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Religião

Cuidados paliativos e eutanásia são a mesma coisa?

© Alyssa L. Miller

Aleteia Brasil - Monica Costa - publicado em 10/03/17

O desafio de tomar decisões baseadas na ética, nas leis e na religião em momentos de tristeza pela proximidade da morte

Vontades antecipadas, cuidados paliativos, tratamento paliativo, morte digna, eutanásia passiva, eutanásia ativa, suicídio assistido… Quando nos encontramos em situações de fim da vida (nossa e de amigos e familiares) devemos tomar decisões que se confundem com sentimentos de caridade e de culpa, dúvidas existenciais e espirituais,  e todos os conceitos que se mesclam, tornando ainda mais complicada a situação.

À tristeza de uma morte próxima e ao medo da dor se une a ansiedade de ter que tomar decisões difíceis.

Nunca será fácil tomar essas decisões. Por isso, é importante estarmos bem assessorados técnica e espiritualmente. Aqui, tentamos esclarecer algumas questões.

  1. Em se tratando de um familiar, a primeira coisa a fazer é saber se existem vontades antecipadas em que se concretizem suas decisões sobre quais tratamentos a pessoa deseja no fim de sua vida. É preciso deixar claro esses desejos ainda quando estamos conscientes e temos capacidade de tomar decisões para que a família e os médicos atuem quando nosso estado de saúde já não nos permitir mais nenhum tipo de expressão. Mesmo assim, estas decisões precisam levar em conta os aspectos éticos, religiosos e legais e a possibilidade de serem aplicados ou não
  1. Cuidados paliativos. São aqueles cuidados oferecidos aos pacientes com enfermidade grave, com o objetivo de garantir, na medida do possível, melhor qualidade de vida. Basicamente, levam em conta:

Problemas físicos: mitigação da dor, ajuda para dormir melhor, ajuda nos problemas de respiração, digestivos, nutricionais etc.

Problemas psicológicos ou emocionais: geralmente são oferecidos acompanhamentos psicológicos tanto para o paciente quanto para a família, a fim de tratar a depressão ou a ansiedade.

Problemas práticos: adaptação da casa, ajuda em gestão administrativa, assessoria financeira, ajuda em domicílio etc.

Assuntos espirituais: ajuda no processo de exploração da fé para atingir a paz espiritual.

Profissionais especializados nestes tipos de cuidados dizem que, quando aplicados, reduzem de forma importante as decisões mais graves sobre a continuidade da vida. Segundo do Catecismo da Igreja Católica, “os cuidados paliativos constituem uma forma privilegiada de caridade desinteressada. Por esta razão, devem ser incentivados.”

  1. O uso dos tratamentos paliativos quando for suspenso o tratamento de cura da doença em decorrência da certeza de que o paciente não vai sobreviver por mais de 6 meses. O objetivo é aliviar a dor e o mal-estar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o paciente terminal tem direito a:

  • Continuar sendo tratado como pessoa;
  • Receber atenção adequada de profissionais competentes;
  • Participar das decisões que têm a ver com seu tratamento e não ser discriminado se suas decisões não coincidem com as de seus familiares ou médicos;
  • Ser informado e receber respostas honestas às suas perguntas;
  • Praticar e expressar suas crenças espirituais;
  • Poder compartilhar afeto com sua família e amigos e que eles o acompanhem até o momento de sua morte.

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, “a interrupção de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionais aos resultados pode ser legítima. É recusar a obstinação terapêutica… Não se pretende provocar a morte, pois aceita-se o fato de não poder impedi-la. O uso de analgésicos para aliviar os sofrimentos, inclusive com riscos de abreviar os dias do pacientes, pode estar moralmente em conformidade com a dignidade humana, já que não se pretende a morte”.

  1. Começar a entender mais sobre eutanásia (passiva ou ativa) e suicídio assistido.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a eutanásia é a “ação de um médico que provoca deliberadamente a morte do paciente”. A eutanásia passiva é a morte por omissão, ao retirar um determinado tratamento, a alimentação ou a hidratação, por exemplo, para acelerar a morte. Já a eutanásia ativa é basicamente quando se ministram medicamentos que possam ser letais com o objetivo de encurtar a vida.

O suicídio assistido acontece quando o paciente decide terminar de forma ativa com sua vida e, para isso, são oferecidos a ele, intencionalmente, os meios necessários (tanto os medicamentos como informações sobre as doses letais).

O Catecismo da Igreja Católica diz que “quaisquer que sejam os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em por fim à vida de pessoas enfraquecidas, enfermas ou moribundas. É moralmente inaceitável” e “uma ação ou omissão de algo com a intenção de provocar a morte para suprimir a dor constitui homicídio…”

O Catecismo ainda ensina que não somos proprietários da nossa vida, por isso não podemos por fim a ela. Afirma o Catecismo da Igreja Católica no número 2280: “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lhe deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra dele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.

Para o padre Mário Marcelo, membro da Sociedade Brasileira de Bioética, “o suicídio medicamente assistido contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao projeto de Deus para cada um de nós e ao amor por si mesmo. O suicídio assistido fere também o princípio da justiça que é o direito à própria vida e o direito que os outros têm da minha vida e existência; rompe injustamente a comunhão com as pessoas amadas da família e da sociedade”.

Seja como for, estamos diante de decisões difíceis em que os limites entre uma e outra opção às vezes são muito tênues. Por isso, é necessário buscar assessoria adequada e honesta que nos acompanhe neste processo de ajuda às pessoas que amamos.

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