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É possível o jornalismo ético na era da pós-verdade?

Michael Shaheen-CC
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Principais desafios do mundo jornalístico

 

Um conceito que tem gerado muita controvérsia no mundo: pós-verdade. Ou seja, algo que está além da verdade dos fatos; uma corrente em que os fatos objetivos têm muito menos influência na formação da opinião pública que as emoções ou crenças pessoais.

É possível que ainda possa existir jornalismo em uma teia de rejeição da objetividade? Como pode reagir a ética jornalística diante da “sociedade das emoções”?

Um relatório recente da Rede de Jornalismo Ético (EJN, na sigla em Inglês) coloca no centro das atenções os principais desafios que os jornalistas deverão enfrentar na chamada “era da pós-verdade”, em que os fatos e a opinião informada são indiscutivelmente desprezados, em favor da propaganda e da desinformação.

O estudo publicado no site da rede de jornalistas internacionais do EJN está composto por uma série de ensaios de jornalistas e acadêmicos e oferece exemplos dos desafios enfrentados pelos meios de comunicação nos Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Turquia e outros países.

Segundo o relatório, existem três principais desafios identificados:

  1. Como reportar de forma mais responsável o discurso de ódio e a intolerância, e aos funcionários públicos que a utilizam como um programa de governo ou como opção de coesão social. E, nos meios de comunicação, ter a força necessária para que a seção de comentários não seja um fórum para a violência e a discriminação.
  2. O segundo desafio refere-se à discussão ética por trás da publicação de fotografias virais de violência e morte, e detalha que, embora os jornalistas continuem informando sobre problemas graves como o conflito sírio, a migração em massa e a crise dos refugiados, continuarão a enfrentar dilemas ao considerar a ética na fotografia.
  3. O terceiro desafio representa como lidar corretamente com fontes e verificar notícias online. As fontes não podem ser empurradas para uma situação de violência contra elas. Deve ser verificado se as imagens ou vídeos retirados das redes sociais não foram alterados, diz o estudo; identificar e, em seguida, entrar em contato com a fonte original do conteúdo encontrado nas redes sociais, a fim de corroborar de onde o conteúdo veio de e se realmente está mostrando o que pretende mostrar.

O estudo conclui que não se pode dar um guia específico para enfrentar o fenômeno da pós-verdade, mas tenta garantir que o leitor não está sendo levado a um beco sem saída ou que está sendo cúmplice de um discurso de ódio.

Finalmente, trata-se de que a verdade e a objetividade jornalística triunfem sobre as emoções, os sentimentos e as opiniões provenientes de pessoas que atuam sem conhecimento dos fatos ou que falsificam os conteúdos das redes sociais para alimentar a violência social.

Artigo completo em inglês: http://ethicaljournalismnetwork.org/wp-content/uploads/2017/01/ejn-ethics-in-the-news.pdf

 

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