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Estilo de vida

Será que sou uma pessoa que acumula coisas?

Canção Nova - publicado em 16/03/17

O prejuízo social da pessoa acumuladora é gigantesco

O nome do transtorno que vamos falar hoje é Acumulação Compulsiva ou Disposofobia. Traduzindo, isso significa medo de livrar-se das coisas, pessoa acumuladora.

O que é isso?

Sabe aquelas pessoas que tem dificuldade de jogar fora objetos ou até mesmo roupas que não usam mais? Que sempre têm aquele pensamento: “um dia eu posso precisar disso!”? Quando percebem, o guarda-roupas está tão cheio, os armários lotados de papéis e casa uma desorganização total por falta de espaço, devido a esses objetos inúteis?

Não podemos confundir acumuladores com colecionadores. Os colecionadores são organizados com seus objetos e sabem a finalidade deles. Os colecionadores não ficam pensando que, um dia, podem precisar daquele objeto, mas sabem claramente que é uma coleção, por isso deixa os objetos organizados de forma que não atrapalhem a organização da casa.

Os acumuladores, não! Muitas vezes, nem sabem que possuem aquele bem ou objeto. Sua retenção é pura e simples por não conseguir abrir mão daquilo. É interessante ressaltar que, na cabeça de um acumulador, ele pode acumular qualquer coisa, o que pode resultar em um ambiente, muitas vezes, intransitável, sujo e perigoso para a saúde. Determinados objetos podem produzir mau cheiro e atrair insetos e animais para dentro de casa. E até mesmo existem aqueles acumuladores que abrigam um grande número de animais de determinada espécie para cuidar deles, mesmo que não tenha espaço suficiente para eles ou condições de oferecer alimentação adequada. É importante falar que esse número é alto, alto mesmo.

Por exemplo: uma pessoa que tem em casa e cuida de 15, 20, 30 gatos, cachorros ou qualquer outra espécie. São números altos! Nesse caso, podemos questionar até onde são animais de estimação ou uma dificuldade da pessoa de deixá-los ir embora depois dos cuidados necessários.

Normalmente, os acumuladores sofrem uma grande dificuldade de se socializar. Podemos dizer que, muitas vezes, é por vergonha do seu transtorno. No entanto, em alguns momentos, eles têm consciência de que essa retenção está exagerada, mas não conseguem abrir mão dela. É mais forte que eles! Mesmo que esse comportamento venha lhe trazer grandes perdas, como o divórcio, o afastamento dos filhos, brigas com os vizinhos devido ao mau cheiro e aos roedores e insetos que podem acabar entrando na casa deles. O prejuízo social do acumulador é gigantesco e seu fim último, pode ser a solidão em meio aos objetos, alimentos ou animais.

Sou um acumulador, e agora?

Talvez, neste momento, você esteja se perguntando: mas isso tem tratamento? Parece um quadro tão triste e difícil de reverter!

Tem tratamento sim! É claro que, como qualquer transtorno, o resultado não é imediato. E como em qualquer outra doença psíquica, depende muito do desejo dessa pessoa de se tratar. Não haverá eficácia no tratamento se não houver vontade na pessoa em mudar. Esse é o primeiro passo. Despertar na pessoa o desejo de mudar, mostrando os ganhos e perdas que ela possui ao viver presa na doença. Levá-la a compreender e aceitar que é uma doença e precisa ser tratada. O tratamento indicado é a psicoterapia e, se necessário, o uso de medicação. Neste caso, um acompanhamento com o psiquiatra.

O apoio da família é de extrema importância, pois são eles que estão no dia a dia do acumulador. Incentivar, acolher e amar também é um bom remédio!

Por Aline Rodrigues, via Canção Nova 

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