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Anos de esforços diplomáticos para tentar resolver o conflito na Síria

DELIL SOULEIMAN / AFP

Al-Hol, Syria – February 1, 2017: A displaced Syrian woman, fleeing from Deir Ezzor city besieged by Islamic State (IS) group fighters, walks through the falling snow carrying a child on her shoulder in a refugee camp, located some 14 kilometers from the Iraqi border in Syria’s northeastern Hassakeh province. IS has been fighting fierce battles in Deir Ezzor city, capital of the oil-rich province of the same name which borders Iraq, which the jihadist group has been besieging since early 2015.

Agências de Notícias - publicado em 21/02/17

Veja que são os diferentes atores da guerra na Síria envolvidos ou não na trégua acertada entre Estados Unidos e Rússia

Desde o início, em 2011, do conflito na Síria, foram muitas as tentativas diplomáticas para acabar com a guerra, sendo o futuro do presidente Bashar Al-Assad um dos principais empecilhos.

– Iniciativas árabes – Em 2 de novembro de 2011, a Liga Árabe anunciou um acordo sobre um plano de cessar-fogo, a libertação dos detidos e retirada do exército das cidades.

Nenhuma disposição é respeitada. Nas semanas subsequentes, a Liga suspendeu a Síria e aplicou sanções até então inéditas.

No final de 2012, o regime sírio fecha a porta a qualquer mediação árabe.

– Genebra I – Em 30 de junho de 2012, em Genebra, o chamado “Grupo de Ação sobre a Síria” (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e representantes da Liga Árabe, Turquia e União Europeia) concorda com uma transição política, mas não consegue entrar em acordo sobre como realizá-la.

Washington queria que o acordo, que nunca foi implementado, abrisse o caminho para a era pós-Assad, enquanto Moscou e Pequim, aliados de Damasco, afirmavam que os sírios deveriam decidir o seu futuro.

– Genebra II – Em janeiro de 2014, acontece em Genebra as primeiras negociações entre o regime e a oposição, que terminam sem resultados.

Em 15 de fevereiro, o mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, que substituiu Kofi Annan em 2012, põe fim às negociações antes de renunciar por sua vez.

– Reuniões de Viena – Em 30 de outubro de 2015, um mês após o início da intervenção russa para apoiar o regime sírio, 17 países, incluindo Rússia, Estados Unidos, França e, pela primeira vez, o Irã, estudam uma solução política em Viena, sem a presença de representantes sírios.

Mas não há acordo sobre o futuro de Assad.

Em 14 de novembro outra reunião termina em fracasso, pelo mesmo motivo.

Em 18 de dezembro, pela primeira vez, o Conselho de Segurança da ONU adota uma resolução com um roteiro para uma solução política, com um governo de transição e eleições dentro de 18 meses.

No início de 2016, são realizadas em Genebra três rodadas de negociações indiretas entre o regime e grupos da oposição, supervisionadas pelo enviado da ONU Staffan De Mistura.

Mas nenhum consenso é alcançado sobre as modalidades de uma possível transição. No terreno, as violações do cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos e pela Rússia são recorrentes.

– Rússia, Turquia e Irã assumem – Em 9 de agosto de 2016, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo país apoia os rebeldes, reúne-se com seu colega russo, Vladimir Putin, para selar a reconciliação entre os dois países após uma crise provocada quando a aviação turca derrubou um caça russo na fronteira síria no final de 2015.

Duas semanas depois, a Turquia lança uma operação militar na província de Aleppo para combater os extremistas do grupo Estado Islâmico e as milícias curdas.

Em 22 de dezembro, o regime retoma o controle da cidade de Aleppo, ao término de uma operação de evacuação de dezenas de milhares de civis e rebeldes graças a um acordo patrocinado pela Rússia, Irã e Turquia.

Os três “padrinhos” assumem as rédeas da crise e impõem em 30 de dezembro um cessar-fogo entre o exército sírio e grupos rebeldes.

Em 23 e 24 de janeiro de 2017, e, em seguida, em 16 de fevereiro, organizam em Astana (Cazaquistão) negociações reunindo pela primeira vez à mesma mesa representantes do regime e uma pequena delegação rebelde.

Mas os encontros, organizados pela primeira vez sem o envolvimento dos Estados Unidos, terminam sem progressos significativos.

– Quarta rodada em Genebra – Os representantes da oposição e do regime vão se reunir na quinta-feira em Genebra para uma nova rodada de discussões sob os auspícios da ONU.

Mas as forças do governo intensificaram nos últimos dias seus bombardeios contra posições rebeldes nos arredores de Damasco, “uma mensagem sangrenta” destinada a sabotar as negociações segundo a oposição.

Partes

Veja que são os diferentes atores da guerra na Síria envolvidos ou não na trégua acertada entre Estados Unidos e Rússia.

Governo e aliados:O governo de Bashar al-Assad aprovou no sábado o acordo para o fim dos combates. Controla um exército de 150.000 efetivos, que alcançava os 320.000 no início da guerra, em 2011.

Este exército está apoiado por 200.000 homens suplementares, em particular pertencentes às Forças de Defesa Nacional. A eles se somam o Hezbollah xiita libanês (que fornece entre 5.000 e 8.000 homens) e combatentes iranianos, iraquianos e afegãos.

O governo está fortemente apoiado pela Rússia, que desde setembro de 2015 desenvolve uma campanha de bombardeios aéreos, o que permitiu, em particular, às forças pró-governamentais repelir os rebeldes nas províncias de Aleppo (norte), Lataquia (oeste), Damasco e Daraa (sul), assim como o grupo extremista Estado Islâmico (EI) em Palmira.

Os rebeldes e seus apoios:A trégua envolve, a princípio, uma miríade de grupos rebeldes que combatem em diferentes frentes. O número de combatentes é desconhecido, embora em 2013 fossem estimados entre 70.000 e 100.000 efetivos, segundo o secretário de Estado americano, John Kerry.

A mais importante aliança anti-regime é o Exército da Conquista, que domina quase toda a província de Idleb (noroeste). Está integrada por grupos islamitas como Ahrar al-Sham e Faylaq al-Sham, mas também inclui outros da mesma inspiração, em particular a Frente Fateh al-Sham (ex-Frente al-Nosra), que está excluída do acordo de cessar-fogo.

Os rebeldes considerados moderados são apoiados pelo Ocidente, em particular por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. Os rebeldes islamitas contam com a ajuda de Turquia, Arábia Saudita e Catar.

Extremistas:O acordo exclui os movimentos extremistas, em primeiro lugar o grupo Estado Islâmico (EI), assim como a Frente Fateh al-Sham.

Apesar das derrotas sofridas desde 2015, o EI ainda controla um terço do território sírio, essencialmente no leste do país.

A Frente Fateh al-Sham é a ex-Frente al-Nosra, que recentemente renunciou a sua adesão à Al-Qaeda.

Curdos:Os curdos ocupam um lugar à parte no conflito sírio e não são mencionados no acordo. No entanto, a coalizão árabe-curda Forças Democráticas Sírias (FDS) e as Unidades de Proteção do Povo curdo (YPG) indicaram que respeitarão o acordo. Desde 2012 estabeleceram uma semi-autonomia no norte e nordeste do país, e combatem em particular o EI.

(AFP)

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