia.

__________

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